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Enquanto o relógio corre, a esquerda do DF ainda procura o protagonista

A poucos dias das definições partidárias, a esquerda do Distrito Federal parece viver um roteiro conhecido: muitas reuniões, muitas conversas e nenhuma decisão. O encontro marcado para amanhã (30) entre dirigentes nacionais do PT e do PSB representa mais uma tentativa de encontrar um caminho comum para a disputa ao Palácio do Buriti. O desafio, porém, não parece ser falta de candidatos, mas excesso de protagonistas.

De um lado está Leandro Grass, que conta com o respaldo da federação formada por PT, PV e PCdoB, além do apoio da federação PSOL-Rede. Do outro, Ricardo Cappelli, lançado pelo PSB e apresentado por seus aliados como um nome capaz de dialogar com um eleitorado mais amplo.

O problema é que, até o momento, nenhum dos dois grupos demonstra disposição para abrir mão da cabeça de chapa. O PSB argumenta que Cappelli teria menor rejeição e maior competitividade. O PT responde que Grass possui o apoio da militância e desempenho superior nas pesquisas. Na prática, ambos afirmam ser a melhor opção e nenhum parece disposto a ocupar o banco do passageiro.

Enquanto isso, partidos aliados observam a cena da arquibancada. O PDT, por exemplo, optou por adiar novamente sua convenção regional à espera de um desfecho. A estratégia parece ser simples: primeiro descobrir quem será o candidato; depois decidir como entrar no jogo.

A preocupação da direção nacional é compreensível. A manutenção de duas candidaturas pode fragmentar o campo político e dificultar não apenas a disputa pelo Governo do Distrito Federal, mas também a formação de chapas competitivas para a Câmara dos Deputados.

Por ora, o relógio eleitoral segue avançando. As reuniões se multiplicam, as negociações continuam e a pergunta permanece a mesma: haverá consenso ou cada grupo insistirá em disputar o papel principal?

Até aqui, o roteiro indica que o maior adversário da articulação da esquerda pode ser justamente a dificuldade de construir uma liderança unificada antes do início oficial da campanha.

Da redação por Jorge Poliglota

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