A intenção do senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado, de se filiar ao União Brasil para tentar viabilizar uma candidatura ao governo de Minas Gerais — ou até mesmo buscar a reeleição — soa menos como um projeto político consistente e mais como uma tentativa desesperada de sobrevivência eleitoral. Trata-se de um movimento que escancara o distanciamento entre a cúpula política e o sentimento real do eleitorado mineiro.
Durante seu mandato à frente do Senado Federal, Pacheco acumulou críticas por sua postura excessivamente passiva, marcada por omissões em momentos decisivos para o país. Ao invés de exercer com firmeza o papel institucional que o cargo exigia, preferiu o silêncio estratégico, a ambiguidade calculada e a conveniência política. Essa conduta não passou despercebida pelos eleitores, que viram no então presidente do Senado um personagem mais preocupado em preservar alianças do que em defender interesses públicos.
A tentativa de mudança partidária para o União Brasil reforça a percepção de oportunismo. Não há ali uma guinada programática clara, tampouco uma proposta concreta que dialogue com os problemas históricos de Minas Gerais. O que se vê é uma movimentação típica de quem aposta na troca de legenda como atalho para reconstruir uma imagem desgastada — algo que, na prática, raramente funciona.
Pacheco parece ignorar que o desgaste político não se apaga com nova filiação partidária. Sua passagem pelo comando do Senado ficou marcada pela ausência de protagonismo, pela tolerância com crises institucionais e pela frustração de um eleitorado que esperava liderança e independência. Minas, um estado politicamente atento e historicamente exigente, não costuma premiar políticos que se escondem nos momentos difíceis e reaparecem apenas quando vislumbram uma nova disputa eleitoral.
As chances de sucesso nessa empreitada são, portanto, mínimas. O senador não carrega hoje capital político suficiente, nem empolgação popular, nem discurso renovador que justifique uma candidatura majoritária competitiva. Ao contrário: enfrenta desconfiança, rejeição silenciosa e a lembrança recente de um mandato considerado fraco e decepcionante.
No fim das contas, a movimentação de Rodrigo Pacheco parece mais um capítulo da velha política que Minas Gerais afirma querer superar. Trocar de partido sem fazer autocrítica, sem reconhecer erros e sem apresentar um projeto sólido não é estratégia — é ilusão. E, ao que tudo indica, o eleitor mineiro já não compra esse tipo de promessa reciclada.
**Poliglota é jornalista, especialista em políticas públicas do DF e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





