Partido comandado no DF por Paulo Octávio oficializa apoio à governadora após saída de Arruda da disputa; movimento reorganiza alianças na reta final das eleições
A reta final da disputa pelo Governo do Distrito Federal ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (28). O PSD-DF, presidido por Paulo Octávio, oficializou durante evento realizado à tarde seu apoio à candidatura à reeleição da governadora Celina Leão (PP).
A decisão ocorre poucos dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral barrar a candidatura de José Roberto Arruda (PSD), que até então representava a legenda na corrida pelo Palácio do Buriti. Com Arruda fora da disputa, a Executiva Regional reuniu-se para definir o novo posicionamento e decidiu caminhar com Celina.
A oficialização ocorreu na sede do PSD e contou com Celina, o candidato a vice-governador Gustavo Rocha (Republicanos), Paulo Octávio, Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e outras lideranças.
Em nota lida durante o encontro, a direção regional afirmou que decidiu apoiar Celina com o objetivo de contribuir para políticas públicas em áreas como saúde, educação, segurança e atendimento à população mais vulnerável.
Paulo Octávio também explicou publicamente sua escolha.
“Tenho acompanhado a sua luta, Celina. Não é fácil. É a força de uma mulher guerreira, trabalhadora que quer o bem de Brasília.”
Celina, por sua vez, reconheceu que integrantes do PSD estavam até poucos dias atrás envolvidos em outro projeto eleitoral e agradeceu a decisão da legenda. Ao falar de prioridades, mencionou segurança pública, saúde e a recuperação do BRB.
Uma mudança expressiva no tabuleiro
Politicamente, o movimento chama atenção justamente pelo histórico recente.
Durante praticamente toda a campanha, o PSD esteve no campo adversário de Celina por abrigar a candidatura de Arruda. Com o indeferimento definitivo do registro do ex-governador, porém, a legenda precisou escolher como se posicionaria nos últimos dias antes da votação.
A decisão partidária não significa unanimidade interna. O próprio Arruda anunciou que não acompanhará o PSD no apoio a Celina, e dirigentes da legenda deixaram seus filiados livres para tomar decisões individuais na eleição majoritária.
Ainda assim, a adesão oficial do PSD amplia o conjunto de forças partidárias que passa a caminhar com a candidatura de Celina justamente na semana decisiva da campanha.
Ronaldo Fonseca abre mão do Senado
Outro movimento importante ocorreu no mesmo dia.
O ex-deputado federal e ex-ministro Ronaldo Fonseca (PSD) anunciou a renúncia à candidatura ao Senado e declarou apoio às candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL. Fonseca também anunciou apoio a Celina Leão para o GDF.
A decisão tem um componente eleitoral evidente: cada eleitor do Distrito Federal poderá votar em dois candidatos ao Senado em 2026. Fonseca deixa de disputar esses votos e passa a trabalhar pela dupla Michelle-Bia.
Ao anunciar a decisão, afirmou: “Eu decidi renunciar minha candidatura ao Senado para apoiar as minhas candidatas ao Senado, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.”
Fonseca disse ainda que pretende participar ativamente da campanha das três candidatas — Celina para o GDF e Michelle e Bia para o Senado.
A desistência também precisa ser observada à luz dos números. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana, Ronaldo aparecia com 1% das intenções de voto, enquanto Michelle tinha 26% e Bia, 15%.
PSD troca de palanque na última semana
Em poucos dias, portanto, o cenário do PSD mudou completamente.
A legenda começou a campanha tentando levar Arruda novamente ao Palácio do Buriti. Depois da decisão da Justiça Eleitoral que o retirou da disputa, passou por discussões internas e terminou a segunda-feira oficialmente incorporada ao palanque de Celina.
Paralelamente, seu candidato ao Senado deixou a corrida e passou a apoiar Michelle e Bia.
Isso não determina o comportamento dos eleitores do PSD nem permite antecipar o resultado das urnas. Mas representa uma reorganização relevante das alianças políticas na última semana da campanha, concentrando lideranças que anteriormente estavam em palanques distintos.
Para Celina, o apoio significa receber uma estrutura partidária que até poucos dias atrás trabalhava por um adversário.
Para o PSD, representa uma mudança de estratégia depois de perder sua candidatura própria.
E, para Ronaldo Fonseca, significa abandonar uma disputa pessoal pelo Senado para aderir ao projeto eleitoral de Celina, Michelle e Bia.
A menos de uma semana das urnas, Brasília assiste, mais uma vez, a uma das máximas da política em funcionamento: alianças podem mudar rapidamente quando o cenário muda — e agora caberá ao eleitor decidir qual peso dará a esses movimentos no próximo domingo.
Da redação por Jorge Poliglota…




