De acordo com o presidente americano Donald Trump, divulgado em rede social, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente não informou para onde Maduro e a mulher foram levados
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea“, disse Trump.
A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos ajuda a dimensionar a fragilidade do regime venezuelano e os efeitos em cadeia que um movimento dessa magnitude provocaria na América Latina, especialmente no Brasil.
O episódio, que deve ser confirmado oficialmente pelo presidente americano hoje (3), às 13:00 horas no horário de Brasília em uma coletiva de imprensa, coloca o mundo diante de um divisor de águas histórico. Não apenas pelo fim abrupto de um dos regimes mais longevos e controversos do continente, mas pelo recado inequívoco que Washington enviaria ao mundo: a era da tolerância com ditaduras alinhadas ao discurso antiamericano teria chegado ao limite.
Sob o ponto de vista político, a retirada forçada de Maduro do poder acaba por acelerar o colapso do chavismo, mas dificilmente ocorrerá sem turbulência. O risco de instabilidade institucional, disputas internas e até conflitos localizados na Venezuela será imediato. Regimes autoritários raramente caem de forma organizada — e o vácuo de poder costuma ser tão perigoso quanto o próprio regime.
E o Brasil?
Para o Brasil, segundo especialistas, os reflexos serão diretos e incômodos. O governo brasileiro, que optou por reatar e normalizar relações com Caracas, será pressionado a se posicionar com rapidez. A tradicional diplomacia do “equilíbrio” perde espaço diante da necessidade de escolhas claras. Silêncio, nesse cenário, equivalerá a omissão.
No campo humanitário, a queda de Maduro poderá desencadear uma nova onda migratória rumo ao Brasil, sobretudo pela fronteira Norte. Estados já sobrecarregados voltariam a enfrentar pressão sobre serviços públicos, segurança e assistência social, revelando mais uma vez como decisões externas recaem sobre a realidade interna brasileira.
Economicamente, o impacto também seria relevante. A instabilidade venezuelana afetaria acordos comerciais, o setor energético e a previsibilidade regional, gerando incertezas para empresas e investidores. O discurso ideológico, tão comum quando se fala da Venezuela, rapidamente daria lugar a cálculos pragmáticos.
Mas talvez o maior efeito esteja no plano simbólico e político. A captura do sanguinário ditador Maduro reacende o debate sobre soberania, democracia e intervenção internacional — temas caros à retórica oficial brasileira. O país teria de decidir se mantém um discurso alinhado a regimes autoritários sob o pretexto da não intervenção ou se reconhece que a defesa da democracia exige, em certos momentos, posicionamento firme.
A verdade é que esse cenário escancara uma verdade incômoda: o Brasil não é um espectador neutro no tabuleiro geopolítico regional. O abalo profundo na Venezuela repercutirá diretamente em território brasileiro, seja nas fronteiras, na economia ou na política interna.
Ignorar isso não é diplomacia. É apenas adiar um debate que, cedo ou tarde, se impõe pela força dos fatos.
Lula, preocupado, faz reunião emergencial
Preocupado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou uma reunião de emergência para a manhã deste sábado (3), no Itamaraty, para tratar sobre o ataque do governo dos Estados Unidos à Venezuela.
De acordo com informações divulgadas pela rede de TV GloboNews, o governo brasileiro já entrou em contato com o governo venezuelano para acompanhar a situação no país vizinho. Ainda não se sabe quais ministros do governo participarão da reunião.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





