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Cinco candidatos e um alvo: Celina

Enquanto os adversários concentraram ataques na governadora, candidata à reeleição manteve agenda de governo e evitou o que seus aliados classificam como uma tentativa de transformar o debate em uma arena de desgaste político

A ausência da governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) no debate promovido pela Record Brasília acabou produzindo um efeito curioso: o encontro que deveria servir para comparar propostas terminou dominado por críticas dirigidas justamente a quem não estava no palco.

Oficialmente, a campanha informou que Celina permaneceu cumprindo compromissos inerentes ao cargo de governadora. A justificativa foi divulgada por sua assessoria poucas horas antes do início do programa.

Mas, olhando para o contexto da disputa, a decisão também pode ser interpretada como uma escolha estratégica.

A apenas 13 dias do primeiro turno, Celina chega à reta final ocupando uma posição confortável nas pesquisas. O levantamento Igape/Record, divulgado na véspera do debate, colocou a governadora com 41,5% das intenções de voto, muito à frente de José Roberto Arruda (16,3%) e Leandro Grass (15,8%), registro número DF-09868/2026.

Nesse cenário, participar de um debate em que cinco adversários dividem o mesmo palco poderia significar abrir espaço para um tipo de confronto que pouco acrescentaria ao eleitor.

O alvo parecia ter nome

Quem acompanhou o debate percebeu rapidamente uma característica marcante. Mesmo sem Celina presente, seu nome permaneceu no centro das discussões durante boa parte do programa.

José Roberto Arruda, Ricardo Cappelli, Leandro Grass, Paula Belmonte e Kiko Caputo direcionaram críticas à governadora, questionando sua ausência e levantando temas relacionados à administração do Distrito Federal.

Em vez de um confronto equilibrado entre seis projetos para o DF, o debate assumiu, em diversos momentos, a aparência de um embate coletivo contra a candidata que lidera a corrida eleitoral.

Essa leitura também apareceu em análises publicadas após o programa, que apontaram um ambiente em que os ataques à líder das pesquisas acabaram ocupando mais espaço do que a apresentação de propostas inéditas.

Enquanto isso, Celina permaneceu na agenda oficial

A campanha da governadora aposta em outro discurso.

A mensagem transmitida ao eleitor é a de que Celina continua dividindo seu tempo entre as funções administrativas e a campanha.

Nos últimos dias, a candidata participou de agendas relacionadas à saúde, infraestrutura, educação, segurança pública e programas sociais, procurando reforçar a imagem de quem continua governando enquanto disputa a reeleição.

Esse posicionamento ajuda a explicar por que seus aliados defendem que ela não precisava entrar em um ambiente que, na avaliação deles, já tinha um roteiro previsível.

A lógica é simples.

Quem lidera com mais de 40% das intenções de voto teria mais a perder do que a ganhar em um debate cujo incentivo político dos adversários seria concentrar ataques sobre a primeira colocada.

Propostas ou desgaste?

Existe uma crítica recorrente às campanhas modernas.

Cada vez mais, debates deixam de ser espaços para explicar projetos e passam a funcionar como arenas de cortes para redes sociais. Frases de efeito, acusações, interrupções, vídeos de poucos segundos.

É justamente essa transformação que ajuda a entender a leitura feita por aliados de Celina.

Na avaliação desse grupo, o debate da Record acabou confirmando um problema já observado em outros confrontos da campanha: a tentativa de transformar a candidata que lidera as pesquisas no alvo preferencial dos adversários.

Isso não significa que críticas à gestão sejam ilegítimas, ao contrário. Questionar ações do governo faz parte do processo democrático.

O ponto levantado pelos aliados da governadora é outro: quando praticamente todos concentram suas investidas sobre um único candidato, sobra menos tempo para que o eleitor compare projetos concretos entre os próprios adversários.

O cálculo de quem lidera

A decisão de faltar a debates sempre produz críticas.

Os próprios adversários aproveitaram a ausência para afirmar que Celina estaria evitando o confronto direto.

Mas existe também um cálculo político conhecido em campanhas eleitorais.

Candidatos que chegam à reta final com ampla vantagem frequentemente escolhem com mais cuidado os ambientes em que pretendem se expor.

A justificativa oficial permanece sendo o exercício das funções de governadora.

Politicamente, porém, a ausência também impede que a campanha adversária consiga produzir um confronto direto capaz de gerar imagens, frases ou episódios de grande repercussão.

A resposta virá nas urnas

Enquanto os cinco candidatos dividiram o palco da Record, Celina permaneceu fora do debate.

Os adversários tentaram transformar a ausência em argumento eleitoral.

Seus aliados sustentam exatamente a tese oposta: de que a governadora recusou participar de uma disputa que já chegava, segundo essa leitura, com um alvo previamente definido.

O eleitor fará sua própria avaliação sobre essa estratégia.

Mas um dado permanece incontestável: na véspera do debate, Celina apareceu isolada na liderança da pesquisa Igape/Record, com 41,5% das intenções de voto, enquanto seus principais adversários permaneciam mais de 25 pontos atrás.

Se a ausência foi apenas consequência da agenda oficial ou também uma aposta calculada para não participar de um palco de ataques coordenados é uma interpretação política.

A resposta definitiva, como sempre acontece em campanhas eleitorais, será dada nas urnas no próximo dia 4 de outubro.

Da redação…

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