O Rio Grande do Norte vive um retrato preocupante de desgoverno e instabilidade política
Enquanto o Estado enfrenta um rombo financeiro histórico, serviços públicos fragilizados e uma máquina administrativa engessada, a governadora Fátima Bezerra (PT) avalia renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado. O problema é que, diante do cenário de terra arrasada, nem o próprio vice-governador demonstra disposição para assumir o comando do Executivo estadual.
A possível renúncia expõe uma contradição difícil de justificar. Eleita para governar até o fim do mandato, Fátima Bezerra sinaliza priorizar um projeto pessoal em detrimento da responsabilidade de concluir a gestão e enfrentar os problemas que se acumulam no Estado. A mensagem que fica para a população é clara: o governo se tornou um meio, não um fim.
Mais grave ainda é a recusa do vice-governador em assumir o Palácio Potengi. O gesto, longe de ser apenas político, é uma confissão explícita do caos financeiro herdado. Se quem participou do governo não quer sentar na cadeira principal, é porque sabe que o caixa está vazio, as contas não fecham e as promessas feitas não encontram respaldo na realidade fiscal.
O Rio Grande do Norte amarga atrasos estruturais, dificuldades para investir, dependência crescente de recursos federais e um funcionalismo pressionado por incertezas. A gestão atual, que prometia reconstrução e equilíbrio, entrega um Estado exaurido, onde até os próprios aliados evitam assumir a responsabilidade final.
No fim, a população fica refém de um jogo de empurra. De um lado, uma governadora que quer sair antes do término do mandato; de outro, um vice que não quer entrar. No meio desse vácuo de liderança está o povo potiguar, pagando a conta de um governo que parece mais preocupado com calendários eleitorais do que com soluções concretas.
O Rio Grande do Norte não precisa de fuga, nem de recusa. Precisa de coragem política, responsabilidade administrativa e compromisso até o último dia de mandato — algo que, infelizmente, anda em falta no atual governo.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





