O presidente Lula aconselhou o empresário Daniel Vorcaro a não vender o Banco Master para o BTG Pactual, numa reunião entre os dois ocorrida em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto.
A informação foi revelada pelo Poder360 e pelo UOL com base em documentos obtidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. À época da reunião, já se sabia no mercado financeiro das imensas dificuldades do Master para honrar seus compromissos, com a venda de CDBs oferecendo rendimentos acima do mercado como sinal de fragilidade da instituição.
A reunião no Planalto serviu para o banqueiro pedir um conselho ao presidente da República. “O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”, disse Vorcaro a Lula.
A proposta do BTG previa transferir ativos de R$ 43,5 bilhões e passivos de R$ 33 bilhões para o BMI, estrutura que seria administrada pelo BTG com apoio financeiro do FGC.
Lula respondeu de maneira enfática. Criticou mais uma vez o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria alguns dias depois, fez comentários derrogatórios sobre André Esteves e recomendou a Vorcaro que seguisse firme sem vender o Banco Master ao BTG.
Gabriel Galípolo, indicado para ocupar a presidência do Banco Central, também participou do encontro. Vorcaro entendeu a presença de Galípolo na reunião e as críticas de Lula a Campos Neto como um incentivo para seguir com o Master.
O banqueiro Daniel Vorcaro esteve no Palácio do Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024, conforme registros oficiais do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) obtidos pela Lei de Acesso à Informação. Vorcaro foi ao Planalto pela primeira vez nesta gestão de Lula no dia 4 de dezembro de 2023.
Em 2024, houve mais duas entradas registradas, em 1º de março e em 3 de abril. Foram realizadas 65 reuniões presenciais entre representantes do Master e o Banco Central desde 2019. 24 encontros na gestão de seis anos de Roberto Campos Neto e 41 encontros já durante o mandato de Gabriel Galípolo, nos primeiros 11 meses de 2025.
As informações são do Conexão Política



