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STF sob pressão: Datafolha aponta reprovação de 47% e acende alerta sobre confiança na Corte

Pesquisa registrada no TSE sob o número BR-00304/2026 mostra apenas 18% de avaliação positiva sobre a atuação dos ministros; levantamento também revela forte divisão conforme a preferência presidencial

O Supremo Tribunal Federal chega à reta final de 2026 diante de um dado que dificilmente pode ser ignorado: quase metade dos brasileiros entrevistados pelo Datafolha avalia negativamente a atuação dos ministros da Corte.

Segundo o levantamento, 47% classificam o trabalho dos ministros do STF como ruim ou péssimo. No sentido oposto, somente 18% consideram a atuação ótima ou boa. Outros 31% avaliam como regular, enquanto 4% não souberam responder.

A diferença entre avaliação negativa e positiva chega, portanto, a expressivos 29 pontos percentuais.

Mais do que uma simples fotografia estatística, os números mostram o tamanho do desafio institucional enfrentado pelo Supremo para recuperar ou ampliar a confiança de uma parcela relevante da sociedade.

Pior avaliação da série iniciada em 2019

O resultado ganha peso adicional quando comparado ao histórico do próprio Datafolha.

Os 47% de ruim ou péssimo representam a pior avaliação dos ministros do STF desde que o instituto iniciou essa série, em 2019.

Esse dado surge depois de meses de forte exposição política do Supremo, marcada por controvérsias públicas envolvendo decisões de ministros e pelo debate sobre a relação entre integrantes da Corte, política e outros Poderes.

A pesquisa não determina as causas da avaliação — portanto, não seria correto atribuir os 47% a um episódio específico. Mas mostra que, qualquer que seja a combinação de fatores, existe hoje uma parcela expressiva dos entrevistados insatisfeita com a atuação dos ministros.

Divisão política aparece com enorme clareza

Talvez um dos aspectos mais reveladores seja a diferença de percepção entre os eleitores dos dois principais candidatos à Presidência.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 69% classificam a atuação dos ministros como ruim ou péssima. Apenas 6% a consideram ótima ou boa.

Entre os eleitores de Lula (PT), a fotografia é bastante diferente: 32% consideram a atuação ótima ou boa e 24%, ruim ou péssima.

Os números evidenciam que a imagem do Supremo também está atravessada pela polarização política brasileira.

Isso merece atenção porque o STF ocupa uma posição institucional distinta dos Poderes Executivo e Legislativo. Seus ministros não disputam eleições e têm como atribuição constitucional, entre outras funções, exercer a guarda da Constituição.

Quando a percepção sobre a Corte passa a variar tão intensamente conforme a preferência eleitoral, abre-se uma discussão importante sobre confiança institucional e sobre a forma como as decisões judiciais são percebidas pela sociedade.

Código de Ética tem mais apoio do que rejeição

Outro resultado merece destaque.

O Datafolha perguntou sobre a proposta de criação de um Código de Ética e Conduta para os ministros do STF, defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

Segundo a pesquisa, 45% são favoráveis à criação do código e 33% são contrários.

Fachin já havia anunciado a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta e defendido publicamente a discussão sobre padrões de conduta no tribunal.

Independentemente das divergências sobre o conteúdo que um eventual código deveria possuir, o resultado mostra que a discussão encontra respaldo em uma parcela significativa dos entrevistados.

Supremo também entra na percepção sobre a eleição

O levantamento foi além e perguntou aos entrevistados sobre os efeitos da atuação dos ministros sobre as candidaturas presidenciais.

Segundo os dados divulgados, 33% entendem que a atuação dos ministros mais prejudica do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Em relação a Lula, 23% dizem que a atuação da Corte mais prejudica do que beneficia o candidato petista.

É importante observar que esses percentuais representam a percepção dos entrevistados, e não uma conclusão do Datafolha de que o Supremo efetivamente esteja agindo para favorecer ou prejudicar determinada candidatura.

Essa distinção é fundamental.

Ainda assim, o simples fato de uma parcela do eleitorado enxergar as decisões do tribunal através dessa lente política já constitui um problema relevante de percepção institucional.

O alerta que vem das ruas

Tribunais constitucionais não existem para tomar decisões de acordo com pesquisas de popularidade.

Ministros também não podem decidir processos pensando em índices de aprovação ou reprovação.

Mas isso não significa que uma instituição pública deva simplesmente desprezar sinais de perda de confiança da sociedade.

Quando 47% avaliam negativamente a atuação dos ministros e apenas 18% positivamente, existe uma mensagem institucional que merece ser examinada.

Transparência, fundamentação das decisões, previsibilidade jurídica, regras claras de impedimento e suspeição e parâmetros públicos de conduta são temas legítimos numa democracia.

Criticar decisões do Supremo também faz parte da liberdade democrática. Assim como é necessário reconhecer que decisões judiciais impopulares não são, apenas por serem impopulares, juridicamente erradas.

É justamente essa separação entre crítica política, percepção pública e análise jurídica que permite um debate sério sobre o papel da Corte.

Pesquisa ouviu 2.002 eleitores

O levantamento do Datafolha foi realizado com 2.002 eleitores, em abordagem presencial, nos dias 22 e 23 de setembro.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela Globo.

E um dado que não pode faltar na publicação:

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00304/2026.

O levantamento também mediu a corrida presidencial e outros aspectos do cenário político. Como toda pesquisa, representa a opinião dos entrevistados no período da coleta e não deve ser interpretado como previsão de acontecimentos futuros.

Uma crise de imagem que o STF terá de enfrentar

Os números não dizem que 47% dos brasileiros rejeitam a existência do Supremo, nem que concordam sobre as razões de sua avaliação negativa.

Dizem algo mais específico: 47% dos entrevistados pelo Datafolha classificaram a atuação dos ministros como ruim ou péssima.

Ainda assim, para uma instituição situada no centro de algumas das decisões mais relevantes do país, é um resultado expressivo.

O STF continuará tendo a obrigação constitucional de decidir processos independentemente de aplausos ou vaias. Mas confiança institucional também é um patrimônio democrático.

E a fotografia apresentada pelo Datafolha deixa uma questão que ultrapassa direita e esquerda: como uma Corte que não depende do voto popular pode preservar sua independência e, ao mesmo tempo, fortalecer perante a sociedade a percepção de imparcialidade, transparência e segurança jurídica?

A resposta não virá das urnas. Mas os 47% de avaliação negativa mostram que essa discussão está longe de terminar.

Da redação….

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