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O ataque verbal de Gleisi contra Trump e o silêncio sepulcral sobre o Regime Iraniano

As recentes declarações da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em razão de ataques americanos contra o Irã, reacendem um debate delicado sobre a coerência da política externa brasileira.

Ao condenar duramente Washington, a ministra adota um discurso alinhado ao histórico posicionamento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há anos mantém aproximação diplomática com Teerã. Não é novidade que o atual governo brasileiro busca estreitar laços com o regime iraniano, frequentemente relativizando críticas internacionais sobre violações de direitos humanos no país.

O problema central não está apenas na crítica a uma ação militar específica — algo legítimo no campo diplomático — mas na ausência de equilíbrio retórico. O Irã é governado sob a autoridade máxima do aiatolá Ali Khamenei, líder religioso que comanda um regime amplamente acusado por organismos internacionais de reprimir opositores, restringir liberdades civis e perseguir dissidentes.

Relatórios de entidades independentes e organizações de direitos humanos apontam para uma escalada de repressão interna, com prisões arbitrárias, execuções e repressão violenta a protestos populares. Diante desse cenário, a postura do governo brasileiro levanta questionamentos: por que a indignação é seletiva? Por que a retórica é inflamada contra os Estados Unidos, mas moderada — ou silenciosa — quando se trata das ações do regime iraniano?

O Brasil, historicamente reconhecido por sua tradição diplomática equilibrada, construiu sua reputação com base no diálogo, na defesa do multilateralismo e no respeito aos direitos humanos. Quando autoridades brasileiras parecem adotar posicionamentos ideológicos que relativizam regimes autoritários enquanto atacam democracias ocidentais, a imagem internacional do país inevitavelmente sofre desgaste.

É legítimo que o governo brasileiro critique ações militares estrangeiras. Contudo, também é legítimo cobrar coerência moral e diplomática. Defender a paz exige condenar abusos independentemente de quem os pratique. Caso contrário, a diplomacia deixa de ser instrumento de Estado e passa a ser ferramenta de alinhamento ideológico.

Num cenário internacional já marcado por tensões crescentes, o Brasil precisa decidir se deseja ocupar o papel de mediador equilibrado ou de ator ideologicamente engajado. A diferença entre essas duas posturas não é retórica — é estratégica.

Por fim, fica o questionamento: Os ataques de Gleisi estão relacionados a uma Diplomacia Ideológica ou Conveniência Política?

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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