Levantamento nacional mostra 98 candidatos favoráveis à abertura de processos contra integrantes do Supremo; outros defendem reformas na Corte, adotam neutralidade ou ainda não declararam posição
A relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal entrou definitivamente na campanha de 2026. Levantamento realizado pela Gazeta do Povo mostra que 98 candidatos às 54 vagas em disputa no Senado se declararam favoráveis ao impeachment de ministros do STF. Outros adotaram posições intermediárias, defendem mudanças institucionais na Corte ou simplesmente não responderam sobre como agiriam diante de um eventual processo.
A questão interessa diretamente ao eleitor porque a Constituição atribui ao Senado Federal a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Portanto, a composição da Casa a partir de 2027 terá influência direta sobre a forma como eventuais pedidos serão tratados.
A seguir, organizamos as posições registradas pela Gazeta de maneira mais simples, preservando as diferenças entre apoio ao impeachment, neutralidade e ausência de posicionamento.
Distrito Federal
No DF, Bia Kicis (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) aparecem no levantamento como favoráveis ao impeachment. Leila Barros (PDT) não declarou apoio à medida e informou, por meio de sua assessoria, que pretende discutir uma reforma do STF, incluindo mudanças no sistema de indicação e mandatos com prazo determinado. Erika Kokay (PT) declarou-se contrária. Guto Felício dos Santos (PSDB) e Marley (Avante) não haviam se posicionado.
Goiás
Goiás chama atenção porque o levantamento registra uma concentração de candidatos favoráveis à abertura de processos contra ministros do Supremo. Aparecem como favoráveis: Delegado Humberto Teófilo (Novo), Gracinha Caiado (União), Gustavo Gayer (PL), Gustavo Mendanha (PRD), Vanderlan Cardoso (PSD), Oséias Varão (PL) e Zacharias Calil (MDB).
Acre
Favoráveis: Márcio Bittar (PL) e Eduardo Velloso (Solidariedade).
Outra posição: Mara Rocha (Republicanos) prefere concentrar a discussão em uma reforma do STF e na criação de mandato para ministros.
Sem posicionamento registrado: Sérgio Petecão (PSD) e Gladson Cameli (PP). Inácio Moreira (PSOL) e Jorge Viana (PT) não foram localizados pela reportagem.
Alagoas
Favorável: Davi Filho (Republicanos).
Neutro: Arthur Lira (PP).
Sem posicionamento: Renan Calheiros (MDB) e Marina Candia (PSDB). Dr. Wanderley (MDB) não foi localizado.
Amazonas
Favoráveis: Capitão Alberto Neto (PL), Plínio Valério (PSDB) e Wilson Lima (União).
Sem posicionamento: Eduardo Braga (MDB). Ismael Munduruku (Rede) e Professora Evany (PSOL) não foram localizados.
Amapá
Neste estado, nenhum dos nomes relacionados nesse recorte havia se declarado favorável. Rayssa Furlan (Podemos), Lucas Barreto (PSD), Randolfe Rodrigues (PT), Alliny Serrão (União) e Acácio Favacho (MDB) aparecem como não posicionados. Capi (PSB) não foi localizado.
Bahia
Favorável: João Roma (PL).
Neutro: Angelo Coronel (Republicanos).
Sem posicionamento: Rui Costa (PT).
Jaques Wagner (PT) aparece como contrário. Marcelo Carvalho (Rede) e Professora Delliana (PSOL) não foram localizados.
Ceará
Favoráveis: Capitão Wagner (União), Alcides Fernandes (PL) e Guilherme Theóphilo (Novo).
Sem posição registrada: Luizianne Lins (Rede).
Cid Gomes (PSB) declarou-se contrário.
Espírito Santo
O levantamento registra como favoráveis Evair de Melo (Republicanos), Leonardo Monjardim (Novo), Maguinha Malta (PL), Marcos do Val (Avante) e Sergio Meneguelli (PSD).
Paulo Hartung (PSD) e Rose de Freitas (MDB) não haviam se posicionado; Professor Fabian (PSOL) não foi localizado. Renato Casagrande (PSB) e Fabiano Contarato (PT) aparecem como contrários.
Mato Grosso
Entre os nomes classificados como favoráveis estão Janaína Riva (MDB), Zé Medeiros (PL), Mauro Mendes (União) e Margareth Buzetti (PP), além de candidato mencionado pela Gazeta que condicionou a abertura do processo à falta de esclarecimentos de Alexandre de Moraes.
Outra posição: Pedro Taques (PSB) prefere discutir uma reforma institucional do STF, incluindo mandato de 12 anos para ministros e mudanças nas decisões monocráticas.
Mato Grosso do Sul
Favoráveis: Capitão Contar (PL), Nelsinho Trad (PSD), Reinaldo Azambuja (PL) e Roberto Oshiro (Novo).
Pará
Favoráveis: Delegado Éder Mauro (PL) e Zequinha Marinho (Podemos).
Sem posicionamento: Helder Barbalho (MDB), Celso Sabino (PDT), Chicão Melo (União) e Lívia Noronha (Solidariedade). Conti (PSOL) e Gizelle Freitas (PSOL) não foram localizados.
