Que em matéria de destruir reputações o PT é mestre, isso ninguém tem dúvidas. São mais de 20 anos no poder trabalhando diuturnamente nesse sentido
A experiência de longos anos e eleições dão uma sustentação e vantagem significativa ao partido para confrontar qualquer adversário. No entanto, boa parte do eleitorado brasileiro já acordou e talvez as estratégias podem não surtir mais efeitos.
Sem sombra de dúvidas, a estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o horário eleitoral gratuito será concentrada na desconstrução do principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Temas antigos, alguns até já julgados e arquivados pela justiça, deverão ser explorados nas inserções partidárias no rádio e na TV. Ontem (28), uma prova disso já começou a ser colocada em prática.
Para o estrategista eleitoral, Roberto Reis, a televisão é um território em que os marqueteiros do PT possuem forte domínio, o que tende a dar ao partido uma vantagem inicial. “Eles são muito bons de horário eleitoral, são muito bons de TV”, diz. “Vão fazer ótimos programas eleitorais, bem práticos, gravação controlada, vão bater no Flávio dia sim, dia também”, complementa.
Segundo um analista que preferiu não se identificar, o PT tem um modus operandi agressivo e sabe como destruir reputações, mesmo que tenham que enfrentar as duras regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Caso Lulinha pressiona campanha de Lula
As recentes revelações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transformaram-se em mais um problema para a campanha petista. Depois de semanas tentando responder às informações que surgem das investigações, o PT agora busca mudar de estratégia e sair da defensiva.
O desgaste aumentou após a divulgação de mensagens apreendidas pela Polícia Federal em poder da lobista Roberta Luchsinger. O material passou a integrar apurações sobre possíveis relações de Lulinha com negócios privados e pessoas com trânsito dentro do governo federal.
As investigações levantam suspeitas de possível tráfico de influência, mas é importante destacar que a existência de uma investigação não significa comprovação de crime. Lulinha é citado em três frentes investigativas, enquanto sua defesa rejeita qualquer irregularidade em sua relação com a lobista.
Diante da repercussão, a campanha de Lula pretende transformar um assunto potencialmente prejudicial em uma tentativa de diferenciação política.
PT tenta estabelecer comparação com Bolsonaro
Uma das estratégias estudadas pelos petistas é comparar a postura de Lula diante das investigações sobre o filho com a maneira como Jair Bolsonaro teria agido quando Flávio Bolsonaro enfrentava as investigações relacionadas ao chamado caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A narrativa que o PT pretende apresentar ao eleitor é a de que Lula não estaria utilizando a Presidência da República para impedir ou dificultar investigações envolvendo Lulinha.
O próprio presidente vem declarando publicamente que o filho deve ser investigado como qualquer outro cidadão. Segundo Lula, caso Fábio Luís tenha cometido alguma irregularidade, deverá responder por seus atos.
É justamente essa postura que a campanha pretende explorar para tentar diminuir os efeitos políticos das sucessivas revelações.
Entretanto, a estratégia não elimina o principal problema eleitoral: enquanto novas informações das investigações continuarem aparecendo, o assunto tende a permanecer no centro do debate presidencial e deverá ser explorado pelos adversários.
Propaganda eleitoral será fundamental para reação
Para tentar reorganizar sua comunicação, Lula contará com uma vantagem importante: mais tempo de exposição na propaganda eleitoral gratuita.
O presidente terá 5 minutos e 31 segundos em cada bloco, enquanto Flávio Bolsonaro contará com 4 minutos e 20 segundos.
A diferença também aparece nas inserções distribuídas ao longo do primeiro turno. Lula terá direito a 433 inserções, contra 339 de Flávio Bolsonaro.
Esse espaço adicional permitirá à campanha petista não apenas divulgar propostas e realizações do governo, mas também responder às críticas e apresentar sua própria versão sobre assuntos que vêm causando desgaste.
O desafio será convencer o eleitor
A estratégia do PT, portanto, parece clara: em vez de permitir que o caso Lulinha seja tratado exclusivamente pelos adversários, a campanha pretende enfrentar o tema diretamente e sustentar que o presidente não interfere no trabalho dos investigadores.
Mas existe uma diferença entre construir uma narrativa eleitoral e convencer o eleitor.
As investigações ainda estão em andamento e novas informações podem surgir. Caso isso aconteça, cada revelação poderá obrigar a campanha petista a novamente explicar as relações atribuídas a Lulinha e responder aos questionamentos da oposição.
Por isso, o caso envolvendo o filho do presidente deixou de ser apenas um problema jurídico ou familiar. Transformou-se em uma questão eleitoral que poderá acompanhar Lula durante toda a campanha.
O PT aposta na comparação com Bolsonaro e no maior espaço na propaganda eleitoral para reduzir o desgaste. Já a oposição deverá insistir nas mensagens apreendidas e cobrar esclarecimentos sobre a eventual influência de Lulinha dentro do governo.
No final, porém, não serão as campanhas que darão a palavra definitiva sobre as suspeitas. Às autoridades caberá determinar se houve ou não irregularidades; ao eleitor, avaliar o peso político do episódio na hora do voto e fazer a escolha certa.
Da redação com informações Gazeta do Povo




