Na reta final pela reeleição à Câmara Legislativa, deputado intensifica mobilização junto às comunidades e mantém ligação com o Corpo de Bombeiros, sua corporação de origem; defesa das escolas cívico-militares também se transforma em uma das principais marcas de seu mandato
A campanha pela reeleição do deputado distrital Roosevelt Vilela (PL) chegou às últimas duas semanas antes das urnas apostando em três pilares que acompanham sua trajetória pública: segurança, proximidade com as comunidades e educação cívico-militar.
Nos últimos dias, essa estratégia ganhou as ruas.
No domingo (20), Roosevelt participou da Caminhada pela Segurança da Família, realizada no Eixão Sul, na altura da SQS 114. Segundo a organização, milhares de pessoas participaram da mobilização, que contou também com a presença da governadora e candidata à reeleição Celina Leão e do candidato a deputado federal Agaciel Maia.
O ato reuniu famílias, lideranças comunitárias e apoiadores em uma caminhada que colocou segurança pública, proteção familiar e ocupação dos espaços públicos no centro da mensagem eleitoral.
Mais do que um evento convencional de campanha, a mobilização serviu para Roosevelt apresentar uma das bandeiras que procura associar à sua trajetória: a ideia de que segurança pública não deve ficar restrita à atuação policial, mas precisa envolver prevenção, tecnologia, educação e participação das comunidades.
Eixão tomado por famílias
Durante a caminhada, Roosevelt circulou entre os participantes, conversou com moradores e voltou a defender políticas de segurança associadas à proteção das famílias.
A governadora Celina Leão participou do ato e manifestou apoio à candidatura do deputado. Agaciel Maia também reforçou a parceria política com Roosevelt.
Entre os assuntos abordados pelo distrital estava o uso da tecnologia no combate à criminalidade.
Roosevelt citou o projeto DF 360 e comparou o sistema de monitoramento da capital a um “Big Brother do bem”, em referência à utilização integrada de câmeras e ferramentas tecnológicas para ampliar a capacidade de prevenção e resposta das forças de segurança.
A pauta possui relação direta com a história profissional do candidato.
Antes da política, Roosevelt construiu sua carreira no Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.
O bombeiro que chegou à Câmara Legislativa
Roosevelt é subtenente veterano do CBMDF.
Segundo sua biografia oficial na Câmara Legislativa, atuou em áreas operacionais e de ensino, incluindo mergulho de resgate, salvamento aéreo e condução e operação de viaturas. Seu histórico registra centenas de operações de salvamento e resgate.
Por quase dez anos, também presidiu o Clube dos Bombeiros, ampliando sua relação com militares da ativa, veteranos e familiares da corporação.
Essa origem permanece fortemente presente em sua atividade parlamentar e agora volta a aparecer na campanha pela reeleição.
Uma demonstração dessa ligação ocorreu no domingo anterior, dia 13.
Na ocasião, aproximadamente 3 mil bombeiros militares e apoiadores, conforme estimativa divulgada pela organização, participaram de um encontro na residência do parlamentar. Veículos que acompanharam o evento relataram a presença de militares de diferentes regiões do Distrito Federal e manifestações de apoio à candidatura de Roosevelt.
É importante registrar que o número de participantes foi fornecido pelos organizadores e que não existe levantamento independente capaz de medir qual parcela de todo o efetivo do CBMDF apoia eleitoralmente o candidato.
O que o ato demonstrou objetivamente foi uma capacidade relevante de mobilização dentro do segmento de onde Roosevelt veio.
Bombeiros entram na reta final da campanha
No encontro, participantes declararam apoio à tentativa de Roosevelt conquistar um novo mandato na Câmara Legislativa. Segundo as reportagens sobre a mobilização, alguns militares e apoiadores também se dispuseram a participar da campanha e ampliar a divulgação da candidatura entre colegas, familiares e comunidades.
A ligação não se limita ao período eleitoral.
Registros da própria CLDF mostram que Roosevelt apresentou ao longo do mandato diversas iniciativas relacionadas ao Corpo de Bombeiros.
Em junho deste ano, por exemplo, apresentou moção de louvor aos veteranos da corporação pelos serviços prestados ao Distrito Federal e outra homenagem aos integrantes do Programa Bombeiro Amigo.
Também requereu sessão solene pelos 170 anos do CBMDF e apresentou homenagens individuais a militares que se destacaram em operações de salvamento.
Essa atuação parlamentar ajuda a explicar por que a categoria ocupa espaço tão importante em sua campanha.
Mas existe outra bandeira que ampliou a projeção de Roosevelt para além da segurança pública.
Escolas cívico-militares viram marca do mandato
A defesa das escolas cívico-militares tornou-se um dos principais pontos da atuação recente do deputado.
E nesse caso existe uma realização legislativa concreta.
Roosevelt é autor da Lei nº 7.937, de 28 de julho de 2026, que estabeleceu oficialmente as diretrizes das escolas cívico-militares do Distrito Federal.
A legislação definiu um marco legal para o modelo de gestão compartilhada entre as áreas de Educação e Segurança Pública.
Pela lei, a Secretaria de Educação continua responsável pela gestão administrativa e pedagógica e pelo projeto político-pedagógico das unidades.
À Secretaria de Segurança Pública cabe a gestão disciplinar, com participação de integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros nas atividades extracurriculares e nas ações relacionadas à formação cívica, moral e ética dos estudantes.
