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Sem Arruda, PSD pode embarcar na nau de Celina Leão

Partido comandado por Paulo Octávio avalia novo posicionamento após TSE barrar candidatura do ex-governador; apoio a outro nome ou liberação dos filiados estão entre as alternativas

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que retirou José Roberto Arruda (PSD) da disputa pelo Governo do Distrito Federal não encerrou apenas uma candidatura. Ela abriu uma nova e importante discussão dentro do próprio partido.

Agora, sem seu candidato ao Palácio do Buriti, o PSD-DF, presidido pelo empresário e ex-vice-governador Paulo Octávio, precisa definir qual posição adotará nos últimos dias da campanha.

Uma reunião com dirigentes e candidatos do partido está marcada para esta sexta-feira (25), às 15h. O encontro deverá medir a posição interna da legenda antes de qualquer anúncio público. Entre as possibilidades estão o apoio a outro candidato ao GDF ou a liberação dos filiados para que façam suas escolhas individualmente.

A decisão ganha ainda mais importância porque acontece apenas um dia depois de o Avante, que também esteve ligado ao projeto eleitoral de Arruda, anunciar apoio à governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP).

Paulo Octávio pede diálogo antes da decisão

A posição oficial divulgada por Paulo Octávio na noite de ontem, quinta-feira, indica que o PSD não pretende tomar uma decisão sem consultar sua estrutura partidária.

Em nota, o presidente regional agradeceu a participação de Arruda e afirmou:

“Diante da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), exarada na manhã desta quinta-feira (24), o PSD-DF agradece ao esforço e à dedicação do candidato José Roberto Arruda, escolhido pelo partido para ser seu representante nas urnas na disputa pelo comando do Governo do Distrito Federal (GDF).”

Em seguida, Paulo Octávio deixou claro que o próximo movimento será construído internamente:

“Informamos, ainda, que os rumos do partido em relação à eleição deste ano no Executivo local serão decididos oportunamente, após ouvirmos os candidatos aos cargos legislativos e os demais filiados, de forma democrática, como é costume de nossa legenda.”

Uma fonte do comando partidário afirmou que a legenda pretende ouvir seus candidatos e avaliar o ambiente antes de tomar uma posição, destacando ainda a preocupação em eleger suas bancadas para a Câmara Legislativa e Câmara dos Deputados.

TSE fechou a porta para Arruda

A reorganização tornou-se necessária depois da decisão tomada na quinta-feira.

Por 5 votos a 2, o TSE rejeitou o recurso apresentado por Arruda e manteve o indeferimento de seu registro de candidatura ao Governo do Distrito Federal.

Prevaleceu o entendimento do relator, ministro Dias Toffoli, acompanhado por Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram. A maioria considerou aplicáveis ao caso os efeitos da Lei da Ficha Limpa decorrentes das condenações colegiadas por improbidade administrativa.

Arruda anunciou posteriormente que não recorrerá ao Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, após consultar seus advogados, uma nova medida teria caráter apenas protelatório e poderia interferir no processo eleitoral do DF.

Isso torna ainda mais urgente a decisão do PSD.

Para onde irá o PSD?

Essa passa a ser uma das perguntas mais interessantes da política brasiliense nesta sexta-feira. Formalmente, o partido ainda não declarou apoio a nenhum dos candidatos que permanecem na corrida pelo Buriti.

E é importante fazer essa distinção.

Embora existam especulações sobre possíveis aproximações, a nota assinada por Paulo Octávio não sinaliza oficialmente apoio a Celina Leão nem a qualquer outro candidato. O documento informa que a decisão será tomada após consulta aos candidatos proporcionais e demais integrantes da legenda.

Portanto, qualquer definição antes da reunião seria antecipar uma decisão que o próprio partido afirma ainda estar construindo.

Celina aparece naturalmente no centro das especulações

Há, entretanto, elementos políticos que fazem o nome de Celina aparecer inevitavelmente nas conversas sobre os próximos passos.

O primeiro é o movimento realizado pelo Avante, presidido no DF por Gim Argello. Poucas horas depois da decisão contra Arruda, o partido anunciou apoio à reeleição da governadora.

O segundo são as pesquisas.

O Datafolha divulgado na quinta-feira mostrou que, no cenário sem Arruda, Celina registra 42% das intenções de voto, contra 23% de Leandro Grass (PT). A pesquisa ouviu 910 eleitores entre 22 e 24 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrada sob os números DF-01888/2026 e BR-06769/2026.

Esses números ajudam a explicar por que qualquer movimentação de partidos anteriormente ligados a Arruda passou a despertar tanta atenção.

Eles não permitem concluir para onde migrarão os eleitores do ex-governador nem antecipar o resultado das urnas, mas mostram a configuração da disputa no momento em que o PSD precisa escolher seu novo caminho.

Paulo Octávio volta ao centro do tabuleiro

Nesse processo, Paulo Octávio ganha protagonismo.

Antes do julgamento do TSE, seu próprio nome chegou a ser mencionado como eventual alternativa caso Arruda não pudesse continuar candidato. O PSD, entretanto, decidiu manter Arruda até o julgamento definitivo do recurso.

Agora a missão de Paulo Octávio é diferente.

Ele precisa administrar os interesses de um partido que possui candidatos a deputado distrital e federal em plena reta final da campanha e que perdeu, a poucos dias da votação, sua referência na disputa majoritária.

A preocupação com as chapas proporcionais não é pequena. Uma decisão sobre apoio ao governo pode produzir reflexos sobre alianças locais, bases eleitorais e estratégias dos próprios candidatos do PSD.

Por isso, a ordem interna, segundo dirigentes ouvidos pela imprensa, é evitar decisões tomadas sob o impacto emocional da derrota judicial de Arruda.

A saída de Arruda começa a redesenhar alianças

Menos de 24 horas depois do julgamento, já é possível perceber que a decisão do TSE provocou um efeito dominó na política do Distrito Federal.

O Avante tomou sua decisão e foi para Celina. O PSD reúne sua direção nesta sexta-feira.

Arruda declarou que não recorrerá e, até o momento, não anunciou apoio a nenhum dos candidatos remanescentes. Ao se pronunciar, fez referências elogiosas a Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB) e Leandro Grass (PT), destacando a convivência que teve com eles durante a campanha, mas sem declarar voto ou apoio.

Isso deixa seus antigos aliados diante de decisões próprias.

E, no caso do PSD, a escolha tem um simbolismo ainda maior: trata-se do partido pelo qual Arruda tentou retornar ao comando do Distrito Federal.

Uma sexta-feira decisiva para o PSD

O encontro das 15h desta sexta-feira poderá responder se o PSD chegará aos últimos dias da eleição unido em torno de outra candidatura ou se dará liberdade para que seus integrantes sigam caminhos diferentes.

Celina aparece no centro das especulações pela liderança nas pesquisas e pelo movimento já realizado pelo Avante, mas existem outras candidaturas na disputa e não há, até agora, anúncio oficial do PSD sobre apoio a nenhuma delas.

É justamente essa decisão que Paulo Octávio pretende construir ouvindo o partido.

Depois de meses discutindo se Arruda poderia ou não permanecer candidato, o PSD acordou nesta sexta-feira diante de uma realidade completamente diferente.

Arruda está fora, não pretende recorrer e o relógio eleitoral continua correndo.

Agora, Paulo Octávio e seus correligionários terão poucas horas para responder a uma questão que passou a movimentar os bastidores de Brasília:

sem Arruda, para onde vai o PSD?

Da redação…

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