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Celina dispara no DF, deixa Arruda para trás e expõe dificuldade do PT em transformar apoio de Lula em votos

Governadora saltou de 30% para 40% no Datafolha em apenas três semanas, enquanto Leandro Grass permanece distante da liderança; levantamento mais recente do Igape coloca Celina em 41,1%

A reta final da eleição para o Governo do Distrito Federal começa a apresentar um desenho bastante diferente daquele observado poucas semanas atrás. Celina Leão (PP) ampliou sua vantagem, José Roberto Arruda (PSD) perdeu terreno e Leandro Grass (PT), apesar do apoio do presidente Lula, ainda não conseguiu transformar essa aliança política em aproximação efetiva da líder da disputa.

O movimento aparece de forma particularmente clara quando se observa a evolução do Datafolha.

Na pesquisa divulgada em 21 de agosto, Celina aparecia com 30% das intenções de voto e estava tecnicamente empatada com Arruda, que tinha 28%. Grass aparecia bem atrás, com 11%.

Três semanas depois, o cenário mudou substancialmente.

Na rodada divulgada em 11 de setembro, Celina chegou a 40%, enquanto Arruda caiu para 17% e Grass alcançou 16%. A governadora, portanto, abriu 23 pontos sobre Arruda e 24 sobre o candidato petista.

O Datafolha ouviu 910 eleitores entre 8 e 11 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob os números DF-06055/2026 e BR-04623/2026.

Igape reforça vantagem de Celina

Outro levantamento divulgado posteriormente apontou movimento semelhante.

Pesquisa do Instituto Gazeta de Pesquisa (Igape), realizada entre 8 e 12 de setembro, mostrou Celina com 41,1% das intenções de voto. Arruda apareceu com 15,7% e Leandro Grass com 14%.

O levantamento ouviu presencialmente 2 mil eleitores, possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é DF-09945/2026.

A comparação com a rodada anterior do próprio instituto também chama atenção. Celina havia registrado 36,5%, Arruda 20,7% e Grass 13,8%. Na rodada seguinte, portanto, Celina ganhou 4,6 pontos, Arruda perdeu cinco e Grass oscilou apenas 0,2 ponto para cima — variação sem significado estatístico isoladamente.

É nesse ponto que aparece uma das maiores dificuldades do PT brasiliense nesta campanha.

Grass está crescendo em alguns levantamentos quando se compara períodos mais longos — no Datafolha, por exemplo, passou de 11% em agosto para 16% em setembro —, mas esse avanço ocorreu simultaneamente a um crescimento muito maior de Celina, que saltou dez pontos no mesmo instituto. Portanto, a distância entre o petista e a governadora aumentou, em vez de diminuir.

Apoio de Lula ainda não aproximou Grass da liderança

Leandro Grass conta com o apoio de Lula e procura nacionalizar parte da disputa, associando sua candidatura ao projeto político do presidente.

Até agora, entretanto, as pesquisas disponíveis não mostram essa estratégia produzindo força suficiente para colocá-lo próximo de Celina.

O problema para o PT não é apenas estar atrás. É a dimensão da distância.

O Real Time Big Data, em pesquisa realizada entre 4 e 8 de setembro e registrada sob o número DF-09600/2026, apontou Celina com 35%, enquanto Arruda e Grass tinham 20% cada. Sem Arruda na disputa, Celina avançava para 46% e Grass para 23%.

O mesmo instituto testou um eventual segundo turno entre Celina e Grass: a governadora aparecia com 50%, contra 32% do petista.

O Datafolha encontrou diferença ainda maior: 56% para Celina e 30% para Grass em uma eventual segunda rodada.

Esses números ajudam a dimensionar o desafio petista no Distrito Federal. Não demonstram que o resultado esteja definido — pesquisas são retratos do momento, e não previsões das urnas —, mas mostram que, na fotografia atual, o apoio presidencial ainda não foi suficiente para colocar Grass em condição de disputar a liderança.

Arruda também perde espaço

Se a situação de Grass é difícil, José Roberto Arruda enfrenta um problema adicional.

Além da queda registrada nas pesquisas, sua candidatura teve o registro indeferido por unanimidade pelo TRE-DF em 3 de setembro, decisão que ele tenta reverter no Tribunal Superior Eleitoral.

No Datafolha, a mudança foi expressiva: Arruda saiu de 28% em agosto para 17% em setembro. Enquanto isso, Celina percorreu o caminho inverso, passando de 30% para 40%.

Aquela disputa praticamente empatada registrada no final de agosto, portanto, deixou de aparecer nas pesquisas mais recentes.

E há outro dado particularmente importante.

