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Caminhoneiros podem parar

Diesel nas alturas e país à beira da paralisação pressionam o governo com uma nova crise dos caminhoneiros que pode parar o país

A possibilidade de uma nova paralisação dos caminhoneiros volta a rondar o Brasil diante da disparada no preço do diesel. O combustível, essencial para o transporte de cargas em um país de dimensões continentais, tornou-se o centro de uma crise que pode atingir diretamente o governo e, principalmente, a população.

O Brasil depende majoritariamente do transporte rodoviário. Quando o diesel sobe de forma contínua, o impacto não fica restrito às bombas dos postos: ele se espalha por toda a cadeia produtiva. Alimentos, medicamentos, combustíveis, insumos agrícolas e produtos industrializados passam a chegar mais caros ao consumidor final. A inflação é pressionada e o poder de compra da população encolhe ainda mais.

A política de preços da Petrobras tem sido alvo de críticas constantes. Caminhoneiros autônomos alegam que não conseguem repassar integralmente o aumento do diesel para o valor do frete, acumulando prejuízos. O resultado é um cenário de insatisfação crescente, que reacende a ameaça de bloqueios em rodovias e paralisações nacionais.

Caso o movimento se concretize, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrentará forte desgaste político. A memória da greve de 2018 ainda está viva na sociedade: desabastecimento, filas em postos, alta repentina de preços e prejuízos bilionários à economia. Uma nova crise logística poderia comprometer ainda mais a credibilidade da gestão federal na condução da política econômica e energética.

Para a população, as consequências seriam imediatas. Supermercados com estoques reduzidos, aumento nos preços de produtos básicos e dificuldade de mobilidade urbana. Para o agronegócio, setor altamente dependente do transporte rodoviário, a paralisação significaria atrasos na entrega e elevação de custos, afetando exportações e a balança comercial.

Na última semana, o governo anunciou um pacote de medidas para aliviar o setor, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio. A União zerou PIS/Cofins sobre o diesel, criou uma subvenção para reduzir os preços nas bombas e anunciou mudanças na fiscalização dos valores. Na sequência, porém, a Petrobras anunciou um reajuste no combustível, o que, segundo a categoria, esvaziou parte do efeito das medidas.

A possível paralisação dos caminhoneiros não é apenas uma reivindicação setorial — é um alerta sobre a fragilidade estrutural do modelo logístico brasileiro e sobre a necessidade de uma política de combustíveis mais estável e previsível. Sem diálogo eficaz e medidas concretas, o país pode assistir novamente a um efeito dominó que começa no diesel e termina no bolso do cidadão.

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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