Enquanto novos vazamentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes do alto escalão do governo federal mergulham a esquerda em um silêncio constrangedor em Brasília, o cenário político no Distrito Federal parece caminhar na direção oposta: a consolidação da vice-governadora Celina Leão como protagonista da próxima disputa pelo Palácio do Buriti.
As recentes revelações sobre mensagens extraídas do celular de Vorcaro expuseram um encontro fora da agenda oficial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. Segundo as conversas, o banqueiro relatou com naturalidade ter tratado diretamente com Lula e integrantes da equipe econômica sobre a crise envolvendo o Banco Master, mesmo já sendo alvo de investigações por fraudes bilionárias.
O episódio provocou um clima de apreensão dentro do PT. O temor nos bastidores é de que novos trechos das conversas venham à tona e ampliem o desgaste político do governo. O pânico aumenta diante da possibilidade de surgirem mensagens, áudios ou registros que evidenciem ainda mais proximidade entre o banqueiro investigado e autoridades do alto escalão.

No Distrito Federal, o comportamento de parlamentares ligados à esquerda chama atenção. Figuras que costumam se apresentar como vigilantes da moralidade pública — como Erika Kokay, Rodrigo Rollemberg, Reginaldo Veras, Chico Vigilante, Gabriel Magno e Max Maciel — adotaram um silêncio quase absoluto sobre o caso. A mesma oposição que frequentemente levanta suspeitas sobre o governo local mantém-se num silêncio sepulcral se omitindo de comentar as revelações que atingem diretamente o Palácio do Planalto.
Esse contraste político tem produzido um efeito curioso no cenário local: enquanto a oposição parece perdida entre o constrangimento e a falta de estratégia, o grupo que governa o Distrito Federal avança com relativa tranquilidade.
A partir de 28 de março, quando o governador Ibaneis Rocha se afastará do cargo para disputar o Senado, a vice-governadora Celina Leão assumirá o comando do Governo do Distrito Federal em um momento de forte capital político. Diferentemente de transições marcadas por incertezas, Celina chega ao cargo com a vantagem de integrar uma gestão que mantém índices elevados de aprovação popular.
Nos últimos anos, a administração Ibaneis-Celina acumulou entregas relevantes que hoje compõem o principal ativo político do grupo governista. Entre elas estão a queda histórica nos índices de homicídio no DF, programas sociais voltados a pacientes que necessitam de cuidados especiais, avanços na regularização fundiária e a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), aguardado há décadas por moradores de áreas irregulares.
Além disso, iniciativas administrativas como o programa Administração Regional 24 Horas e medidas voltadas à preservação do controle local do Banco de Brasília reforçaram a narrativa de gestão eficiente e estabilidade administrativa.
No campo eleitoral, esses resultados começam a se refletir em levantamentos internos de intenção de voto, nos quais Celina aparece liderando com margem confortável em diferentes cenários. Dentro do grupo governista, já se fala inclusive na possibilidade de uma vitória ainda no primeiro turno caso o quadro político atual se mantenha.
Do outro lado, a oposição enfrenta dificuldades visíveis para construir um projeto competitivo. O nome mais frequentemente citado pela esquerda, o ex-deputado Leandro Grass, apresenta índices modestos nas pesquisas e ainda depende de um consenso que está longe de existir entre os partidos do campo progressista.
Sem liderança clara, dividida internamente e agora constrangida pelos desdobramentos do escândalo envolvendo Vorcaro e figuras do governo federal, a oposição em Brasília parece mais ocupada em administrar crises do que em apresentar alternativas de poder.
Nesse cenário, a ascensão de Celina Leão ao comando do GDF tende a consolidar uma vantagem política que pode se refletir diretamente nas urnas. Com a máquina administrativa, o apoio do grupo político que governa o DF e uma oposição fragmentada, a vice-governadora começa seu período à frente do governo não apenas como sucessora natural da atual gestão, mas como a principal força política rumo às eleições de 2026.
Em meio a escândalos nacionais, silêncio seletivo da esquerda e falta de organização oposicionista, o tabuleiro político de Brasília começa a apontar um rumo claro: enquanto uns tentam explicar crises, Celina Leão se posiciona para disputar — e possivelmente vencer — o próximo capítulo da política do Distrito Federal.
Da redação




