Durante semanas, o governo Lula e seus aliados tentaram convencer a opinião pública de que Flávio Bolsonaro estaria trabalhando nos Estados Unidos para prejudicar o Brasil. A versão foi repetida à exaustão por integrantes do Palácio do Planalto, parlamentares governistas e setores da imprensa.
A audiência realizada nesta terça-feira (7), em Washington, mostrou um cenário bem diferente.
Diante da possibilidade de os Estados Unidos aplicarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, Flávio Bolsonaro fez exatamente o oposto do que lhe atribuíam. Em vez de defender sanções ao país, pediu que a medida fosse suspensa — ou, ao menos, adiada até que os brasileiros decidam nas urnas quem governará o país a partir de 2027.
O gesto tem um significado político evidente. Flávio procurou deixar claro que sua oposição é ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e não ao povo brasileiro. Para o senador, uma sobretaxa comercial neste momento atingiria quem produz, quem exporta, quem gera empregos e quem sustenta boa parte da economia nacional.
A diferença é fundamental.
Criticar um governo não significa desejar prejuízo ao país. Cobrar mudanças políticas não é o mesmo que defender punições econômicas aos brasileiros. Misturar esses conceitos interessa apenas a quem pretende transformar qualquer divergência em discurso de perseguição política.
Ao pedir que os Estados Unidos aguardem o resultado das eleições antes de tomar uma decisão definitiva, Flávio aposta que um novo governo poderá reconstruir a relação bilateral e reduzir as tensões diplomáticas. Concorde-se ou não com essa estratégia, ela está distante da narrativa de que a oposição estaria trabalhando contra os interesses nacionais.
O episódio também expõe outro aspecto da política brasileira: a tentativa recorrente de confundir governo com Estado. Lula não é o Brasil. Seu governo representa uma escolha temporária do eleitorado e, como qualquer outro, está sujeito a críticas, cobranças e contestação.
Essa distinção é essencial para uma democracia madura. Defender o Brasil não significa concordar com todas as decisões do governo de turno. Da mesma forma, combater um projeto político não equivale a desejar dificuldades para o país.
Ao defender também a manutenção do Pix como um sistema moderno e eficiente, Flávio reforçou esse discurso de preservação dos interesses nacionais, mesmo em meio a um ambiente de forte disputa política.
A partir de agora, o governo terá mais dificuldade para sustentar a acusação de que a oposição deseja prejudicar a economia brasileira. As declarações feitas em Washington indicam justamente o contrário: a crítica permanece dirigida ao governo Lula, enquanto a defesa da economia e dos trabalhadores brasileiros foi colocada como prioridade.
O debate sobre a tarifa de 25% deixa uma conclusão inevitável: a disputa presidencial de 2026 já ultrapassou as fronteiras do Brasil. E, nesse cenário, tanto governo quanto oposição buscarão convencer a população de quem realmente está defendendo os interesses nacionais. Caberá ao eleitor analisar os fatos e decidir qual narrativa encontra respaldo nas declarações e nas ações de cada lado.
Nas suas redes sociais Flávio ainda alfinetou o governo, afirmando que não havia nenhum representante do governo para fazer a defesa do Brasil
Da redação por Jorge Poliglota…