Paraíba
Favoráveis: André Gadelha (MDB), Marcelo Queiroga (PL) e Major Fábio (Novo).
Paraná
Entre os nomes registrados como favoráveis estão Cristina Graeml, Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Karen Guerreiro (Missão).
Dr. Rosinha (PT) e Gleisi Hoffmann (PT) aparecem como contrários.
Piauí
Favoráveis: Antônio Barros (Novo), Antônio José Lira (Avante) e Tiago Junqueira (PL).
Neutro: Jorge Lopes (PSDB).
Sem posicionamento: Alexandre Mariano (Avante) e Marcelo Castro (MDB). Outros quatro candidatos relacionados pela Gazeta não foram localizados.
Ciro Nogueira (PP) declarou-se contrário.
Rio de Janeiro
Favoráveis: Carlos Jordy (PL), Carlos Portinho (PL) e Hélio Secco (Missão).
Neutros: Marcelo Crivella (Republicanos) e Waguinho (Republicanos).
Outra posição: Marcos Dias (Podemos) prefere discutir uma reforma do STF, incluindo mandato de oito anos para os ministros.
Sem posicionamento: Benedita da Silva (PT), Mônica Benicio (PSOL) e Pedro Paulo (PSD).
Rio Grande do Norte
Favoráveis: Coronel Hélio (PL) e Styvenson Valentim (Podemos).
Rio Grande do Sul
Entre os candidatos identificados como favoráveis pela Gazeta estão Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB) e Ubiratan Sanderson (PL), além de outros nomes relacionados no levantamento estadual. Manuela D’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) aparecem como contrários.
Rondônia
Favoráveis: Bruno Scheid (PL), Fernando Máximo (PL), Mariana Carvalho (Republicanos), Silvia Cristina (PP), Luís Fernando (PSD) e Engenheiro Thúlio (Missão).
Outra posição: Neidinha Suruí (PSB) declarou que pretende discutir o tema, sem assumir antecipadamente voto favorável ou contrário.
Roraima
Favoráveis: Nicoletti (PL), Pastor Isamar (União) e Teresa Surita (MDB).
Neutro: Hilton Xavier (Avante).
Sem posicionamento: Helena Lima (PSD). Bartô Macuxi (PSOL) e Mário Rocha (PSOL) não foram localizados.
Santa Catarina
Favoráveis: Carlos Bolsonaro (PL), Caroline De Toni (PL), Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD) e Lunelli (MDB), entre os nomes relacionados no levantamento.
São Paulo
A lista de candidatos classificados como favoráveis inclui Guilherme Derrite (PP), Guto Schiavetto (Missão), Ricardo Salles (Novo) e Soninha Francine (Cidadania), além de outros nomes relacionados pela reportagem.
Sem posicionamento: Marina Silva (Rede).
Simone Tebet (PSB) aparece como contrária.
Sergipe
Favoráveis: Alessandro Vieira (MDB), Rodrigo Valadares (PL), Coronel Rocha (PL) e Delegado André David (Republicanos).
Sem posicionamento: André Moura (União), Iran Barbosa (PSOL), Eduardo Amorim (Republicanos) e Edvaldo Nogueira (PDT).
Rogério Carvalho (PT) declarou-se contrário.
Tocantins
Favoráveis: Coronel Nilton Santos (Novo), Eduardo Gomes (PL) e Eli Borges (Republicanos).
Sem posicionamento: Alexandre Guimarães (MDB), Carlos Gaguim (União) e Vanderlei Luxemburgo (Podemos).
Fábio Ribeiro (Rede), Paulo Mourão (PT), Professor Osvaldo (PSOL) e Ronaldo Dimas (Podemos) não foram localizados.
O que esses posicionamentos realmente significam
Há uma diferença importante entre defender a abertura de um processo e concluir antecipadamente que determinado ministro deve perder o cargo. Em um eventual processo, cabe ao Senado analisar as acusações e assegurar defesa ao ministro antes da decisão final.
Também não é correto interpretar “não se posicionou” como voto contrário — nem como voto favorável. Significa apenas que, até a atualização do levantamento da Gazeta em 23 de setembro, não havia posição pública registrada pela reportagem. Da mesma forma, candidatos classificados como “neutros” ou que defendem uma reforma do STF não devem ser automaticamente colocados em nenhum dos dois lados.
O dado nacional, porém, é expressivo: 98 dos 222 candidatos acompanhados pela Gazeta declararam-se favoráveis, 18 contrários e 83 não se posicionaram ou não foram localizados; os demais se distribuem entre posições neutras e alternativas, como discutir reformas ou avaliar eventual processo conforme as provas. A própria Gazeta corrigiu em 23 de setembro a contagem inicial de 106 favoráveis para 98.
Para o eleitor, esse levantamento oferece uma informação objetiva sobre uma das atribuições exclusivas do cargo que estará em disputa: quem for eleito senador não apenas votará projetos e indicações para o Supremo, mas poderá ser chamado a decidir sobre eventuais processos de responsabilidade contra ministros da Corte.
Confira o levantamento completo e atualizado da Gazeta do Povo
Da redação com informações Gazeta do Povo




