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Moraes avança sobre Receita e Coaf e escancara risco de desvio de finalidade

A possível abertura de um inquérito pelo ministro do STF Alexandre de Moraes contra membros e fiscais da Receita Federal e do Coaf acende um alerta institucional grave. A iniciativa, se confirmada nos termos ventilados, pode configurar evidente desvio de finalidade e carece de amparo legal claro, colocando em xeque limites constitucionais e o próprio equilíbrio entre os Poderes.

Receita Federal e Coaf exercem funções técnicas, amparadas por lei, com deveres de fiscalização e produção de relatórios dentro de parâmetros legais e administrativos. Submetê-los a investigação judicial por atos típicos de ofício — sem indícios robustos de ilícito, dolo ou abuso — cria um precedente perigoso: o de intimidar órgãos de controle e constranger servidores no cumprimento de suas atribuições.

Mais grave ainda é a confusão entre fiscalização administrativa e perseguição penal. O ordenamento jurídico é explícito ao separar responsabilidades, competências e ritos. Transformar divergências institucionais em inquéritos judiciais não fortalece o Estado de Direito; ao contrário, enfraquece-o ao ampliar o poder punitivo sem base legal inequívoca.

O STF, guardião da Constituição, não pode operar como instância revisora de rotinas administrativas nem como instrumento de pressão sobre órgãos técnicos. Quando a exceção vira método, a legalidade vira detalhe. E, nesse cenário, o risco não é apenas para servidores da Receita ou do Coaf, mas para a previsibilidade jurídica e a confiança nas instituições.

A democracia exige freios, contrapesos e, sobretudo, respeito à lei. Sem isso, qualquer investigação — por mais ruidosa que seja — perde legitimidade e passa a representar aquilo que deveria combater.

Da redação

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