Candidata alcança 21% das citações espontâneas, contra 12% de José Roberto Arruda; quando os nomes são apresentados aos entrevistados, disputa fica tecnicamente empatada em 30% a 28%
A nova pesquisa Datafolha sobre a corrida ao Governo do Distrito Federal traz dois retratos distintos — e igualmente importantes — da disputa pelo Palácio do Buriti. Se no cenário estimulado Celina Leão (PP) e José Roberto Arruda (PSD) aparecem separados por apenas dois pontos percentuais, a pesquisa espontânea apresenta uma diferença bem mais expressiva.
Quando o eleitor precisa dizer em quem pretende votar sem receber uma lista com os candidatos, Celina alcança 21%, enquanto Arruda registra 12%. São nove pontos percentuais de diferença que significam muito em percentuais e números de votos.
Já na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados, Celina registra 30% e Arruda, 28%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Leandro Grass (PT) aparece com 11%, Paula Belmonte (PSDB), com 4%, e Ricardo Cappelli (PSB), com 3%. Ou seja, a esquerda não anda, não sobre e está, na visão do eleitorado, tecnicamente perdida.
Espontânea merece atenção especial
A diferença entre os dois modelos de pergunta ajuda a compreender o momento eleitoral.
Na pesquisa espontânea, o entrevistador não apresenta os candidatos. O eleitor precisa lembrar e mencionar sozinho o nome de sua preferência. Por isso, esse indicador pode ser analisado como uma medida de lembrança eleitoral e consolidação atual da intenção de voto, embora não permita, isoladamente, prever o resultado da eleição.
Nesse quesito, os números do Datafolha são claros: Celina tem 21% e Arruda, 12%. Isso significa que a governadora é mencionada espontaneamente por uma parcela consideravelmente maior dos entrevistados.
É uma informação relevante justamente porque a campanha oficial está começando. O desafio dos candidatos, daqui para frente, será transformar conhecimento, exposição e preferência declarada em votos efetivos nas urnas.
Estimulada mostra outra fotografia
Quando o Datafolha apresenta os nomes, o cenário muda. Celina chega aos 30% e Arruda aos 28%.
A distância de apenas dois pontos coloca os dois candidatos em empate técnico, considerando a margem de erro da pesquisa. Portanto, seria incorreto interpretar o resultado estimulado como uma vantagem estatisticamente comprovada de Celina sobre Arruda.
Mas também seria incompleto analisar somente esse cenário e ignorar a diferença encontrada na pergunta espontânea.
Os dois resultados medem situações diferentes. A estimulada mostra como o eleitor reage diante do conjunto de candidatos disponíveis. A espontânea registra quem já está presente na memória do eleitor quando nenhuma alternativa é oferecida.
E é justamente nesse segundo indicador que Celina apresenta sua maior vantagem neste levantamento.
Pesquisa começa a revelar o tamanho do desafio
O Datafolha também mostra que a disputa está longe de estar definida. Há espaço para crescimento, mudanças de preferência e influência da própria campanha eleitoral.
Além disso, pesquisas representam uma fotografia do momento em que as entrevistas são realizadas, e não uma previsão definitiva do resultado das urnas.
O levantamento foi realizado entre 18 e 21 de agosto de 2026, com 910 eleitores do Distrito Federal, e possui margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. É a primeira pesquisa Datafolha sobre a eleição para o GDF depois do registro oficial das candidaturas.
A pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo. O registro referente ao levantamento do Distrito Federal é DF-07561/2026; o planejamento divulgado antes da coleta já informava o registro distrital, a amostra de 910 entrevistas e a contratação do levantamento.
A eleição começa com duas mensagens diferentes
A leitura mais prudente do Datafolha, portanto, exige observar os dois números.
Na estimulada, existe uma disputa apertada: Celina 30%, Arruda 28%. Na espontânea, existe uma diferença mais ampla: Celina 21%, Arruda 12%.
Para a campanha de Celina, o dado espontâneo oferece um indicador favorável de lembrança eleitoral. Para Arruda, os 28% obtidos quando seu nome é apresentado mostram capacidade de alcançar praticamente o mesmo patamar da governadora no cenário estimulado.
É justamente essa combinação que torna a eleição do Distrito Federal especialmente competitiva. Celina inicia a campanha com maior percentual espontâneo, enquanto Arruda demonstra força quando seu nome é colocado diante do eleitor.
A fotografia deste momento, portanto, não autoriza decretar vencedor. Mas deixa uma mensagem política importante: o empate da estimulada conta apenas uma parte da história; os nove pontos de diferença na espontânea mostram outra dimensão da disputa que também merece ser observada ao longo da campanha.
Repito, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os códigos DF-07561/2026 e BR-02094/2026 e foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo.
Da redação por Jorge Poliglota…




