Governadora e candidata Celina Leão inicia nova etapa buscando ampliar alianças após receber 825 mil votos; Grass também articula apoios e decisão ficará nas mãos do eleitor em 25 de outubro
As urnas do primeiro turno entregaram um recado objetivo no Distrito Federal de que a disputa pelo Palácio do Buriti ainda não terminou, mas Celina Leão (PP) inicia a segunda etapa sem perder tempo depois de ter recebido a maior votação entre os candidatos ao governo.
Com 100% das urnas totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Celina conquistou 825.530 votos, correspondentes a 49,93% dos votos válidos. Leandro Grass (PT), seu adversário no segundo turno, recebeu 569.930 votos, ou 34,47%. São 255.600 votos de diferença entre os dois candidatos.
Como nenhum concorrente ultrapassou metade dos votos válidos, a definição foi transferida para 25 de outubro. E a campanha já recomeçou.
Celina coloca articulação política em marcha
No primeiro dia da nova etapa, Celina reuniu presidentes de partidos no comitê de campanha, conversou por telefone com aliados e participou de programa de televisão. A movimentação indica que a estratégia inicial passa pela reorganização da ampla coalizão que sustentou sua candidatura no primeiro turno.
A governadora também procura aproximar os diferentes segmentos de centro e direita que participaram da primeira rodada eleitoral.
Depois da confirmação do segundo turno, Celina defendeu publicamente uma convergência desses grupos e afirmou que pretende buscar eleitores que, no primeiro turno, escolheram outras candidaturas.
Esse movimento ganha relevância porque Paula Belmonte (PSDB) terminou com 8,51%, Kiko Caputo (Novo) com 4,36% e Ricardo Cappelli (PSB) com 2,23%. São votos que agora voltam a ser disputados.
Uma estrutura política que ultrapassa a campanha ao governo
Outro componente da estratégia de Celina está no resultado das eleições proporcionais e para o Senado.
Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, duas aliadas políticas da governadora, foram eleitas para as vagas do Distrito Federal no Senado. Segundo os resultados divulgados após a apuração, Michelle recebeu 938.496 votos e Bia, 886.616.
O Correio Braziliense também contabiliza 16 dos 24 deputados distritais eleitos como integrantes da base política de Celina.
Esse cenário oferece à governadora uma estrutura partidária e parlamentar importante para a segunda etapa da campanha, embora apoio político não signifique transferência automática de votos.
No fim, quem decide é o eleitor.
Grass também procura ampliar seu campo
Do outro lado, Leandro Grass tenta transformar seus 569.930 votos do primeiro turno em uma base maior.
O candidato do PT iniciou conversas com antigos adversários e procura reunir partidos e lideranças que ficaram fora do segundo turno.
Ricardo Cappelli (PSB), que recebeu 36.828 votos, já declarou apoio a Grass. O petista também manifestou intenção de procurar Paula Belmonte, Kiko Caputo e outras lideranças políticas.
A estratégia mostra que nenhum dos dois candidatos pretende simplesmente repetir a campanha anterior.
O segundo turno começa praticamente como uma nova eleição.
A campanha agora terá de sair dos slogans
Se no primeiro turno havia vários candidatos dividindo espaço, tempo e atenção, agora o eleitor terá apenas duas alternativas diante da urna.
Isso aumenta a responsabilidade das campanhas.
Celina terá de explicar o que pretende preservar da atual administração, quais mudanças pretende realizar e como enfrentará problemas concretos do Distrito Federal.
Grass, por sua vez, terá de apresentar sua alternativa administrativa e demonstrar como pretende colocar suas propostas em prática, sem repetir o mesmo programa de 2022.
Temas como saúde pública, segurança, educação, mobilidade, geração de empregos, infraestrutura e a situação do BRB tendem a ocupar espaço importante no confronto das próximas semanas.
E justamente por existir apenas duas opções, ataques pessoais não deveriam substituir respostas objetivas.
O eleitor terá três semanas para comparar
Celina chega ao segundo turno carregando um dado incontornável: quase metade dos votos válidos do Distrito Federal foi depositada em seu nome no primeiro turno.
Grass chega com 34,47%.
É a fotografia deixada pelas urnas de 4 de outubro. Não é, entretanto, antecipação do resultado de 25 de outubro.
Segundo turno existe justamente porque a legislação exige que o vencedor obtenha a maioria dos votos válidos. Daqui para frente, cada voto precisa ser novamente conquistado.
Para o eleitor, portanto, talvez seja o momento de diminuir o volume das torcidas e aumentar o das perguntas.
Quem apresentar propostas precisa explicar como pretende executá-las. Quem prometer investimentos precisa mostrar de onde virão os recursos. Quem reivindicar realizações deve apresentar resultados. E quem apontar erros do adversário também precisa oferecer soluções.
O Distrito Federal não estará escolhendo apenas entre Celina Leão e Leandro Grass. Estará decidindo quem administrará Brasília pelos próximos quatro anos.
Por isso, mais do que escolher por paixão partidária, rejeição ou efeito das redes sociais, 25 de outubro exige uma decisão consciente, informada e baseada na comparação entre propostas, histórico administrativo e compromissos assumidos pelos dois candidatos.
A primeira rodada mostrou onde cada candidatura está. A segunda dará a palavra definitiva ao eleitor.
Da redação com informações CB…