Quando o Datafolha retirou Arruda da lista de candidatos, Celina subiu para 45%, enquanto Grass chegou a 19%. Entre os eleitores que declaravam voto em Arruda, 34% indicaram Celina como alternativa, contra 15% que migrariam para Grass e 11% para Paula Belmonte.

Ou seja: ao menos naquele levantamento, a eventual ausência de Arruda não produzia uma transferência majoritária de seus votos para a candidatura petista. A principal beneficiária era justamente Celina.

PT enfrenta dificuldade histórica no DF

É nesse contexto que ganha força a discussão sobre o tamanho atual do PT na política brasiliense.

O partido já governou o Distrito Federal com Cristovam Buarque e Agnelo Queiroz e mantém representação relevante no Congresso e na Câmara Legislativa. Portanto, seria impreciso afirmar que desapareceu eleitoralmente.

Mas a disputa de 2026 mostra uma dificuldade objetiva: o PT ainda não conseguiu recuperar protagonismo suficiente na corrida pelo Palácio do Buriti.

Mesmo contando com Lula como principal cabo eleitoral nacional, Grass aparece muito distante de Celina nas pesquisas mais recentes. O fenômeno pode ter várias explicações — avaliação dos candidatos, desempenho do governo local, rejeições partidárias, estrutura das campanhas e dinâmica nacional — e não pode ser atribuído com segurança a uma única causa.

O artigo publicado pelo Radar DF interpreta parte desse cenário como reflexo da rejeição a Lula e das recentes controvérsias envolvendo ministros do STF. Trata-se de uma interpretação política do veículo, e não de uma causalidade demonstrada pelas pesquisas.

O que os números permitem afirmar com mais segurança é que Celina conseguiu ampliar significativamente sua vantagem enquanto seus principais adversários permanecem concentrados em uma faixa muito inferior.

De empate técnico a uma vantagem superior a 20 pontos

Talvez esse seja o retrato mais significativo da transformação da eleição.

Em 21 de agosto, o Datafolha mostrava:

Celina Leão: 30%
José Roberto Arruda: 28%
Leandro Grass: 11%

O levantamento, realizado entre os dias 18 e 21 de agosto com 910 eleitores do Distrito Federal, foi registrado na Justiça Eleitoral sob os números DF-07561/2026 e BR-02094/2026.

Em 11 de setembro, o mesmo instituto encontrou:

Celina Leão: 40%
José Roberto Arruda: 17%
Leandro Grass: 16%

Essa segunda rodada do Datafolha, realizada entre 8 e 11 de setembro, também ouviu 910 eleitores e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-06055/2026.

Em apenas três semanas, Celina saiu de uma disputa apertada com Arruda para abrir uma vantagem superior a 20 pontos sobre os dois principais adversários. Enquanto a governadora avançou dez pontos percentuais, Arruda recuou 11. Grass cresceu cinco pontos, mas o avanço não foi suficiente para acompanhar o ritmo de crescimento de Celina.

O Igape, divulgado posteriormente, reforçou essa nova fotografia da corrida pelo Palácio do Buriti. O instituto registrou 41,1% para Celina, 15,7% para Arruda e 14% para Grass. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre os dias 8 e 12 de setembro, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número DF-09945/2026.

Os três levantamentos ajudam a mostrar como a disputa mudou em poucas semanas. Celina deixou para trás o cenário de empate técnico com Arruda observado em agosto e passou a aparecer isolada na liderança, enquanto Arruda perdeu espaço e Grass, apesar do apoio do presidente Lula, permanece distante da primeira colocação.

Pesquisas representam o momento em que foram realizadas e não antecipam o resultado das urnas. Ainda assim, a sequência dos levantamentos evidencia uma mudança expressiva no cenário: a questão que se colocava em agosto era quem venceria a disputa apertada entre Celina e Arruda; em setembro, os números passaram a mostrar Celina com vantagem superior a 20 pontos e os adversários diante do desafio de reduzir essa distância.

É uma mudança política expressiva.

Para Arruda, o desafio agora envolve simultaneamente Justiça Eleitoral e recuperação de apoio popular.

Para Grass, a missão é diferente: demonstrar que ainda existe espaço para transformar o apoio de Lula e a estrutura partidária do PT em crescimento suficiente para reduzir uma diferença que hoje supera duas dezenas de pontos em alguns levantamentos.

Já Celina chega às semanas decisivas em situação bastante diferente daquela de agosto. A governadora não apenas preservou a liderança como ampliou sua vantagem e passou a registrar percentuais próximos ou superiores a 40% em pesquisas recentes.

Isso não transforma a eleição em resultado antecipado. Mas muda claramente o eixo da disputa: os números mais recentes já não mostram Celina tentando escapar de Arruda. Mostram Arruda e Grass tentando encontrar um caminho para alcançar Celina.

Da redação por Jorge Poliglota…

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