O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) tratou de encerrar, ao menos por agora, as especulações sobre uma eventual candidatura ao governo de Minas Gerais. De forma direta, o parlamentar deixou claro que seu foco está na reeleição para a Câmara dos Deputados, avaliando que este é o espaço mais estratégico para continuar seu embate político e a atuação que o projetou nacionalmente.
A decisão de Nikolas reorganiza o tabuleiro político mineiro. Com sua saída do radar da disputa estadual, os holofotes se voltam naturalmente para o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), nome que cresce como alternativa competitiva e com forte apelo popular. Cleitinho tem construído sua imagem a partir de um discurso simples, direto e crítico à velha política, características que encontram eco em um eleitorado cada vez mais desconfiado das articulações tradicionais de Brasília.
Esse movimento ganha ainda mais relevância diante da tentativa do presidente Lula de “emplacar” uma candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo de Minas Gerais. Apesar do apoio do Planalto e de setores do establishment político, Pacheco enfrenta um obstáculo difícil de contornar: a impopularidade e a elevada rejeição junto ao eleitorado mineiro. Sua atuação como presidente do Senado, marcada por omissões e alinhamentos pouco claros para grande parte da população, deixou um desgaste que não se apaga apenas com apoio institucional.
Nos bastidores, a avaliação é de que Lula aposta em Pacheco mais por falta de opções competitivas do que por força eleitoral real. Em Minas, o eleitor demonstra cansaço com nomes associados à política tradicional e à lógica de acordos de cúpula, o que torna o desafio do senador ainda maior.
Com Nikolas fora da disputa majoritária e Cleitinho ganhando protagonismo, o cenário mineiro tende a se polarizar entre um projeto que tenta se sustentar no apoio do governo federal e outro que se apresenta como voz antissistema e mais conectada com o sentimento popular. A incerteza sobre a viabilidade de Rodrigo Pacheco apenas reforça a percepção de que Minas Gerais pode surpreender em 2026 — e que o favoritismo, por ora, está longe de ser definido.
**Poliglota é jornalista, especialista em políticas públicas do DF e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





