Partido Missão questiona publicação com o termo “imbeCIS”; deputada diz que se referia a pessoas transfóbicas
Por 10 votos a 5, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados decidiu, nesta terça-feira (11.ago.2026), dar continuidade ao processo que pode resultar na cassação do mandato da deputada Erika Hilton (Psol-SP).
A denúncia foi protocolada pelo Partido Missão, por meio da representação nº 8 de 2026, sob a alegação de quebra de decoro parlamentar. O colegiado agora seguirá analisando o caso nas próximas semanas.
A origem da controvérsia está em publicações feitas pela parlamentar na rede social X. No parecer que embasou a votação, o relator Cabo Gilberto Silva (PL-PB) sustentou que Hilton teria atacado verbalmente colegas que se posicionaram contra sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres.
O trecho mais contestado pelo partido autor da representação é de uma postagem feita por Hilton em março deste ano, na qual ela afirmou não se importar com a reação de “transfóbicos e imbeCIS” à sua eleição.
O Partido Missão também aponta que, na mesma publicação, a expressão “podem espernear, podem latir” teria sido dirigida às mulheres cisgênero — ou seja, aquelas cuja identidade de gênero coincide com o sexo atribuído no nascimento —, o que classificou como uma ofensa que as rebaixaria a uma condição animalesca.
Parecer favorável
Responsável pelo parecer preliminar que venceu a votação, Cabo Gilberto Silva defendeu que o mandato parlamentar não blinda um deputado de sanções internas por eventuais excessos verbais.
Segundo ele, cabe à própria Casa avaliar se houve abuso no uso da palavra e aplicar a penalidade que considerar adequada, mesmo havendo imunidade parlamentar.
Defesa
Em sua defesa prévia ao colegiado, Erika Hilton solicitou o arquivamento total do processo, classificando a representação como uma tentativa de perseguição política por parte da oposição.
A parlamentar argumentou que o termo “imbeCIS” não se referia às mulheres cisgênero como grupo, mas especificamente a pessoas com discurso transfóbico. Já a expressão sobre “latir” teria sido endereçada a seus adversários políticos, e não a mulheres em geral.
A defesa também pediu a substituição do relator, alegando falta de imparcialidade de Cabo Gilberto Silva, que já havia assinado um projeto de resolução reservando cargos na Mesa da Comissão da Mulher exclusivamente a deputadas mulheres.
O presidente do Conselho de Ética, Fabio Schiochet (União Brasil-SC), negou o pedido, entendendo que a apresentação de projetos legislativos não configura pré-julgamento de conduta individual.
Durante a sessão, os deputados Chico Alencar (Psol-RJ), Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) e Maria do Rosário (PT-RS) saíram em defesa de Hilton, reforçando que as declarações não miravam mulheres cisgênero, e sim grupos que praticavam transfobia e racismo contra a parlamentar.
Próximas etapas
Com a aprovação do prosseguimento, Erika Hilton será formalmente notificada e terá 10 dias úteis para apresentar defesa escrita, podendo indicar provas e arrolar até 8 testemunhas.
Depois dessa etapa, o relator abre a fase de produção de provas e elabora o parecer final, que será submetido a votação nominal pelo colegiado. O rito completo tem prazo de até 40 dias úteis para ser concluído.
Caso o Conselho de Ética aprove a cassação ao final do processo, a decisão ainda precisa ser referendada pelo plenário da Câmara dos Deputados para produzir efeito — etapa que costuma concentrar a maior repercussão pública em casos como este.
Informações Folha da Política




