Governadora afirma que desestatização está “completamente descartada”, confronta discurso explorado por Leandro Grass e recebe novos apoios na arrancada para a etapa decisiva da eleição
A disputa pelo Governo do Distrito Federal entrou definitivamente em uma nova fase. E um dos assuntos que prometem ocupar o centro do segundo turno é o futuro do Banco de Brasília (BRB).
Nesta terça-feira (6), Celina Leão (PP) procurou eliminar qualquer ambiguidade sobre o tema. Segundo a governadora, o BRB não será privatizado.
A declaração foi categórica. “Está descartada completamente a desestatização do BRB”, afirmou Celina, ao responder aos rumores sobre uma eventual venda da instituição.
A posição coloca frente a frente duas narrativas que deverão se confrontar até 25 de outubro.
De um lado, Leandro Grass (PT) vem utilizando a crise do BRB como uma das principais linhas de ataque à atual administração. Durante sabatina ao SBT News, em setembro, o petista chegou a afirmar que o banco caminharia para “liquidação ou privatização” caso Celina permanecesse no governo.
Do outro, a própria governadora agora afirma exatamente o contrário, e diz que não pretende vender o banco e trabalha para mantê-lo público.
Celina transforma o BRB em compromisso de campanha
Não se trata, porém, da primeira manifestação da candidata sobre o assunto.
Meses antes do segundo turno, Celina já havia declarado publicamente que sua intenção era preservar o BRB como instituição pública.
Em entrevista à CNN, ainda em abril, ela sustentou que privatizações deveriam ser consideradas quando uma empresa estatal produz prejuízos recorrentes ao Estado e afirmou que não enxergava o BRB dessa maneira.
Às vésperas do primeiro turno, voltou ao assunto.
Celina afirmou que trabalha para manter o banco “100% público”, ressaltando sua função social para Brasília. Em outra entrevista, também descartou a venda e disse que pretende preservar a instituição e os milhares de empregos ligados a ela.
A declaração desta terça-feira, portanto, não surge isoladamente. Ela reforça uma posição que a governadora já havia manifestado anteriormente.
Grass havia colocado privatização no centro do ataque
O contraste fica ainda mais evidente quando se observa o discurso utilizado por Leandro Grass.
Em setembro, o candidato petista afirmou que o BRB poderia caminhar para liquidação ou privatização caso Celina fosse eleita.
Agora, diante da afirmação explícita da governadora de que a privatização está descartada, a discussão muda de patamar.
A campanha de Grass poderá continuar questionando a situação financeira do banco, as operações realizadas anteriormente com o Banco Master e as soluções propostas pelo governo para recuperar a instituição. Esses são temas legítimos do debate eleitoral.
Mas atribuir a Celina a intenção de privatizar o BRB esbarra, neste momento, nas próprias declarações públicas da candidata, que assumiu compromisso exatamente no sentido contrário.
Caberá ao eleitor avaliar qual diagnóstico e quais soluções considera mais convincentes.
A crise existe — e não deve ser escondida
Descartar a privatização, entretanto, não significa dizer que os problemas do BRB desapareceram.
A instituição atravessa uma crise relacionada às operações realizadas com o Banco Master e ainda busca alternativas para reforçar sua estrutura financeira.
Celina afirma que o governo trabalha com diferentes possibilidades de financiamento, inclusive alternativas no mercado internacional.
É justamente aí que o debate precisa sair do terreno das versões políticas e entrar no campo das soluções.
Se o BRB permanecerá público, como assegura a governadora, a pergunta seguinte é inevitável: qual será o modelo utilizado para recuperar e capitalizar o banco sem comprometer as finanças do Distrito Federal?
Esse provavelmente será um dos questionamentos centrais do segundo turno.
Novos apoios chegam à campanha
A declaração sobre o BRB ocorreu no mesmo momento em que Celina começa a ampliar sua articulação política para a votação decisiva.
A governadora recebeu integrantes de um grupo político ligado ao ex-governador José Roberto Arruda e também o apoio do deputado federal Alberto Fraga (PL).
Durante o encontro, Celina agradeceu as adesões e falou sobre sua trajetória política, defendendo a reunião de diferentes grupos em torno de sua candidatura.
O movimento acontece depois de uma eleição em que a candidata terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, ficando muito próxima da maioria absoluta necessária para encerrar a disputa naquela etapa.
Agora, porém, a contagem recomeça.
Segundo turno exige respostas, não apenas acusações
O BRB certamente continuará aparecendo na campanha.
Grass tem o direito político de questionar a condução do banco e apresentar sua própria proposta para a instituição. Celina, da mesma forma, terá de explicar como pretende recuperar o BRB e garantir sua sustentabilidade.
Mas existe uma diferença importante entre discutir a situação financeira da instituição e afirmar qual será o destino dela.
Sobre esse segundo ponto, Celina colocou sua posição de maneira explícita: o BRB continuará público caso ela permaneça no comando do Distrito Federal.
Isso não encerra o debate sobre o banco, ao contrário.
A partir de agora, obriga a campanha a avançar para uma discussão mais concreta: como recuperar a instituição, preservar sua função pública, proteger os empregos e impedir que eventuais prejuízos sejam transferidos para a população.
É esse tipo de resposta que o eleitor precisa cobrar dos dois candidatos.
Porque o segundo turno não deveria ser decidido pela narrativa mais barulhenta, mas pela capacidade de cada lado apresentar fatos, explicar seus projetos e assumir compromissos que possam ser cobrados depois da eleição.
No caso do BRB, Celina acaba de colocar um deles no papel político da campanha: privatização, segundo ela, está fora da mesa.
Da redação por Jorge Poliglota…




