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EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e expõem omissão brasileira

A decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas representa um dos maiores golpes internacionais já desferidos contra o crime organizado brasileiro. A medida não apenas eleva o nível de combate às facções como também escancara ao mundo aquilo que parte da elite política, setores ideológicos e até veículos da grande imprensa insistem em relativizar há anos: o Brasil vive sob a ameaça de grupos criminosos extremamente organizados, violentos e com atuação transnacional.

Coincidentemente — ou não — a decisão veio logo após a visita do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro à Casa Branca, a convite do presidente Donald Trump. O encontro reforçou o alinhamento entre setores conservadores brasileiros e o governo americano no endurecimento contra o narcotráfico, o crime organizado e as facções que hoje dominam fronteiras, presídios e comunidades inteiras no Brasil. A sinalização internacional é clara: o problema deixou de ser apenas brasileiro e passou a ser tratado como ameaça à segurança global.

O mais curioso é o silêncio constrangedor de boa parte da imprensa nacional diante de um fato gravíssimo e histórico. Enquanto jornais, comentaristas e influenciadores gastam horas discutindo narrativas políticas superficiais, a classificação de duas das maiores facções criminosas da América Latina como grupos terroristas recebeu cobertura tímida, quase protocolar. A pergunta inevitável é: por quê?

Talvez porque admitir a gravidade do problema seja reconhecer o fracasso de anos de políticas frouxas de segurança pública, discursos romantizados sobre criminalidade e a conivência ideológica de setores que passaram décadas tratando facções como simples “produto da desigualdade social”, ignorando sua estrutura milionária, armamento pesado, domínio territorial e ligações internacionais.

A decisão americana pode trazer consequências profundas. A partir desse enquadramento, autoridades dos EUA ganham mais instrumentos para bloquear recursos financeiros, ampliar sanções, monitorar operações internacionais e pressionar governos parceiros no combate às organizações criminosas. Na prática, PCC e Comando Vermelho deixam de ser vistos apenas como facções brasileiras e passam a ocupar o mesmo patamar de ameaça reservado a grupos que utilizam violência extrema, intimidação e terror como instrumento de poder.

Enquanto isso, no Brasil, ainda existem setores preocupados não em combater o crime, mas em controlar narrativas. O mundo começa a enxergar aquilo que milhões de brasileiros já sabem há muito tempo: o crime organizado tomou proporções de guerra.

E ignorar isso talvez seja a maior irresponsabilidade de todas.

Da redação por Jorge Poliglota

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