Em vídeo publicado nas redes sociais, vereador gaúcho e candidato a deputado federal critica a sequência de decisões envolvendo André Mendonça, Flávio Dino, Edson Fachin e a direção da Polícia Federal, e sustenta que o Supremo atravessa um momento de forte desgaste institucional
O vereador de Erechim Rony Gabriel, atualmente candidato a deputado federal pelo Podemos no Rio Grande do Sul, voltou a fazer duras críticas ao Supremo Tribunal Federal em um vídeo publicado nas redes sociais. Em pouco mais de quatro minutos, ele analisa a crise aberta pelo afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por decisão do ministro André Mendonça, e a posterior reação de Flávio Dino e do presidente da Corte, Edson Fachin.
A mensagem central de Rony é a de que o STF estaria vivendo um momento de fragilidade pouco comum, provocado não apenas pela pressão externa, mas principalmente por divergências cada vez mais expostas entre os próprios ministros.
O episódio ganhou dimensão nacional nesta quarta-feira, 9 de setembro. André Mendonça havia determinado o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, sob suspeita de irregularidades na produção de relatórios envolvendo autoridades. Flávio Dino, entretanto, decidiu posteriormente reintegrá-los. A disputa levou Fachin a intervir na crise, diante de decisões conflitantes dentro da própria Corte.
Rony destaca divisão interna do Supremo
Um dos pontos mais explorados pelo vereador é justamente a dificuldade de um ministro derrubar, isoladamente, uma decisão tomada por outro integrante da Corte. No vídeo, Rony menciona que a decisão de Mendonça havia recebido respaldo de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques na Segunda Turma antes da interrupção do julgamento.
A observação encontra respaldo no andamento do caso: a maioria da Segunda Turma chegou a acompanhar Mendonça, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes. Depois disso, Dino determinou a reintegração dos dirigentes da PF.
Para Rony, essa sucessão de decisões mostra que a crise deixou de ser apenas um conflito entre Polícia Federal e Supremo. Na avaliação dele, passou a existir também um confronto institucional dentro da própria Corte.
Em linguagem direta, característica de seus vídeos, o vereador sustenta que o cenário envolvendo Alexandre de Moraes também mudou. Segundo ele, a pressão política, jurídica e institucional aumentou significativamente nos últimos meses.
Caso Banco Master aparece no centro da análise
Outro ponto importante levantado no vídeo é o caso Banco Master e as informações envolvendo Daniel Vorcaro. Rony relaciona a crise atual às revelações sobre contatos e mensagens que chegaram às investigações da Polícia Federal e passaram a envolver integrantes do próprio Supremo.
Essas informações estão, de fato, no centro da atual tensão. Fachin já havia determinado que André Mendonça, Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República Paulo Gonet e Andrei Rodrigues apresentassem esclarecimentos sobre material da PF relacionado a mensagens de Vorcaro.
Rony também chama atenção para o fato de que os acontecimentos já ultrapassaram o campo político e passaram a produzir dúvidas sobre segurança jurídica.
Esse aspecto merece atenção. Disputas entre ministros acerca da competência para investigar, afastar autoridades ou rever decisões de colegas podem gerar incerteza sobre quais regras estão sendo aplicadas. Juristas ouvidos pela imprensa apontaram problemas tanto na medida de Mendonça quanto na reação de Dino, justamente por causa dos riscos de decisões individuais contraditórias dentro do mesmo tribunal.
“A queda é possível”
É na parte final do vídeo que Rony Gabriel assume um discurso mais claramente político.
Ao tratar de Alexandre de Moraes, ele afirma que uma eventual saída do ministro deixou, em sua avaliação, de ser algo impossível. Em determinado momento, resume sua interpretação dizendo que “a queda é possível”.
Não se trata, evidentemente, de uma previsão jurídica ou de qualquer processo já definido nesse sentido. Alexandre de Moraes permanece ministro do STF e qualquer responsabilização político-institucional teria de seguir os mecanismos previstos na Constituição e na legislação.
O que Rony pretende transmitir é uma leitura política: a de que a pressão sobre Moraes cresceu e de que acontecimentos recentes teriam reduzido a percepção de intocabilidade que cercava integrantes da Corte.
Vereador pede mobilização e pressão sobre o Senado
Rony encerra o vídeo defendendo que seus seguidores mantenham a pressão política. Ele utiliza expressões como “continuar pressionando” e orienta o público a procurar senadores para cobrar posicionamentos, inclusive sobre pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Esse ponto é juridicamente relevante porque cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, nos termos da Constituição. Isso não significa que uma mobilização popular produza automaticamente o afastamento de um ministro: qualquer procedimento depende das etapas formais previstas no sistema constitucional.
Mas é justamente nessa arena política que Rony pretende atuar.
O vereador transformou as redes sociais em uma de suas principais ferramentas de comunicação e vem ganhando projeção nacional com críticas ao Judiciário, ao Banco Master e a temas ligados ao campo conservador. Em 2026, deixou o PL e disputa uma vaga de deputado federal pelo Podemos. Sua candidatura aparece registrada e deferida pela Justiça Eleitoral.
Mais do que uma decisão, uma crise de autoridade
A parte mais relevante da análise de Rony talvez esteja além dos nomes envolvidos.
André Mendonça afasta. A Segunda Turma forma maioria. Gilmar Mendes pede vista. Flávio Dino reintegra. Fachin é obrigado a intervir. Enquanto isso, relatórios da Polícia Federal, o Banco Master, Vorcaro e ministros do STF aparecem entrelaçados numa crise que aumenta a cada nova decisão.
O resultado é uma imagem institucional preocupante: ministros da mesma Corte adotando caminhos opostos sobre uma questão envolvendo a direção da principal polícia investigativa do país.
É nesse ambiente que o discurso de Rony Gabriel encontra espaço.
Pode-se concordar ou discordar de suas conclusões, mas o vereador identifica um problema real: quando a maior Corte do país transmite a impressão de que suas próprias decisões entram em choque, a insegurança deixa de ser apenas jurídica e passa a ser também institucional.
E é exatamente por isso que o STF enfrenta hoje algo talvez mais difícil de recuperar do que autoridade formal: confiança pública.
Assista ao vídeo:
Da redação por Jorge Poliglota…




