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Estelionatário contumaz: comportamento, motivações e possibilidade de recuperação

O praticante habitual de estelionato costuma agir menos pela força e mais pela manipulação. Seu crime depende de confiança, discurso convincente, leitura emocional da vítima e capacidade de criar uma aparência de legitimidade. Estudos sobre fraudadores mostram que a fraude geralmente surge da combinação de três fatores: pressão ou incentivo, oportunidade e racionalização, modelo conhecido como “triângulo da fraude”.

Na prática, esse tipo de criminoso tende a apresentar algumas atitudes recorrentes: facilidade em mentir, criação de narrativas sofisticadas, uso de charme social, promessa de vantagens rápidas, transferência de culpa para terceiros e baixa empatia diante do prejuízo causado.

Pesquisas sobre reincidência criminal também apontam que infratores reincidentes podem apresentar impulsividade, pensamento egocêntrico e menor consideração pelas consequências de seus atos.

A necessidade de repetir o crime não significa, necessariamente, uma “compulsão” no sentido clínico. Em muitos casos, trata-se de um padrão aprendido: o indivíduo percebe que consegue obter dinheiro, status ou vantagem por meio da enganação e passa a normalizar esse caminho. Com o tempo, a barreira moral diminui. Um estudo sobre fraudadores descreve esse processo como o enfraquecimento de uma “voz interna” que antes impedia a fraude, até que o crime se torna mais fácil de justificar.

Outro ponto importante é a racionalização. O estelionatário frequentemente cria justificativas como “todo mundo faz”, “eu só estou pegando emprestado”, “a vítima também queria levar vantagem” ou “o sistema é injusto”. Essa autodefesa psicológica ajuda o criminoso a reduzir a culpa e continuar repetindo o comportamento.

Existe recuperação?

Quanto às chances de recuperação, elas existem, mas dependem de fatores concretos: reconhecimento do dano causado, responsabilização real, acompanhamento psicológico, mudança de ambiente, reparação às vítimas, controle financeiro e redução das oportunidades de reincidir. Estudos sobre criminosos de colarinho branco mostram que muitos não são autores de um único episódio; há casos de reincidência, especialmente quando já existe histórico criminal, instabilidade pessoal ou ausência de sanções efetivas.

Portanto, a recuperação é possível, mas não ocorre apenas com discurso de arrependimento. O indicador mais importante não é o que a pessoa promete, mas o que ela muda: se aceita consequências, repara danos, abandona círculos criminosos e se submete a acompanhamento sério. Sem isso, a tendência é a repetição do padrão, principalmente quando o golpe volta a parecer lucrativo e de baixo risco.

Em suma o estelionatário habitual não é apenas alguém que mente. É alguém que transforma a mentira em método de sobrevivência, ganho ou poder.

Caro leitor, esse perfil te lembra algum político inelegível?

Da redação por Jorge Poliglota…

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