Ninguém entendeu bem qual foi o motivo do senador Izalci Lucas (PL-DF) usar a Tribuna do senado para anunciar sua candidatura ao governo do Distrito Federal. Não que ele não tenha legitimidade para isso, mas ao que parece somente esqueceu de combinar com a alta cúpula do Partido Liberal (PL), ao qual pertence
Com isso, a movimentação política no Distrito Federal ganhou um novo capítulo de tensão após a reação de Michelle Bolsonaro ao anúncio do senador Izalci Lucas de que pretende disputar o Governo do DF. O gesto, considerado precipitado por aliados do Partido Liberal, teria causado forte desconforto nos bastidores, sobretudo por ocorrer sem qualquer deliberação formal da sigla.
Michelle, que mantém influência significativa dentro do PL e proximidade direta com lideranças nacionais do partido, viu na iniciativa de Izalci uma quebra de alinhamento político. Isso porque, até o momento, a diretriz predominante da legenda é apoiar a atual governadora Celina Leão ao governo, nome considerado estratégico para a manutenção de um campo conservador competitivo na capital federal.
Além da questão partidária, há um fator pessoal que pesa nessa equação. Celina Leão é vista como aliada de confiança tanto de Michelle quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro. A relação de proximidade construída ao longo dos últimos anos fortalece a preferência do grupo por sua continuidade à frente do Palácio do Buriti, o que torna ainda mais sensível qualquer movimento que soe como dissidência interna.
Nos bastidores, a avaliação é de que a antecipação de Izalci pode gerar ruídos desnecessários e fragmentar uma base que, até então, buscava unidade. Integrantes do PL temem que disputas prematuras enfraqueçam o grupo e abram espaço para adversários políticos se reorganizarem com mais força no cenário local.
Por outro lado, aliados do presidente Jair Bolsonaro e figuras fortes dentro do PL, avaliam que Izalci apenas se precipitou, colocou a carroça na frente dos bois e pode, ainda, conquistar seu espaço na área federal pela relevância que representa no cenáocou a carroça na frente dos bois e pode, ainda, conquistar seu espaço na área federal pela relevância que representa no cenário político da Capital Federal.
A reação de Michelle, portanto, não é apenas emocional ou pessoal, mas estratégica. Ao sinalizar incômodo com a atitude do senador, ela reforça a importância da disciplina partidária e da construção coletiva de candidaturas — elementos considerados fundamentais para o sucesso eleitoral em 2026. Na política, ninguém caminha solo!
O episódio expõe uma disputa latente dentro do PL no Distrito Federal: de um lado, a tentativa de consolidação de um projeto já alinhado com a atual governadora; de outro, movimentos individuais que podem redesenhar o tabuleiro político. Resta saber se o partido conseguirá conter essas fissuras ou se elas evoluirão para um embate mais amplo nos próximos meses.
Isso serve, principalmente, para Izalci Lucas… A governadora do DF, segundo e a depender do PL, chamar-se-á Celina Leão.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília



