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Sandro Avelar abre o jogo no Vozes da Comunidade sobre segurança, 8 de Janeiro e propostas para a Câmara

Ex-secretário de Segurança Pública do DF falou sobre combate às facções, violência contra a mulher, sistema prisional, maioridade penal, apoio a Celina Leão e os desafios que pretende levar para o Congresso Nacional

O ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e candidato a deputado federal pelo União Brasil, Sandro Avelar, foi o entrevistado desta sexta-feira (28) do programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte. Ao longo da sabatina, Avelar respondeu a perguntas sobre segurança pública, criminalidade, violência contra a mulher, sistema penitenciário, os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e também sobre sua entrada definitiva na política eleitoral.

Delegado aposentado da Polícia Federal, Avelar comandou a Secretaria de Segurança Pública do DF em dois períodos distintos: entre 2011 e 2014 e novamente a partir de janeiro de 2023, após a intervenção federal ocorrida na esteira dos atos de 8 de Janeiro. Sua trajetória permitiu que a entrevista transitasse entre a experiência de quem esteve diretamente na gestão da segurança e as propostas de quem agora busca uma cadeira na Câmara dos Deputados.

8 de Janeiro e a reconstrução das forças de segurança

Um dos momentos mais fortes da entrevista ocorreu quando Avelar relembrou o cenário encontrado após os atos de 8 de janeiro de 2023.

Segundo o ex-secretário, havia um ambiente de forte tensão e insegurança dentro das próprias corporações. Ele descreveu uma Polícia Militar abalada pelas investigações e pelo receio de que responsabilidades individuais acabassem sendo atribuídas indistintamente a toda a instituição. Avelar sustentou que o trabalho posterior precisou envolver não apenas reorganização operacional, mas também a recuperação da confiança dos policiais.

Na avaliação apresentada durante o programa, um dos problemas daquele período foi a ausência de protocolos suficientemente integrados e de uma ação preventiva coordenada entre as diferentes estruturas de inteligência. A partir dali, afirmou, novos procedimentos foram adotados para manifestações na Esplanada dos Ministérios e para eventos de maior risco na capital.

Avelar também destacou que sua gestão buscou separar eventuais responsabilidades individuais da imagem das corporações como um todo, lembrando que policiais atuaram diretamente na contenção dos atos e alguns receberam reconhecimento por sua atuação naquele dia.

Crime organizado e inteligência

Outro tema colocado pelos entrevistadores foi o avanço das facções criminosas e a necessidade de impedir que organizações já fortemente estruturadas em outros estados ampliem sua presença no Distrito Federal.

Avelar ressaltou a importância da inteligência policial, do compartilhamento de informações e da atuação conjunta entre as forças de segurança. Ele levou ao debate sua experiência no Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (CONSESP) e defendeu maior cooperação entre União, estados e instituições responsáveis pela repressão ao crime organizado.

Para o ex-secretário, enfrentar organizações criminosas exige planejamento permanente, integração e capacidade de antecipação, e não apenas respostas depois que os crimes já foram praticados.

Essa visão esteve presente nas duas passagens de Avelar pela SSP-DF. Na primeira gestão, participou da implantação do programa Ação Pela Vida, baseado nas Áreas Integradas de Segurança Pública, aproximando Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Detran.

Violência contra a mulher ganhou destaque

A entrevista também dedicou espaço significativo ao feminicídio e à violência doméstica.

Avelar defendeu que o Estado seja mais rigoroso não apenas quando ocorre o assassinato da mulher, mas principalmente nos crimes que aparecem antes dele — agressões, ameaças, lesões corporais, vias de fato e injúrias que podem revelar uma escalada de violência.

Para ele, o feminicídio precisa ser enfrentado antes de chegar ao ponto irreversível. Sua proposta é endurecer a resposta penal para determinados crimes antecedentes quando praticados em contexto de violência contra a mulher, buscando interromper a sequência de agressões antes que termine em morte.

