O pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, passou a enfrentar forte desgaste dentro de setores da direita após endurecer o discurso contra Flávio Bolsonaro. Para aliados do senador e parte do eleitorado conservador, Zema estaria adotando uma postura considerada oportunista e contraditória, colocando em risco não apenas sua imagem política, mas também a identidade do próprio Novo, partido que cresceu justamente apoiado pelo eleitorado antipetista e conservador.
Nos últimos dias, Zema fez declarações que repercutiram negativamente entre apoiadores do bolsonarismo. A principal delas foi a afirmação de que “quem está votando no Flávio, muito provavelmente, vai estar entregando a eleição para o Lula”. A fala ocorreu após divulgação de pesquisas eleitorais e em meio às polêmicas envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.
A crítica foi vista por setores da oposição ao governo Lula como um “tiro no pé”, principalmente porque Zema vinha sendo tratado como um possível aliado estratégico da direita em 2026. Para muitos conservadores, ao invés de fortalecer a união contra o PT, o ex-governador mineiro passou a atuar como linha auxiliar de ataques internos, contribuindo para a fragmentação do campo conservador.
Além disso, Zema também afirmou que a aproximação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro seria um “mau sinal” e utilizou expressões duras ao comentar o caso. Em outra declaração que gerou forte repercussão, disse que “gambá cheira a gambá”, ao se referir indiretamente à relação entre o senador e o banqueiro.
As falas provocaram reação imediata em redes sociais, principalmente entre apoiadores de Jair Bolsonaro, que passaram a acusar Zema de abandonar o discurso de união da direita para tentar ocupar sozinho um espaço eleitoral. Críticos também lembram que o próprio governador mineiro construiu parte de sua trajetória política surfando na onda bolsonarista em 2018 e 2022, quando buscou aproximação com o eleitorado conservador e antipetista.
Outra declaração recente que ampliou as críticas veio quando Zema afirmou que sua “missão na Terra é acabar com o PT”, ao mesmo tempo em que atacava possíveis aliados da própria direita. A contradição passou a ser explorada por adversários políticos, que apontam incoerência entre o discurso de combate à esquerda e os ataques públicos a nomes do mesmo campo ideológico.
O ex-governador também vem tentando se apresentar como uma alternativa independente ao bolsonarismo, chegando a declarar que não utilizou “nome de família” para crescer politicamente e que seria um “outsider”. A estratégia, porém, vem dividindo opiniões até mesmo dentro do Novo, onde integrantes temem que o partido perca identidade ao entrar numa guerra direta contra figuras que ainda possuem enorme força popular entre conservadores.
Além das críticas a Flávio Bolsonaro, Zema voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal e o Partido dos Trabalhadores, defendendo mudanças na Suprema Corte e afirmando que pretende promover um “choque de ética e credibilidade” no país.
Nos bastidores, analistas avaliam que o movimento de Zema tenta consolidá-lo como uma espécie de “terceira via” da direita, distante tanto do PT quanto do núcleo bolsonarista. No entanto, para parte da oposição ao governo Lula, o discurso adotado pelo ex-governador pode acabar tendo efeito contrário: enfraquecer o campo conservador e ampliar ainda mais as divisões internas às vésperas de uma eleição considerada decisiva para o futuro político do país.
Da redação por Jorge Poliglota…



