A estratégia de desgaste contra a governadora Celina Leão (PP) parece, até aqui, não ter produzido o resultado esperado por seus adversários. Pelo contrário: em meio à intensificação das críticas e ataques políticos, Celina cresceu dez pontos percentuais e abriu uma vantagem expressiva na disputa pelo Governo do Distrito Federal.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 11 de setembro, mostra Celina com 40% das intenções de voto, contra 17% de José Roberto Arruda (PSD) e 16% de Leandro Grass (PT). Paula Belmonte (PSDB) aparece com 6%, enquanto Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo) registram 3% cada.
O levantamento foi realizado entre os dias 8 e 11 de setembro, com 910 eleitores do Distrito Federal. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa, contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, está registrada na Justiça Eleitoral sob os números DF-06055/2026 e BR-04623/2026.
De 30% para 40% em apenas três semanas
Mais importante que a fotografia atual é observar o movimento ocorrido entre as duas pesquisas.
No Datafolha divulgado em 21 de agosto, Celina aparecia com 30%, enquanto Arruda registrava 28% e Leandro Grass, 11%. Agora, a governadora saltou para 40%. Arruda recuou para 17%, enquanto Grass avançou para 16%.
Ou seja: Celina ganhou dez pontos percentuais entre uma rodada e outra.
É um crescimento que chama atenção principalmente porque ocorre justamente durante um período de forte pressão política sobre sua candidatura e seu governo.
Nos últimos dias, adversários têm explorado especialmente a crise envolvendo o BRB e o Banco Master na tentativa de associar politicamente Celina às decisões tomadas durante a gestão anterior de Ibaneis Rocha.
A governadora, por sua vez, declarou durante o debate da Band que foi contrária à aquisição do Banco Master pelo BRB.
Nesse contexto, embora não seja possível afirmar cientificamente que os ataques causaram seu crescimento, os números permitem uma constatação política: até agora, a ofensiva dos adversários não conseguiu derrubar Celina.
E mais: durante o período em que esteve sob pressão, ela cresceu.
Ataques podem estar provocando efeito contrário
Na política, existe uma velha máxima: atacar excessivamente um adversário pode acabar fortalecendo justamente quem se pretendia enfraquecer.
É possível que algo semelhante esteja acontecendo no Distrito Federal.
A insistência de setores da oposição em concentrar ataques sobre Celina pode estar reforçando sua condição de principal candidata da disputa. Quanto mais seus adversários direcionam suas baterias contra a governadora, mais deixam evidente ao eleitor quem ocupa a posição de favorita.
Os dados do Datafolha não permitem afirmar que exista uma ação “orquestrada” entre os diferentes adversários nem estabelecer relação de causa e efeito entre ataques e crescimento eleitoral. Mas permitem observar que a tentativa de desgaste, seja coordenada ou simplesmente convergente, não impediu Celina de avançar dez pontos.
O eleitor parece estar fazendo sua própria avaliação.
Celina também cresce na espontânea
Existe outro dado particularmente importante para a campanha.
Na pesquisa espontânea — aquela em que o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos — Celina chegou a 30%, contra 21% registrados em agosto.
Arruda aparece com 11%, praticamente estável diante dos 12% anteriores. Grass também alcançou 11%, depois de registrar 6% na rodada passada.
Esse indicador merece atenção porque mede a lembrança espontânea do eleitor.
Celina não apenas lidera quando os candidatos são apresentados: seu nome também é, com ampla vantagem, o mais lembrado espontaneamente para o Palácio do Buriti.
Sem Arruda, Celina chega a 54% dos votos válidos
A situação fica ainda mais favorável à governadora quando o Datafolha testa um cenário sem José Roberto Arruda, cujo registro de candidatura foi indeferido por unanimidade pelo TRE-DF em 3 de setembro e que busca reverter a decisão no TSE.
Sem Arruda na lista, Celina alcança 45% das intenções de voto, contra 19% de Leandro Grass e 8% de Paula Belmonte.
Quando são considerados somente os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, Celina chega a 54% nesse cenário.
Esse percentual, caso se reproduzisse nas urnas, seria suficiente para uma vitória no primeiro turno.
Mesmo com Arruda incluído, Celina alcança 45% dos votos válidos, enquanto Arruda e Grass aparecem com 19% cada.
Segundo turno mostra vantagem ainda maior
As simulações de segundo turno também apresentam um quadro confortável para Celina.
Contra Arruda, a governadora venceria por 51% a 34%.
Diante de Leandro Grass, a diferença seria ainda maior: 56% para Celina contra 30% do candidato petista.
São diferenças que mostram que a liderança não está restrita apenas ao cenário de primeiro turno.
Aprovação da governadora também melhora
Talvez o dado que mais dificulte a narrativa de desgaste seja a avaliação da própria administração.
A aprovação ao trabalho de Celina passou de 47% para 55% entre agosto e setembro. Ao mesmo tempo, a desaprovação caiu de 44% para 37%.
A avaliação positiva — ótimo ou bom — também cresceu: passou de 24% para 33%. Já aqueles que consideram o governo ruim ou péssimo diminuíram de 32% para 26%.
Portanto, não é apenas a intenção de voto que avançou.
A percepção sobre a gestão também melhorou.
A oposição atacou, mas Celina cresceu
Pesquisa eleitoral é uma fotografia do momento e não uma previsão do resultado das urnas. Faltam semanas de campanha, debates, propaganda eleitoral e acontecimentos capazes de alterar o cenário.
Mas a fotografia desta sexta-feira é bastante clara.
Celina Leão lidera com 40%.
Tem mais que o dobro da intenção de voto de seus dois adversários mais próximos individualmente. Cresceu dez pontos desde agosto, aumentou sua votação espontânea e melhorou a aprovação de seu governo.
E, no cenário sem Arruda, ultrapassa a barreira dos 50% dos votos válidos.
Para uma candidata que vem sendo alvo de uma intensa ofensiva política, o resultado provoca uma pergunta inevitável aos adversários: “os ataques estão enfraquecendo Celina ou ajudando a fortalecê-la?”
O Datafolha não responde à causa. Mas apresenta o resultado.
E, por enquanto, o resultado é que, quanto mais a temperatura da campanha aumenta, mais Celina Leão se distancia dos adversários na corrida pelo Palácio do Buriti.
Da redação por Jorge Poliglota…




