Real Time Big Data coloca governadora com 52% dos votos válidos; Datafolha mostra Celina com 60% entre evangélicos e petista com apenas 8%. A cinco dias das urnas, candidato do PT tenta aproximação com segmento historicamente resistente ao partido
A cinco dias da eleição, dois levantamentos ajudam a explicar o tamanho do desafio enfrentado pelo petista Leandro Grass para impedir que a disputa pelo Governo do Distrito Federal termine já no próximo domingo (4). A pergunta é: Será que consegue?
De um lado, a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (29) coloca a governadora Celina Leão (PP) com 47% das intenções de voto, contra 26% de Grass. Quando considerados somente os votos válidos — excluídos brancos, nulos e indecisos — Celina alcança 52%, enquanto Grass registra 29%.
É uma fotografia que coloca Celina numericamente acima do patamar necessário para vencer no primeiro turno. Pesquisa, entretanto, não é resultado eleitoral, o otimismo é grande, mas a margem de erro e as escolhas feitas pelos eleitores até domingo precisam ser consideradas. Por isso a humildade e o pé no chão na coordenação de Celina Leão é a ordem.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 28 de setembro, por telefone e internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é DF-04637/2026.
Para Grass, porém, existe outro problema eleitoral particularmente expressivo.
Entre evangélicos, 60% a 8%
O Datafolha realizado entre 22 e 24 de setembro encontrou uma diferença ainda maior quando isolado o eleitorado evangélico.
Nesse segmento, Celina registra 60% das intenções de voto, enquanto Grass aparece com apenas 8%. Na rodada anterior, segundo os dados publicados pelo Portal Folha Evangélica, da jornalista Cida Frausino, eram 57% para Celina e 5% para o candidato petista.
O Datafolha ouviu 910 eleitores no Distrito Federal. A margem de erro geral do levantamento é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada sob os números DF-01888/2026 e BR-06769/2026. Os percentuais de subgrupos, como evangélicos, devem ser interpretados com cautela adicional porque trabalham com uma parcela menor da amostra total.
É justamente aí que surge uma das ironias desta campanha.
Grass até tentou intensificar sua aproximação com lideranças religiosas na reta final. Em setembro, reuniu-se com representantes evangélicos, falou em apoiar igrejas e instituições que desenvolvem trabalhos sociais e procurou apresentar-se como alguém disposto ao diálogo com o segmento. Mas aí Lula veio e estragou tudo ao chamar a candidata Celina Leão de “Cínica e Mentirosa” e com a “Fake News” sobre a padroeira do Brasil Nossa Senhora Aparecida, amplamente divulgada entre seus militantes e divulgada preliminarmente pela Globo, que depois ela própria desmentiu.
Uma relação difícil que não começou com Grass
Seria simplista atribuir esse desempenho exclusivamente ao candidato ao GDF.
Grass carrega também a identificação partidária com o PT, que possui uma relação marcada por divergências com parcelas do eleitorado evangélico.
Declarações antigas e recentes de Lula envolvendo líderes religiosos provocaram controvérsias. Em 2024, por exemplo, o presidente contrapôs o Deus do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao do pastor Silas Malafaia, episódio que provocou reação do religioso.
Neste ano, outro episódio gerou desgaste.

No desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem à trajetória de Lula, uma ala intitulada “Neoconservadores em conserva” satirizou grupos associados ao conservadorismo, incluindo evangélicos.
Segundo pesquisa Ideia citada ainda pelo Portal Folha Evangélica, 61,1% dos evangélicos entrevistados posteriormente consideraram aquela representação ofensiva ou preconceituosa.
Esse histórico ajuda a contextualizar — embora não prove sozinho a causa — a dificuldade eleitoral que Grass encontra nesse segmento.
Celina tenta encerrar a disputa antes que exista segundo turno
Enquanto Grass procura reduzir a distância, Celina chega aos últimos dias de campanha com um objetivo matematicamente simples que é ultrapassar metade dos votos válidos no domingo.
E não é apenas um instituto que registra sua liderança.
O Datafolha divulgado em 24 de setembro, já considerando o cenário sem José Roberto Arruda, colocou Celina com 42% das intenções totais, contra 23% de Grass. Nos votos válidos daquele levantamento, eram 51% para Celina e 27% para Grass. A pesquisa está registrada sob os números DF-01888/2026 e BR-06769/2026.
O Igape divulgado no domingo (27) também apontou Celina à frente: 43,9% contra 17,3% de Grass no cenário estimulado. O levantamento ouviu dois mil eleitores entre 22 e 26 de setembro e possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Pesquisas diferentes utilizam metodologias diferentes e não devem ser tratadas como se fossem uma única série histórica. O ponto comum entre esses levantamentos recentes é a liderança de Celina.
Grass corre contra o relógio — e contra os números
Restando cinco dias para a missão inglória de Grass, isso significa que o objetivo não é apenas crescer. Ele precisa retirar Celina da faixa que diferentes levantamentos colocam próxima ou acima dos 50% dos votos válidos.
Entre os evangélicos, a dificuldade parece ainda maior.
E aí está talvez a ironia política desta reta final. Depois de investir em aproximações com um eleitorado historicamente desconfiado do PT, Grass chega à última semana tentando convencer justamente um segmento no qual o Datafolha registra uma diferença de 52 pontos percentuais em favor de Celina.
Eleição, evidentemente, só termina quando os votos são contados. Pesquisas são fotografias do momento e podem não reproduzir o resultado das urnas.
Mas, se os números atuais se confirmarem no domingo, Grass não precisará se preocupar com a estratégia para um eventual segundo turno.
Vai pra casa com a mala e a cuia.
Da redação com informações Portal Folha Evangélica e RadarDF


