Há um fenômeno curioso acontecendo na política brasileira, e em especial aqui em Brasília. Alguns dos que mais enchem a boca para falar em democracia, liberdade de expressão e diversidade de opiniões são exatamente os que menos suportam conviver com o contraditório
E isso aconteceu em um grupo de WhatsApp de Brasília denominado “XADREZ POLÍTICO”, cujos administradores são claros apoiadores (cabos eleitorais) de um determinado pré-candidato que para a justiça, até agora, está inelegível.
Bastou alguns apresentarem um fato, uma decisão judicial, um documento público ou um questionamento incômodo sobre o determinado candidato para que a “democracia” terminasse na ponta do dedo de uma das administradores do grupo, e nesse caso específico, de uma jornalista que é proprietária de um site de notícias chamado de Blog do Cafezinho. Em segundos, ela fez desaparecer o debate, “sumiu” com participantes e para agradá-la e ao grupo, instalou-se o silêncio conveniente.
Isso comprova que a democracia deles é a democracia do aplauso obrigatório. Um grupo onde todos podem falar… desde que repitam exatamente o que o (s) administrador (res) desejam ouvir.
O problema não está em defender um candidato. Isso faz parte da democracia. O problema surge quando a defesa deixa de ser política e passa a ser quase religiosa, impedindo qualquer questionamento, principalmente quando envolve candidatos com histórico controverso, condenações ou problemas na Justiça. Nessas horas, em vez de argumentos, aparecem a censura, o bloqueio e a expulsão.
Quem acredita na força de suas ideias não teme perguntas.
Quem confia na honestidade do candidato que apoia não se desespera quando alguém apresenta fatos públicos.
Quem realmente é democrata enfrenta o debate.
Mas quem administra um grupo como se fosse dono da verdade revela algo muito diferente: insegurança intelectual e medo de que a realidade desmonte a narrativa construída para enganar os menos informados.
Não há nada mais revelador do que um administrador (a) que expulsa quem discorda, mas mantém aqueles que espalham boatos, distorcem informações, denigrem pessoas ou tratam opinião como verdade absoluta. O critério deixa de ser o respeito e passa a ser a conveniência política.
O resultado é previsível: cria-se uma bolha onde todos pensam igual, todos repetem os mesmos discursos e todos acreditam que representam a maioria, quando, na verdade, apenas eliminaram qualquer voz que pudesse confrontar suas convicções.
Isso não fortalece a democracia. Isso produz militância cega. E militância cega jamais construiu uma sociedade livre!
Uma democracia saudável não se constrói com censura seletiva, mas com confronto de ideias. A verdade não precisa expulsar ninguém para prevalecer. Quem confia na consistência de seus argumentos responde com fatos. Quem recorre ao silenciamento demonstra receio de que o debate revele aquilo que prefere esconder.
No fim, expulsar quem pensa diferente pode até limpar a tela do celular, mas jamais apagará a realidade. A democracia exige coragem para ouvir, maturidade para discordar e humildade para admitir que nenhuma corrente política é dona absoluta da verdade. Quando um grupo se transforma em um espaço onde só uma opinião é permitida, ele deixa de ser um fórum de discussão e passa a ser apenas uma câmara de eco, onde a liberdade de expressão existe apenas para quem concorda com o administrador.
O eleitor brasileiro precisa aprender a desconfiar de ambientes onde apenas uma versão dos fatos é permitida. Se um candidato depende da censura para preservar sua imagem, talvez o problema não esteja em quem questiona, mas na fragilidade daquilo que se tenta esconder.
O contraditório não é um inimigo da democracia; é o seu alicerce. Sem ele, resta apenas propaganda.
A história ensina que regimes autoritários nunca começaram proibindo todos de falar. Começaram silenciando aqueles que faziam perguntas incômodas.
Guardadas as devidas proporções, muitos administradores de grupos parecem ter adotado exatamente essa lógica: quem concorda é bem-vindo; quem apresenta fatos inconvenientes é tratado como ameaça.
A ironia é que esses mesmos censores digitais costumam acusar os outros de intolerância, enquanto transformam seus grupos em verdadeiros comitês eleitorais fechados, onde a única liberdade existente é a de concordar.
Democracia não é unanimidade.
Democracia é conviver com opiniões diferentes, responder críticas com argumentos e permitir que cada cidadão tire suas próprias conclusões.
Quando um administrador escolhe expulsar quem pensa diferente apenas porque sua narrativa foi confrontada por fatos, ele não demonstra força política. Demonstra medo.
E quem tem medo do debate dificilmente pode se apresentar como defensor da democracia.
E nesse “Xadrez Político” nem mesmo Henrique Costa Mecking, notoriamente conhecido como Mequinho (Grande Mestre enxadrista da América Latina), quer participar desse jogo!
Da redação Por Jorge Poliglota, jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília




