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Ex-marqueteiro faz projeção e aponta cenário favorável a Flávio Bolsonaro na reta final da eleição

Segundo Eduardo Fischer, eventual migração de votos de candidatos de direita e centro-direita poderia alterar o resultado do segundo turno, mas cenário segue em disputa acirrada

A poucos dias da eleição presidencial de 2026, uma análise apresentada pelo publicitário Eduardo Fischer, ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), passou a repercutir no meio político ao apontar um cenário que, na avaliação dele, poderia levar o senador à vitória no segundo turno.

A projeção foi divulgada durante entrevista ao programa VEJA em Foco e tem como ponto de partida os números da pesquisa Datafolha divulgada nesta semana. O levantamento mostra uma disputa extremamente equilibrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, com diferença dentro da margem de erro em eventual segundo turno.

Segundo Fischer, o elemento mais importante da reta final não seria apenas o eleitorado já consolidado de cada candidato, mas principalmente o destino dos votos destinados aos concorrentes que representam campos ideológicos próximos ao bolsonarismo e ao centro-direita.

Na leitura do publicitário, aproximadamente 15% dos eleitores atualmente distribuídos entre outros candidatos poderiam se tornar decisivos na definição da disputa. A hipótese levantada por ele considera que cerca de 70% desse contingente migraria para Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, criando uma vantagem matemática suficiente para ultrapassar o adversário petista. Trata-se, entretanto, de uma simulação baseada em comportamento eleitoral presumido, e não de um resultado de pesquisa.

A análise de Fischer parte justamente da lógica tradicional das eleições de dois turnos: quando candidatos menores deixam a disputa, seus eleitores precisam escolher entre os dois finalistas, votar em branco ou simplesmente se abster. É essa redistribuição de votos que, segundo ele, poderia favorecer o senador do PL. O raciocínio ganhou repercussão porque acontece em um momento em que as principais pesquisas nacionais apontam um quadro de grande equilíbrio.

O Datafolha divulgado em 17 de setembro mostrou Lula com 39% e Flávio com 36% no primeiro turno, enquanto, na simulação de segundo turno, o presidente aparece com 46% contra 44% do senador — diferença considerada empate técnico pela margem de erro de dois pontos percentuais.

Outros levantamentos recentes também registraram uma disputa apertada, embora com variações entre os institutos. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana apontou Flávio numericamente à frente de Lula por 42% a 40% no segundo turno, igualmente dentro da margem de erro, enquanto outros estudos mantêm o cenário de empate técnico. Esses números reforçam que a eleição permanece aberta e sujeita à movimentação dos eleitores até a votação.

Além da transferência de votos, outro fator observado por analistas políticos é o comportamento dos indecisos, das abstenções e da rejeição dos candidatos, elementos que historicamente exercem influência significativa em eleições polarizadas. No caso de 2026, pesquisas recentes mostram que tanto Lula quanto Flávio possuem eleitorados fortemente consolidados, tornando a conquista dos votos restantes um dos principais desafios das campanhas.

A projeção apresentada por Eduardo Fischer, portanto, deve ser compreendida como uma interpretação estratégica baseada em uma possível migração de eleitores e não como uma garantia de resultado. Até o momento, os levantamentos divulgados pelos principais institutos indicam uma corrida presidencial altamente competitiva, sem um desfecho definido pelas pesquisas.

Na prática, a tese defendida pelo ex-marqueteiro reforça um debate que deve dominar os últimos dias da campanha: para onde irão os votos dos candidatos que ficarem fora do segundo turno e qual será a capacidade de Lula e Flávio Bolsonaro de conquistar esse eleitorado decisivo.

A resposta somente será conhecida nas urnas, mas as projeções e estratégias já demonstram a intensidade de uma das disputas presidenciais mais equilibradas dos últimos anos.

Da redação com informações VEJA ONLINE

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