A corrida pelo Governo de Goiás ganhou um novo ingrediente neste fim de semana — e, desta vez, não foi uma pesquisa eleitoral ou um ataque ao governo. Foram versões frontalmente diferentes sobre uma possível aliança entre Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) para um eventual segundo turno.
Segundo reportagem publicada neste sábado (22) pelo Jornal Opção, Marconi afirmou existir um entendimento de apoio mútuo entre ele e Wilder caso apenas um dos dois consiga chegar ao segundo turno contra o governador Daniel Vilela (MDB). A publicação relata que a declaração provocou preocupação no núcleo bolsonarista ligado à candidatura do senador do PL.
O problema para Marconi é que a versão apresentada por ele encontrou rapidamente um obstáculo: a própria campanha de Wilder Morais.
A coordenação do candidato do PL negou a existência de qualquer compromisso político previamente acertado. Em manifestação divulgada neste sábado, a equipe foi categórica ao afirmar que “não há nenhuma tratativa com outras candidaturas para composição em um eventual segundo turno”. O próprio Wilder acrescentou que sua campanha está concentrada na possibilidade de vencer ainda no primeiro turno e que qualquer cenário posterior somente será discutido caso efetivamente se concretize.
Marconi já vinha sinalizando aproximação
A controvérsia não surgiu do nada. Dias antes, em entrevista à Rádio Terra, Marconi já havia declarado publicamente que apoiaria Wilder caso o senador chegasse ao segundo turno e ele próprio ficasse de fora.
Mais do que oferecer seu apoio, porém, Marconi avançou ao atribuir ao adversário uma disposição semelhante. Na ocasião, afirmou que Wilder teria dito a amigos que faria o mesmo. Reportagem do Mais Goiás registrou que Marconi considerava esse alinhamento praticamente “implícito”.
Na sexta-feira (21), durante entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Difusora de Goiânia, Marconi foi ainda mais longe. Segundo veículos que acompanharam a entrevista, o tucano afirmou que já havia conversado diretamente com Wilder sobre a hipótese de apoio no segundo turno.
É justamente aí que nasce o problema político.
Se Marconi afirma que houve conversa e entendimento, enquanto Wilder e sua coordenação dizem que não existe tratativa para composição, alguém está interpretando essas conversas de maneira muito diferente — ou tentando antecipar publicamente uma aliança que uma das partes não está disposta a assumir.
Wilder tenta manter distância
Para Wilder, a negativa tem importância estratégica. O senador disputa espaço justamente como alternativa tanto ao grupo governista de Daniel Vilela quanto ao projeto representado pelo ex-governador tucano. Associar sua candidatura antecipadamente a Marconi poderia embaralhar esse discurso.
Não por acaso, Wilder passou a utilizar nas redes sociais a expressão “Nenhum dos dois”, em referência a Daniel e Marconi, reforçando a tentativa de se apresentar ao eleitor como uma terceira via na disputa estadual. O movimento torna ainda mais desconfortável a afirmação de Marconi sobre um suposto compromisso recíproco.
E existe um componente eleitoral importante nessa história. Pesquisa Paraná divulgada nesta semana apontou Daniel Vilela com 45,8%, Marconi Perillo com 24,9% e Wilder Morais com 13,2%. Ou seja, os dois candidatos de oposição não disputam apenas contra o governador: disputam ferozmente entre si a vaga para chegar ao segundo turno.
Nesse ambiente, declarar antecipadamente apoio ao adversário pode ser uma estratégia para construir pontes. Mas anunciar reciprocidade sem que o outro lado reconheça publicamente o entendimento transforma a tentativa de aproximação em constrangimento eleitoral.
O episódio deixa uma pergunta inevitável no ar: houve ou não houve acordo? Existiria um “contrato de gaveta?”
Da redação…




