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O vídeo da discórdia: Ao “barrar” blogs e mídia alternativa em Convenção do PL, Bia Kicis erra o alvo e causa mal estar entre aliados

Acostumada a campanha eleitoral com cobertura a nível nacional, a presidente do Diretório Regional do PL no DF, Deputada Federal Bia Kicis, candidata ao senado pelo Distrito Federal, acabou causando um mal-estar entre seus próprios aliados ao usar da seletividade para com a imprensa local na cobertura da convenção de seu partido

A convenção do Partido Liberal (PL), realizada ontem (02) no Parque da Cidade em Brasília serviu para oficializar as candidaturas de Michelle Bolsonaro e da própria Bia Kicis ao Senado Federal pelo Distrito Federal, mas também acabou gerando questionamentos sobre a política de credenciamento adotada para a cobertura do evento.

Segundo relatos de profissionais presentes, Bia Kicis determinou que apenas representantes dos principais veículos de comunicação do DF e de grande circulação tivessem autorização para adentrarem ao evento, acessar a área do palco e realizar a cobertura mais próxima das lideranças do partido. Blogs, portais de notícias locais e veículos independentes teriam permanecido sem o mesmo acesso, tudo por ordem da deputada Bia Kicis, Presidente do Diretório Regional do Partido no DF.

Ao tomar conhecimento do fato, o deputado distrital Thiago Manzoni, que faz parte da executiva do partido, reagiu de imediato e ameaçou deixar o evento.

Sem justificativa

Independentemente das justificativas de organização e segurança que possam existir em eventos dessa natureza, a decisão reacende uma discussão importante sobre a relação entre agentes públicos, candidatos e a imprensa em suas diferentes formas de atuação.

A imprensa alternativa e regional desempenha um papel cada vez mais relevante na cobertura diária dos acontecimentos políticos, especialmente no Distrito Federal. São esses veículos que acompanham sessões legislativas, agendas públicas, entrevistas, inaugurações e atos oficiais durante todo o ano, muitas vezes com maior frequência do que os grandes conglomerados de comunicação. Em um cenário em que a informação circula em tempo real, blogs e portais digitais alcançam milhares de leitores diariamente, praticamente online e exercem função reconhecida no ecossistema da comunicação.

Por essa razão, critérios de credenciamento que resultem em tratamento diferenciado entre veículos de comunicação podem gerar questionamentos sobre a observância do princípio da isonomia no relacionamento com a imprensa. O acesso privilegiado de determinados grupos, quando não acompanhado de critérios públicos e transparentes, tende a alimentar a percepção de exclusão de parte da mídia que cobre regularmente a atividade política local.

Também chama atenção o fato de a convenção ocorrer em um contexto de interesse público. Eventos partidários dessa natureza, sobretudo durante o período eleitoral, envolvem candidatos, dirigentes e temas de evidente relevância para a sociedade. Quanto maior a transparência e a abertura à cobertura jornalística, maior tende a ser a confiança do público e do eleitorado no processo democrático.

O episódio serve como oportunidade para uma reflexão mais ampla: fortalecer a democracia também significa reconhecer a importância da diversidade dos meios de comunicação. Grandes redes nacionais possuem papel inegável na cobertura política, mas a imprensa regional e independente igualmente cumpre uma função essencial ao informar a população sobre os fatos que impactam diretamente sua realidade.

Candidata com seletividade?

No caso específico de uma candidata ao Senado Federal e presidente do diretório regional de seu partido pelo DF, Bia deveria, no mínimo, manter uma relação institucional aberta e cordial com toda a imprensa profissional local, independentemente do porte do veículo. A pluralidade da comunicação é um dos pilares da democracia e pressupõe que jornalistas de diferentes empresas tenham condições razoáveis de exercer seu trabalho.

Nos bastidores e nas redes sociais a ação de Bia Kicis não foi bem recebida, já que críticas e questionamentos foram feitos e para quem precisa de votos de toda sociedade brasiliense limitar a seletividade da comunicação pegou muito mal.

Aliás, e ao que parece, a seletividade da deputada ficou demonstrada em um vídeo (Abaixo) postado em seu Instagran onde, supostamente, apoia um de seus ex-assessores diretos, Evandro Araújo, a uma cadeira distrital no DF. Fontes internas ligadas à cúpula do partido confidenciaram ao portal que alguns candidatos não ficaram nada satisfeitos, afinal, que acesso terão a presidente do diretório e candidata ao senado quando ela mesma já demonstrou “seletividade” e apoio a um pupilo seu?

Em tempos de comunicação digital, e principalmente eleições nacionais, tratar de forma equilibrada todos os segmentos da imprensa representa não apenas um gesto de respeito aos profissionais da informação, mas também ao direito da sociedade de receber informações por diferentes fontes e perspectivas.

Bola fora da candidata.

Da redação por Jorge Poliglota (Editor-chefe do Portal Opinião Brasília)

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