A campanha de José Roberto Arruda (PSD) ao Governo do Distrito Federal enfrenta um novo e preocupante capítulo justamente na reta decisiva das eleições. A debandada de candidatos do Avante, partido que até então integrava sua aliança política, expõe dificuldades internas e ocorre no momento em que o ex-governador também perde espaço sucessivamente nas pesquisas eleitorais.
Segundo informações publicadas pelo Radar DF, candidatos a deputado distrital e federal do Avante decidiram romper o apoio a Arruda e passaram a sinalizar aproximação com o grupo político da governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição.
A movimentação teria duas razões principais.
A primeira envolve recursos para as campanhas proporcionais. De acordo com a publicação, havia expectativa entre candidatos do Avante de receber apoio financeiro do PSD para fortalecer suas campanhas à Câmara Legislativa e à Câmara dos Deputados. Os repasses esperados, entretanto, não teriam ocorrido como previsto.
O segundo problema é ainda mais delicado: a situação jurídica de Arruda. Seu registro de candidatura foi indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, embora o candidato tenha recorrido e possa continuar realizando atos de campanha enquanto não houver decisão definitiva.
Para candidatos proporcionais, que precisam conquistar votos para garantir a própria sobrevivência política, permanecer vinculados a uma candidatura majoritária cercada de incertezas jurídicas passa a representar um risco cada vez maior.
Mas existe outro componente que torna a situação de Arruda ainda mais complicada: as pesquisas eleitorais.
Arruda perde força enquanto Celina avança
Os levantamentos mais recentes mostram uma tendência desfavorável ao ex-governador.
O exemplo mais contundente veio do Datafolha divulgado em 11 de setembro. Celina Leão alcançou 40% das intenções de voto, enquanto Arruda apareceu com apenas 17%.
A comparação com a rodada anterior chama ainda mais atenção. Celina tinha 30% e ganhou dez pontos. Arruda percorreu exatamente o caminho inverso: despencou de 28% para 17%, uma perda de 11 pontos percentuais.
O resultado fez Arruda perder inclusive a condição confortável de segundo colocado isolado. Leandro Grass (PT), com 16%, passou a disputar tecnicamente essa posição.
E não é apenas o Datafolha que registra dificuldades.
A pesquisa Quaest divulgada em 8 de setembro mostrou Celina com 35%, Arruda com 18% e Grass com 17%. Na rodada anterior da própria Quaest, Arruda possuía 20%.
O IGAPE também identificou movimento semelhante. Entre o levantamento do final de agosto e o realizado no início de setembro, Celina passou de 35,4% para 36,5%, enquanto Arruda caiu de 24,3% para 20,7%.
Já a Real Time Big Data, pesquisa registrada sob o número DF-09600/2026, colocou Celina com 35%, enquanto Arruda e Grass apareceram empatados com 20%. Em uma eventual disputa de segundo turno entre Celina e Arruda, a governadora venceria por 44% a 29%.
Ou seja: institutos diferentes, utilizando metodologias próprias, vêm mostrando um cenário no qual Celina se mantém à frente enquanto Arruda enfrenta dificuldades para recuperar terreno.
Quando os aliados começam a fazer as contas
É justamente nesse contexto que a movimentação dos candidatos do Avante ganha importância.
Uma eleição proporcional possui uma lógica bastante pragmática. Candidatos a deputado precisam de estrutura, recursos, cabos eleitorais e, principalmente, de um palanque majoritário capaz de agregar votos — e não de representar um peso adicional.
Quando integrantes de uma coligação começam a abandonar o candidato a governador faltando poucas semanas para a eleição, o movimento normalmente revela uma avaliação de custo e benefício eleitoral.
Não significa necessariamente que todos tenham aderido formalmente a outro candidato. Mas mostra que parte dos aliados já começa a fazer suas próprias contas.
E essas contas parecem estar ficando cada vez menos favoráveis a Arruda.
Problema jurídico agora encontra problema político
Durante boa parte da campanha, Arruda apostou na força de seu nome e na lembrança de suas administrações anteriores para permanecer competitivo.
O problema é que a candidatura passou a enfrentar duas batalhas simultâneas.
Uma acontece nos tribunais, onde ainda existe discussão sobre sua elegibilidade.
A outra ocorre nas urnas — e talvez seja ainda mais difícil de reverter.
Porque uma decisão judicial pode mudar de uma hora para outra. A percepção do eleitor, não.
A queda registrada nas pesquisas, somada ao crescimento de Celina Leão e agora ao afastamento de candidatos que deveriam funcionar como multiplicadores da campanha de Arruda, cria um círculo político perigoso: pesquisas ruins afastam aliados; a perda de aliados enfraquece a estrutura; uma estrutura menor dificulta a recuperação nas pesquisas.
Para Celina, ocorre justamente o movimento contrário. À medida que cresce eleitoralmente, sua candidatura tende a exercer maior poder de atração sobre lideranças e candidatos interessados em estar próximos de um projeto considerado competitivo.
A velha máxima da política
Há uma conhecida máxima segundo a qual política não aceita espaço vazio. Quando um grupo começa a perder força, outro rapidamente procura ocupar o território deixado para trás.
A debandada no Avante pode ser interpretada dentro dessa lógica.
Mais do que uma simples divergência entre partidos aliados, o episódio funciona como um novo sinal de alerta para José Roberto Arruda. O ex-governador não enfrenta apenas uma batalha jurídica para permanecer candidato. Agora precisa impedir que a percepção de enfraquecimento eleitoral contamine sua própria base política.
E, faltando poucas semanas para o primeiro turno, talvez esse seja o maior desafio de sua campanha.
Porque enquanto Arruda tenta manter unidos os aliados que ainda possui, Celina Leão avança nas pesquisas e começa a assistir a um fenômeno especialmente importante numa eleição: o movimento de quem percebe para onde o vento político está soprando.
Da redação com informações RadarDF




