O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou no último dia 19, em um evento na capital do país o fim das eleições democráticas no país. A manifestação ocorreu durante cerimônia em Manágua em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista, ocasião em que o dirigente justificou a medida como uma forma de impedir o retorno de grupos de oposição ao governo centro-americano.
A medida, totalmente ditatorial, cela de vez um processo de fechamento político que já vinha se arrastando a anos: perseguição a cristãos, à oposição, prisões de jornalistas e opositores, e controle total dos poderes. É a oficialização de um regime autoritário nas américas.
Mas, nada surpreendente, países como o Brasil, que pregam a democracia (disfarçada) e a soberania popular, se calou na figura de seu mandatário Lula da Silva.
Até agora, antes da publicação dessa matéria, o governo brasileiro mantém o silêncio ensurdecedor, onde até o Chile, país governado pela esquerda, já se manifestou criticando a atitude. Lula? ah, esse tá sumido desde então.
Mas esse silêncio pode até ser compreendido, já que entre Lula e Ortega existe uma relação pessoal de amizade de décadas, frutos de uma proximidade política e trajetórias esquerdistas na américa latina.
Amizade política não é crime, mas quando ela impede que um Estado que se diz democrático se posicione silencioso diante do colapso da democracia em outro país, aí podemos supor que haja uma conivência.
O Brasil, principalmente após a elevação de Lula (um condenado em todas as instâncias possíveis na justiça) à presidência da república, tem pregado o respeito às urnas e ao voto popular. Nos discursos internacionais e em relação a outros países da região essa sempre foi a retórica esquerdista brasileira. Enfraquecer ou se acovardar diante dessa agressão à democracia passa a mensagem de que a democracia depende de quem está no poder e do grau de amizade e afinidade.
Quando o Itamaraty e Lula se calam eles abrem mão de um papel que o Estado brasileiro já exerceu outrora: o de cobrar, diplomaticamente, que a América Latina não naturalize ditaduras. Diante dessa atitude, Lula deixará uma lacuna que será preenchida por outros e a certeza de que o Brasil escolheu o lado da autocracia quando era mais cômodo a si próprio.
Por fim, defender democracia não pode ser seletivo. Se vale para alguns, tem que valer para todos!
O silêncio, nesse caso, diz muito…
Da redação por Jorge Poliglota, editor-chefe do Portal Opinião Brasília…