Avelar classificou o feminicídio como uma espécie de problema social que também exige participação da comunidade. Chamou atenção para situações em que familiares, vizinhos e amigos percebem sinais de agressão, mas deixam de procurar as autoridades. Na visão do ex-secretário, a antiga ideia de que problemas entre casais devem permanecer exclusivamente dentro de casa precisa ser definitivamente superada.

Ele também lembrou políticas desenvolvidas durante sua gestão, entre elas o Viva Flor, destinado à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica.

Maioridade penal entre as propostas para a Câmara

Já na condição de candidato a deputado federal, Sandro Avelar apresentou algumas das bandeiras que pretende defender caso seja eleito.

Uma delas é a redução da maioridade penal. O candidato argumentou durante o Vozes da Comunidade que existe uma contradição em permitir que um jovem participe das eleições a partir dos 16 anos e, ao mesmo tempo, aplicar tratamento jurídico diferenciado quando adolescentes dessa mesma faixa etária praticam atos equivalentes a crimes graves.

O tema certamente deverá provocar debate no Congresso, porque envolve uma das discussões mais antigas e controversas da política criminal brasileira.

Avelar também apontou segurança pública e educação como áreas prioritárias de uma eventual atuação parlamentar.

Trabalho para presos e ampliação de vagas

O sistema penitenciário também entrou na sabatina.

O ex-secretário defendeu a ampliação da capacidade prisional e uma política que estimule o trabalho dos presos durante o cumprimento da pena. Entre as ideias apresentadas está a criação ou expansão de colônias agrícolas, onde pessoas privadas de liberdade possam exercer atividade produtiva.

Na avaliação de Avelar, além do caráter de ressocialização, o trabalho pode contribuir para reduzir parte dos custos do sistema penitenciário e criar condições melhores para a reinserção de presos na sociedade após o cumprimento da pena.

Avelar declara confiança em Celina Leão

A política local também esteve presente na entrevista.

Questionado sobre o desempenho da governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP), Avelar fez uma avaliação positiva de sua atuação e destacou especialmente sua disposição para enfrentar problemas e tomar decisões.

O ex-secretário relembrou que conheceu Celina politicamente quando esteve na SSP-DF durante o governo de Agnelo Queiroz, época em que ela integrava a oposição. Segundo Avelar, mesmo naquele período, Celina conseguia separar divergências políticas das questões de interesse público.

Ele também recordou que foi procurado por Celina para retornar à Secretaria de Segurança Pública após os acontecimentos de janeiro de 2023. Hoje, ambos estão no mesmo campo político, e Avelar afirmou confiar na capacidade da governadora para continuar conduzindo o Distrito Federal.

Da gestão pública para a disputa eleitoral

A entrevista ao Vozes da Comunidade mostrou uma nova etapa na trajetória de Sandro Avelar.

Até recentemente, seu nome estava associado principalmente à Polícia Federal e à administração da segurança pública. Agora, como candidato à Câmara dos Deputados, ele tenta transformar essa experiência em plataforma política.

E deixou claro durante a sabatina que pretende chegar ao Congresso levando pautas que fizeram parte de praticamente toda a sua vida profissional: combate ao crime organizado, fortalecimento das forças policiais, prevenção ao feminicídio, mudanças na legislação penal e reformas no sistema penitenciário.

Mais do que apresentar números de sua gestão, Avelar foi provocado a explicar o que pretende fazer com a experiência acumulada caso receba o voto do eleitor.

Foi justamente esse encontro entre passado administrativo e projeto político que deu o tom da entrevista: o ex-secretário falou como quem conhece os bastidores da segurança pública, mas também como um candidato que agora terá de convencer a população de que essa experiência pode ser transformada em resultados dentro do Congresso Nacional.

O programa Vozes da Comunidade, apresentado por Toni Duarte, foi transmitido pelo YouTube e retransmitido por emissoras de rádio comunitárias do Distrito Federal e do Entorno.

Da redação

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