Na próxima sexta-feira (13) o colegiado da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, composta pelos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, André Mendonça, Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques, irão avaliar a permanência ou não da prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, decretada pelo relator do Caso Master, ministro André Mendonça
Nos bastidores de Brasília o alvoroço é geral. Muitos acreditam, pelas divulgações já expostas pela imprensa de conversas gravíssimas e comprometedoras entre autoridades e o banqueiro, que a lógica seria por unanimidade a permanência de Vorcaro preso.
No entanto, alguns fatores podem mudar o curso da história e duas situações acontecerem, o que devem ser observadas atentamente por todos os envolvidos nessa situação.
Uma coisa já ficou bem clara: Vorcaro já admitiu que pode delatar e levar junto com ele uma república inteira. As informações já divulgadas até agora sobre o possível envolvimento de ministros do STF, contrato de 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviani Barci, o Resort Tayayá da família Toffoli e os crimes do falecido operador da organização criminosa montada por Vorcaro, o Sidário Luiz Phillipe Mourão, pesarão em sua decisão já que certamente não haverá dúvidas de sua condenação.
Prova de sua convicção se deu no primeiro dia de sua chegada à penitenciária de segurança máxima em Brasília que, segundo narrativas internas de agentes penais federais, Vorcaro teve um “surto” e aos gritos dizia às quatro paredes da cela onde está que não vai “ficar sozinho nessa e que vou delatar todo mundo”, citando, inclusive, nomes.
Em consequência disso, provavelmente hoje (10), quebrando os protocolos de segurança de uma penitenciária federal (que não permite contatos nem com familiares e advogados sem monitoração total), ele deve se reunir com seus advogados para tratar do tema, sem monitoramento de áudios e vídeos, praxe nas penitenciárias federais.
O que pode ser decidido lá e a quem ele deverá delatar?
O Portal ouviu alguns parlamentares oposicionistas que pediram anonimato e, segundo eles, as hipóteses estão alinhadas em duas vertentes.
Na primeira hipótese, se no julgamento da prisão preventiva a maioria dos ministros decidirem que ele deva permanecer preso, sem sombra de dúvidas ele deverá exigir que seu depoimento de delação seja prestado à Polícia Federal que se encarregará de toda tramitação e tratativas, cuja relatoria do caso está a cargo do ministro André Mendonça do STF.
Na segunda hipótese, e essa é muito mais importante a ser acompanhada, caso sua prisão seja revogada e ele seja colocado em prisão domiciliar, mesmo sob cautelares, óbvio que optará para que seu depoimento de delação seja dado ao Ministério Público, sob o comando de Paulo Gonet, Procurador Geral da República.
E é aí que mora o perigo, segundo visão da oposição. Gonet é o cara que a poucos meses atrás esteve reunido em Londres, com patrocínio de Daniel Vorcaro, fazendo uma degustação de wiskis no valor de mais de 600 mil dólares na companhia de Ricardo Lewandoviski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes (ex-ministro e ministros do STF, respectivamente), Andrei Rodrigues (Diretor da PF) e Jorge Messias (Advogado Geral da União), o indicado de Lula para substituir o ministro Luís Roberto Barroso, que pediu para sair.
Portanto, e isto posto, diante de tanta proximidade, não resta para a oposição dúvidas da amizade e intimidade entre os membros desse sexteto o que, em tese, poderia de alguma forma beneficiar Daniel Vocaro.
Ansiedade e ansiolíticos até sexta-feira 13
As dúvidas do que acontecerá só serão dizimadas na sexta-feira, por coincidência dia 13. Até lá, nos corredores de Brasília a única coisa certa é que Ansiedade e Ansiolíticos serão os dois elementos de destaque nessa celeuma toda.
“Situação bastante delicada. Sexta-feira deveremos saber se Gilmar Mendes, Luiz Fux, André Mendonça, Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques estarão disposto a tocar adiante as investigações prendendo os verdadeiros bandidos dessa ORCRIM ou se colocarão um ponto final no caso Master, enterrando definitivamente o que poderia ser o colapso total da república corrupta de nosso país”, disse uma fonte parlamentar.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília




