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PF e MP vão apurar se fundo com irmão e aliado de Alcolumbre ignorou alerta sobre o Master

Os desdobramentos da operação Compliance Zero, que apura o escândalo do Banco Master, prometem colocar no centro do debate a relação política do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com a Amapá Previdência (Amprev), presidida por Jocildo Lemos, indicado ao cargo com apoio do senador, e que tem no Conselho Fiscal o irmão de Alcolumbre, o advogado Alberto Alcolumbre.

A reportagem apurou que a Polícia Federal e o Ministério Público do Estado do Amapá (MP-AP) vão investigar se o fundo foi formalmente alertado sobre os riscos e recebeu pareceres contrários sobre investimentos no Banco Master. Ao todo, a Amapá Previdência investiu aproximadamente R$ 400 milhões no banco de Daniel Vorcaro, operação hoje sob investigação por supostas irregularidades.

A Amprev administra a previdência dos servidores públicos do Amapá e gere aposentadorias, pensões e os recursos do regime próprio estadual. Trata-se de uma autarquia do Governo do Amapá.

Uma ata de reunião de 30 de julho de 2024 do Comitê de Investimentos do fundo Amprev, analisada pela Gazeta do Povo, mostra que ao menos Lemos, então diretor-presidente da Amprev, foi alertado por dois conselheiros sobre alto risco, problemas políticos e a necessidade de o fundo consultar o Tribunal de Contas da União antes de optar pelo investimento no Master. Alberto Alcolumbre na ocasião era representante do governo no Conselho Estadual de Previdência, responsável por fiscalizar a Amprev. No ano seguinte, ele se tornou conselheiro fiscal do fundo.

O nome do senador Davi Alcolumbre não aparece nas investigações conhecidas até o momento. Jocildo Lemos, indicado político de Alcolumbre na Amprev, e o irmão do senador, Alberto Alcolumbre, não são investigados até agora. O Ministério Público abriu inquérito para investigar os investimentos e eventualmente responsabilizar envolvidos. A PF investigará o caso no âmbito da operação Compliance Zero e já acumula evidências que ainda serão analisadas.

Em nota, a assessoria de Davi Alcolumbre nega qualquer envolvimento direto dele na indicação ou nas decisões de investimento do fundo. “É falsa e irresponsável qualquer tentativa de vincular o presidente do Senado a essas nomeações ou decisões”, sublinha.

Lemos e Alberto Alcolumbre foram procurados pela reportagem para comentar o caso, mas não se manifestaram até o momento. O espaço segue aberto.

Jocildo Lemos disse ter sido convidado por Alcolumbre para dirigir a Amprev

No centro das decisões na Amapá Previdência estaria Jocildo Lemos, presidente da instituição no momento em que os investimentos no Master foram realizados. Ele é apontado como aliado político e apadrinhado de Davi Alcolumbre, relação que o próprio Lemos já reconheceu publicamente ao agradecer ao senador pela indicação ao cargo.

“E aqui eu faço um agradecimento especial ao governador Clécio Luis, que fez a nomeação, e sobretudo ao senador Davi Alcolumbre, que me convidou para ser o presidente da Amapá Previdência. Eu me disponibilizei a prestar um serviço à frente da Amprev, e eu, com apoio de todos os colaboradores da Amapá Previdência, conseguimos entregar um resultado absolutamente positivo”, disse Jocildo Lemos, em fevereiro de 2024, durante um discurso.

A declaração ocorreu em um contexto de promessas sobre como exerceria a nova função, seguindo uma “política austera, conservadora e sobretudo com a consciência que nós iríamos entregar resultados”.

A Amprev reúne cerca de 40 mil servidores de órgãos como Executivo estadual, Tribunal de Justiça, Ministério Público do AP, Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa e da Defensoria Pública do estado.

Em julho de 2024, o fundo estadual fez uma série de aplicações que somam aproximadamente R$ 400 milhões em letras financeiras do banco sem proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ficando com cerca de 5% do patrimônio atrelado a papéis sem lastro do Master. Esse é o segundo fundo que foi mais exposto à quebra do Master, atrás apenas do RioPrevidência (R$ 970 milhões). Decisões judiciais favoráveis à Amprev têm possibilitado que os aposentados do fundo continuem sendo pagos enquanto o caso não é resolvido.

Outro ponto sensível a Davi Alcolumbre é a presença de seu irmão, Alberto Alcolumbre, em organismos da Amprev. Entre os anos de 2023 e 2024, o irmão do presidente do Congresso foi membro do Conselho Estadual de Previdência, um órgão responsável por fiscalizar a previdência do Amapá. Em 2025, ele deixou a função, mas passou a integrar o Conselho Fiscal da Amapá Previdência.

Caberia ao Conselho Fiscal fiscalizar a gestão financeira e contábil, analisando contas, balanços e atos da administração para garantir legalidade, transparência e proteção do patrimônio.

A assessoria de Davi Alcolumbre nega qualquer interferência direta em decisões administrativas ou de investimento. Mas a combinação de parentesco, indicações políticas e volume expressivo de recursos públicos investidos no Master vêm criando entre críticos do senador uma percepção de conflito de interesses e fragilidade na governança do fundo milionário do Amapá.

O caso pode indicar um possível modelo de ocupação política de estruturas previdenciárias que fragiliza mecanismos de controle e expõe aposentadorias ao risco.

Informações da Gazeta do Povo

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