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Leniência de Lula e do Judiciário com o crime tornam insegurança o maior temor dos brasileiros

Uma pesquisa da Genial Quaest divulgada nesta semana apontou que a insegurança é hoje a maior preocupação da população. Os crimes e a violência ficaram à frente de problemas sociais e econômicos. Para analistas ouvidos pela reportagem, a política de desencarceramento, a leniência das autoridades e o discurso sobre direitos dos criminosos, que marcam os posicionamentos do governo federal e até mesmo do Judiciário, estão aumentando essa sensação de insegurança.

Os dados foram apresentados na mesma pesquisa que mostrou que 56% dos brasileiros desaprovam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A insegurança foi citada por 29% dos entrevistados. Problemas sociais foram mencionados por 23%, e a questão econômica foi apontada em 19% das respostas.

Segundo a pesquisa da Genial Quaest, em outubro de 2024, a violência era a maior preocupação para 17% dos brasileiros, em dezembro saltou para 20%, em janeiro para 26% e agora chegou aos 29%. Essa última pesquisa ouviu 2.004 pessoas de forma presencial dos dias 27 a 31 de março. A margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou menos, e o nível de confiança é de 95%.

O combate ao crime é uma atribuição dos governos estaduais, segundo a Constituição. Mas o presidente Lula prometeu que sua gestão recriaria o Ministério da Segurança Pública e ajudaria na formação de policiais e reorganizaria o sistema penitenciário. Nenhuma dessas promessas foi cumprida.

Além disso, o governo federal tentou aumentar sua responsabilidade sobre o setor no ano passado por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública, na qual vinculava o repasse de verbas para os estados à adoção de políticas federais para a área. A PEC também não andou.

Para o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão da Segurança Pública da Câmara dos Deputados, não se trata de uma percepção de insegurança, mas de uma realidade agravada por medidas lenientes anunciadas pelo governo. Ele afirma que as medidas vão na contramão das punições, como a política de desencarceramento, uma suposta preocupação com roubo e furtos de celulares e a PEC da Segurança Pública que pode tirar autonomia de estados e municípios.

“A União tem atribuições de segurança pública nas fronteiras, portos e aeroportos, que é por onde entram as drogas e as armas que abastecem o crime organizado e não consegue fazer isso, mas quer dominar a segurança nos estados e municípios com a PEC da Segurança ao mesmo tempo em que adota medidas que promovem a impunidade”, alerta.

“Existem indicadores políticos que estão sujeitos à propaganda como educação, saúde, cultura. Existem dois elementos que são imunes à propaganda governamental: a economia, porque o cidadão desde o mais bem informado do Brasil até o mais mal informado do Brasil, os dois têm que ir ao supermercado, e o outro elemento é a segurança pública. O indivíduo mais bem informado e o mais mal informado estão sujeitos aos mesmos riscos. E aí o governo entra em desespero porque não consegue mascarar, não consegue mentir sobre segurança pública. O indivíduo está sendo mais roubado, ele está sendo mais vítima de crimes, sente na pele a sensação de insegurança”, descreve o parlamentar.

Estatísticas oficiais não apontaram altas criminais agudas. No ano passado, o país teve 38.722 assassinatos, 5% a mais do que no ano de 2023. Não há estatísticas nacionais consolidadas para este ano, mas crimes banais têm chocado a sociedade, como o assassinato do arquiteto Jefferson Dias Aguiar, executado por um criminoso em São Paulo nesta semana.

Aguiar foi morto a tiros na última terça-feira (1º), no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, após tentar impedir um assalto que presenciou enquanto dirigia. Ele acelerou o carro contra o criminoso, de 20 anos, que havia acabado de assaltar uma mulher. Após ser atingido pelo veículo, o criminoso se levantou e disparou três vezes contra o arquiteto, que não resistiu aos ferimentos.

A fuga foi auxiliada por um segundo suspeito, também de 20 anos, que pilotava uma moto usada para resgatar o atirador. A dupla já havia roubado outro veículo horas antes. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois suspeitos após pedido da Polícia Civil. Aguiar, arquiteto com mais de uma década de atuação na área, era casado e conhecido por compartilhar momentos pessoais e de lazer nas redes sociais.

Para o senador Sergio Moro (União-PR), vice-presidente da Comissão de Segurança no Senado, a percepção generalizada de insegurança se traduz pela criminalidade avançando e o governo federal inoperante. Ele também reforça a repercussão de crimes brutais e citou outros casos ocorridos no Paraná e em São Paulo.

Luiz Lourenço, de 35 anos, foi brutalmente assassinado enquanto seguia para o trabalho durante a manhã do dia 25 de março, em Cascavel (PR). O crime foi registrado por câmeras de segurança. Elas mostraram o momento em que um morador de rua – com várias passagens pela polícia – estava com uma barra de concreto e partiu para cima de Lourenço, que foi violentamente golpeado. Ele morreu no local. O suspeito foi morto em confronto com a polícia horas depois.

O segundo crime brutal lembrado pelo senador foi o do ciclista Vitor Medrado, assassinado em fevereiro enquanto estava parado em sua bicicleta na região do Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo. Dois homens em uma moto se aproximaram e, sem anunciar assalto ou dar chance de reação, o atirador disparou contra a vítima, atingindo-a na nuca.

Após o disparo, um dos criminosos desceu da moto e roubou o celular de Medrado antes de fugir com o comparsa. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu. As investigações da Polícia Civil identificaram os suspeitos. Ambos tinham passagens criminais e foram presos em ações distintas nesta semana. Também foi presa uma mulher acusada de financiar o latrocínio e outros assaltos na capital paulista.

“Enquanto isso, Lula não enviou até o momento um único projeto de lei sobre segurança pública ao Congresso Nacional e afirma que os parlamentares seguem aguardando pela PEC da Segurança Pública”, critica o senador.

Por Juliet Manfrin-Gazeta do Povo

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