A legislação estabelece entre seus objetivos a melhoria da aprendizagem, redução da violência no ambiente escolar, promoção de uma cultura de paz, integração da comunidade escolar e combate à repetência e ao abandono.
Ou seja, a participação de Roosevelt nessa pauta ultrapassou o discurso político: o deputado foi autor da legislação que deu sustentação jurídica ao modelo no Distrito Federal.
Uma batalha que aproximou Roosevelt das famílias
A discussão sobre essas escolas também criou uma ligação entre o parlamentar e pais de alunos que defendem o modelo.
No início de setembro, Roosevelt participou de um encontro com familiares e amigos de estudantes do Colégio Militar Dom Pedro II.
A governadora Celina Leão também esteve presente.
Durante o evento, Roosevelt destacou sua atuação pela preservação do modelo e defendeu a participação das famílias nas decisões relacionadas à educação dos filhos. Também ressaltou o trabalho desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros na estrutura e organização do Colégio Militar Dom Pedro II.
O encontro reuniu familiares, integrantes da comunidade escolar e representantes ligados ao CBMDF.
Essa aproximação ajuda a compreender por que a educação cívico-militar passou a ocupar espaço tão grande na atual campanha.
Roosevelt transformou projeto em lei
Em política, é comum que candidatos cheguem à eleição prometendo apresentar projetos no mandato seguinte.
No caso das escolas cívico-militares, Roosevelt chega à disputa podendo apresentar uma legislação já sancionada.
A Lei nº 7.937/2026 estabelece expressamente que o programa deverá buscar, entre outros objetivos, melhorar a qualidade da educação pública, enfrentar a violência no ambiente escolar, promover a cultura de paz, estimular a integração entre escola e comunidade e contribuir para a permanência dos estudantes nas unidades de ensino.
A existência da lei não encerra o debate sobre o modelo.
Há setores da educação que questionam a participação de militares na gestão disciplinar das escolas e defendem outros caminhos para enfrentar problemas de violência e desempenho escolar.
Para Roosevelt e seus apoiadores, porém, o modelo representa uma alternativa que deve ser preservada e ampliada.
A avaliação sobre seus resultados deve considerar indicadores objetivos de aprendizagem, evasão, violência escolar e satisfação das comunidades atendidas.
Da Ceilândia ao Plano Piloto
A estratégia da campanha também procura mostrar que Roosevelt não pretende ficar restrito ao eleitorado ligado à segurança pública.
No início do mês, o deputado reuniu mais de mil pessoas em Ceilândia, novamente segundo estimativa da organização, em um encontro de prestação de contas.
Participaram Bia Kicis, candidata ao Senado, Agaciel Maia e lideranças locais.
Roosevelt apresentou ações dos dois mandatos e falou sobre investimentos em segurança, educação, saúde e desenvolvimento econômico.
“Eu não vim aqui para fazer promessa. Vim para mostrar o que já fizemos e apresentar aquilo que ainda podemos fazer por Ceilândia e por todo o Distrito Federal”, afirmou naquele encontro.
Agora, na reta final, a Caminhada pela Segurança da Família levou essa mobilização para o centro de Brasília.
Três bases aparecem na reta final
A movimentação das últimas semanas permite identificar três segmentos aos quais a campanha de Roosevelt tem dedicado atenção especial.
O primeiro é formado pelas comunidades das diferentes regiões administrativas, com reuniões, caminhadas e prestação de contas.
O segundo está ligado aos bombeiros militares, veteranos e familiares da corporação, grupo historicamente relacionado à trajetória pessoal e profissional do deputado.
E o terceiro envolve pais, alunos e integrantes das comunidades escolares favoráveis ao modelo cívico-militar.
A mobilização de cerca de 3 mil pessoas ligadas aos bombeiros no dia 13 e a caminhada que, segundo os organizadores, reuniu milhares de participantes no Eixão no último domingo são sinais de capacidade de mobilização, embora não permitam medir automaticamente quantos votos serão convertidos nas urnas.
Campanha entra na fase decisiva
A menos de duas semanas da votação, Roosevelt procura transformar sua trajetória profissional e suas bandeiras legislativas em argumentos para a renovação do mandato.
A estratégia é apresentar ao eleitor uma sequência que começa muito antes da eleição: primeiro o bombeiro militar, depois a representação da categoria na Câmara Legislativa e, mais recentemente, a autoria do marco legal das escolas cívico-militares.
No último domingo, essa combinação apareceu simbolicamente no Eixão.
Famílias, lideranças políticas, moradores e apoiadores caminharam sob uma pauta centrada na segurança e na proteção familiar.
Uma semana antes, milhares de pessoas ligadas ao Corpo de Bombeiros haviam participado de outro ato de campanha.
E, pouco mais de um mês antes da eleição, a legislação de autoria de Roosevelt sobre as escolas cívico-militares havia sido sancionada pelo Governo do Distrito Federal.
São fatos que mostram quais bandeiras Roosevelt decidiu levar para a reta final.
Comunidade, segurança pública, valorização dos bombeiros e defesa do modelo cívico-militar formam hoje o núcleo da mensagem apresentada pelo candidato em busca de mais um mandato na Câmara Legislativa.
A dimensão eleitoral desse apoio, entretanto, somente será conhecida em 4 de outubro, quando os eleitores do Distrito Federal definirão a nova composição da CLDF.
Da redação




