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Celina reage aos indicadores da Educação, muda comando da pasta e aposta em gestor com histórico de resultados

A decisão da governadora Celina Leão de promover uma mudança no comando da Secretaria de Educação do Distrito Federal pode ser interpretada como um movimento de cobrança por resultados em uma das áreas mais importantes da administração pública. Com a saída de Iêdes Braga e o convite ao então secretário municipal de Educação de Florianópolis, Thiago Peixoto, o GDF inicia uma nova etapa na condução da rede pública de ensino.

A mudança ganha relevância justamente porque ocorre após indicadores educacionais que acenderam um sinal de alerta para Brasília. Em vez de minimizar números desfavoráveis, o governo optou por mexer na estrutura da pasta e buscar fora do Distrito Federal um nome com experiência administrativa e passagem por diferentes esferas da vida pública.

Thiago Peixoto chega credenciado por uma trajetória que inclui gestão educacional, atuação parlamentar e formação acadêmica. Economista formado pela PUC-SP, possui pós-graduação em Gestão de Projetos pela Universidade da Califórnia e mestrado em Administração Pública por Harvard. Também exerceu dois mandatos de deputado federal por Goiás, entre 2011 e 2019.

Mas é principalmente sua experiência na administração da Educação que ajuda a explicar a escolha.

Peixoto já comandou a Secretaria de Educação de Goiás. Durante o período associado à sua gestão, o estado registrou importante evolução nos indicadores educacionais, chegando às primeiras posições nacionais do Ideb em etapas da educação básica. Mais recentemente, assumiu a Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis, ampliando sua experiência na administração de redes públicas de ensino.

Sua passagem pela Câmara dos Deputados também incluiu atuação em temas educacionais. Entre eles esteve a discussão sobre o Fundeb, mecanismo fundamental para o financiamento da educação básica brasileira.

Uma troca com mensagem política e administrativa

Em pleno ano eleitoral, evidentemente qualquer mudança em uma secretaria estratégica possui repercussão política. Mas existe um aspecto administrativo que merece atenção: governos também são avaliados pela capacidade de reconhecer problemas e promover correções durante o percurso.

Nesse sentido, a decisão de Celina pode ser compreendida como uma tentativa de não permanecer indiferente diante de resultados que exigem reação.

A Educação é uma área em que os efeitos das políticas públicas normalmente aparecem no médio e longo prazo. Ainda assim, indicadores de aprendizagem, evasão, infraestrutura, desempenho escolar e valorização dos profissionais precisam ser permanentemente acompanhados.

A escolha de um gestor que já passou por outras redes públicas sinaliza a busca por novas práticas, métodos de gestão e experiências que possam ser adaptadas à realidade brasiliense.

Isso não significa, naturalmente, que a simples substituição do secretário resolverá os problemas existentes. Thiago Peixoto encontrará uma das maiores e mais complexas estruturas administrativas do GDF, além de uma comunidade escolar formada por milhares de professores, servidores, estudantes e famílias.

Seu verdadeiro teste começará agora.

Celina assume o custo da mudança

Politicamente, existe ainda outro aspecto relevante. Em ano eleitoral, manter tudo como está costuma ser a alternativa menos arriscada. Alterar o comando de uma pasta importante significa reconhecer publicamente que existem pontos que precisam melhorar e assumir as consequências da decisão.

Celina escolheu a mudança.

O movimento permite ao governo estabelecer novas metas para a Educação e cobrar resultados de uma equipe renovada. Também abre espaço para uma revisão de prioridades, especialmente nas áreas relacionadas à aprendizagem, gestão escolar, infraestrutura, tecnologia e acompanhamento dos indicadores educacionais.

Para a população, entretanto, o que realmente importará será aquilo que acontecer dentro das escolas.

Se a experiência acumulada por Thiago Peixoto em Goiás, Florianópolis e no Congresso puder ser convertida em melhoria da aprendizagem e da gestão da rede pública do Distrito Federal, a mudança terá cumprido sua finalidade.

Mais do que uma troca de nomes, a decisão coloca a Educação novamente no centro das atenções do GDF e estabelece uma cobrança objetiva sobre o novo secretário: experiência e currículo agora terão de se transformar em resultados para alunos, professores e famílias do Distrito Federal.

Da redação por Jorge Poliglota…

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