O Brasil vive um tempo em que a violência deixou de ser exceção para se tornar rotina. O que mais assusta não é apenas a frequência dos crimes, mas a futilidade dos motivos que têm ceifado vidas — sobretudo vidas jovens. A morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, após ser brutalmente agredido pelo ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso, é um retrato cruel dessa realidade que insiste em se repetir.
Não se trata de um episódio isolado, nem de um “desentendimento que saiu do controle”, expressão muitas vezes usada para suavizar o inaceitável. Trata-se da falência de valores básicos de convivência, do desprezo pela vida e da normalização da violência como resposta a conflitos banais. Quando a agressão vira reação automática e a força substitui o diálogo, a sociedade inteira adoece.
A morte de Rodrigo escancara um problema mais profundo: a cultura da intolerância e da impunidade. Pequenas divergências, olhares atravessados, palavras mal colocadas — tudo parece suficiente para acionar um gatilho de ódio. O resultado é sempre o mesmo: famílias destruídas, futuros interrompidos e um país que se acostuma a enterrar seus jovens.
É impossível não questionar onde estamos falhando. Falhamos na educação emocional, ao não ensinar limites e responsabilidade. Falhamos no combate efetivo à violência, ao permitir que agressores acreditem que nada lhes acontecerá. Falhamos, sobretudo, quando relativizamos crimes graves como se fossem acidentes do destino.
Rodrigo não é apenas um nome em uma manchete. É um símbolo doloroso de uma juventude vulnerável em um ambiente cada vez mais hostil. Sua morte exige mais do que indignação momentânea; exige justiça rigorosa, reflexão coletiva e ações concretas para frear a escalada da violência motivada pelo nada.
Enquanto motivos fúteis continuarem a custar vidas, o país seguirá refém do medo e da barbárie. Honrar a memória de Rodrigo é romper com essa lógica perversa e reafirmar, sem concessões, que nenhuma violência é aceitável — muito menos aquela que mata por tão pouco.
**Poliglota é jornalista, especialista em políticas públicas do DF e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





