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Saída de Arruda muda eleição e coloca Celina mais perto da disputa pelo 1º turno

Datafolha mostra governadora com 42% no cenário sem o ex-governador, 19 pontos à frente de Leandro Grass; decisão do TSE abre nova batalha pelos eleitores que ainda pretendiam votar em Arruda

A corrida pelo Governo do Distrito Federal sofreu uma mudança importante nesta quinta-feira (24). Horas depois de o Tribunal Superior Eleitoral manter o indeferimento da candidatura de José Roberto Arruda (PSD), uma nova pesquisa Datafolha mostrou a governadora Celina Leão (PP) com 42% das intenções de voto no cenário sem o ex-governador.

Leandro Grass (PT) aparece em segundo lugar, com 23%, seguido por Paula Belmonte (PSDB), com 7%, Ricardo Cappelli (PSB), com 5%, e Kiko Caputo (Novo), com 3%. Os demais candidatos registram percentuais menores.

A diferença nominal entre Celina e Grass chega, portanto, a 19 pontos percentuais.

O levantamento foi realizado pelo Datafolha entre 22 e 24 de setembro, com 910 eleitores do Distrito Federal. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrada na Justiça Eleitoral sob os números DF-01888/2026 e BR-06769/2026.

TSE tira Arruda da disputa por 5 votos a 2

A divulgação da pesquisa ganha dimensão ainda maior porque ocorreu no mesmo dia em que o TSE decidiu o futuro eleitoral de Arruda.

Por 5 votos a 2, a Corte manteve a decisão do TRE-DF que havia indeferido o registro do ex-governador.

Prevaleceu o voto do relator, ministro Dias Toffoli. Acompanharam o relator Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha ficaram vencidos.

O TSE determinou a comunicação imediata ao TRE-DF para que Arruda deixe a condição de candidato sub judice. Com isso, ele deve cessar a campanha, inclusive a participação em debates e as inserções eleitorais no rádio e na televisão, além de não poder mais receber recursos dos fundos eleitoral e partidário.

A decisão altera profundamente o cenário político porque Arruda ainda concentrava uma parcela significativa das intenções de voto.

Com Arruda, Celina tem 37%. Sem ele, chega a 42%

O próprio Datafolha ajuda a dimensionar o impacto.

Como a situação jurídica de Arruda ainda estava indefinida durante parte da coleta, o instituto apresentou aos entrevistados dois cenários.

Com Arruda:

  • Celina Leão: 37%
  • Leandro Grass: 21%
  • José Roberto Arruda: 18%

No cenário que agora ganha maior relevância depois da decisão do TSE, sem Arruda, Celina sobe para 42%, enquanto Grass chega a 23% e Paula Belmonte registra 7%.

Isso mostra que a retirada do ex-governador modifica a distribuição das intenções de voto, mas não autoriza concluir que todos os seus eleitores migrarão para Celina. Cada eleitor poderá escolher outro candidato, votar branco ou nulo ou, inclusive, votar em Arruda mesmo com o registro indeferido.

Primeiro turno passa a ser uma questão central

É justamente aqui que aparece a grande pergunta desta reta final: Celina poderá vencer no primeiro turno?

Os números colocam essa hipótese no debate, mas ainda não permitem tratá-la como resultado definido.

Para ser eleita em primeiro turno, Celina precisa conquistar mais da metade dos votos válidos depositados para governador. Brancos e nulos ficam fora desse cálculo.

Portanto, seus 42% sobre o total pesquisado não podem ser simplesmente comparados aos 50% necessários.

Por outro lado, a distância para os adversários e a retirada de Arruda criam um cenário no qual o comportamento dos eleitores do ex-governador e dos indecisos pode ser determinante.

Uma pesquisa anterior do próprio Datafolha ajuda a compreender por que essa possibilidade já vinha sendo discutida. No levantamento realizado entre 8 e 10 de setembro, Celina aparecia, no cenário sem Arruda, com 54% dos votos válidos, contra 23% de Grass e 10% de Paula. A pesquisa anterior tinha os registros DF-06055/2026 e BR-04623/2026.

Isso não significa que o percentual atual seja necessariamente o mesmo, pois são levantamentos realizados em momentos diferentes.

Mas demonstra que o patamar necessário para uma decisão em primeiro turno já apareceu em pesquisa recente quando Arruda é retirado do cenário.

Os votos de Arruda viram o grande prêmio da reta final

Com a decisão do TSE, uma das maiores disputas dos próximos dias deverá ocorrer justamente em torno do eleitor que pretendia votar no ex-governador.

Na pesquisa anterior do Datafolha, quando Arruda era retirado das opções, 34% de seus eleitores migravam para Celina, 15% para Grass e 11% para Paula Belmonte; outros 18% optavam por branco ou nulo.

São dados daquele levantamento, realizado no início de setembro, e não uma garantia de que o comportamento será idêntico agora.

A própria Celina declarou nesta quinta-feira, depois da decisão do TSE, que sua campanha pretende disputar esses votos.

Grass, Paula e os demais candidatos naturalmente também têm interesse nesse eleitorado.

É aí que pode estar uma das chaves para saber se haverá ou não segundo turno.

Arruda continuará aparecendo na urna, mas voto será nulo

Existe ainda uma situação que exigirá atenção especial do eleitor.

Embora o TSE tenha mantido o registro de Arruda indeferido, seu nome e sua fotografia continuarão aparecendo na urna eletrônica, porque os dados das candidaturas já haviam sido fechados e o processo de carga e lacração das urnas foi iniciado.

O TRE-DF esclareceu oficialmente nesta quinta-feira que eventual voto registrado para Arruda será computado como nulo para o cargo de governador. Os votos desse mesmo eleitor para os demais cargos continuarão normalmente válidos.

Essa informação poderá ter efeito relevante na reta final, principalmente porque parte dos eleitores pode não estar informada sobre as consequências da decisão judicial.

Celina mantém ampla dianteira, mas reta final será decisiva

A fotografia oferecida pelo Datafolha desta quinta-feira é bastante clara em um aspecto: sem Arruda na disputa, Celina Leão mantém uma liderança expressiva.

São 42% para a governadora contra 23% de Grass — diferença de 19 pontos.

Mas a questão mais importante agora não é apenas quem ocupa o primeiro lugar.

É saber quanto Celina conseguirá avançar entre os votos válidos depois da retirada definitiva de um candidato que ainda registrava 18% no cenário em que seu nome era apresentado aos entrevistados.

Se uma parcela significativa desse eleitorado migrar para a governadora, a possibilidade de alcançar a maioria absoluta dos votos válidos aumenta. Se esses votos se distribuírem entre Grass, Paula, outros candidatos, brancos e nulos, a configuração poderá ser diferente.

Pesquisa eleitoral é uma fotografia do período em que foi realizada, não uma previsão do resultado das urnas.

O que os números permitem afirmar neste momento é que Celina chega aos últimos dias da campanha com ampla vantagem no cenário sem Arruda e com a possibilidade de uma definição no primeiro turno fazendo parte, de maneira concreta, da disputa eleitoral do DF. A confirmação, entretanto, dependerá exclusivamente dos votos válidos depositados nas urnas em 4 de outubro.

Da redação por Jorge Poliglota…

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