Em entrevista exclusiva, presidente do BRB diz por que balanço não foi entregue e indica que levará relatório de auditoria à PF, ao STF e BC
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, disse ao Metrópoles que a instituição não apresentou o balanço referente ao ano de 2025 nesta terça-feira (31/3) porque aguarda resultado da auditoria forense que apontará o real prejuízo da compra de ativos podres do Banco Master.
Nelson explicou que o relatório da Machado Meyer, com supervisão da Kroll, vai ser entregue nesta terça-feira, mas ainda precisa passar por revisão externa, processo que é chamado de shadow, pela Grant Thornton.
Os resultados serão apresentados à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Banco Central, à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
“Nós aumentamos o escopo da auditoria forense Machado Meyer e Kroll por solicitação da Grant Thornton, que faz o acompanhamento externo da investigação. Tendo em vista esse escopo ampliado, o relatório final ficou também para 31 de março, demandando mais tempo para análise da auditoria externa. Não apresentamos o balanço porque isso pode resultar em alteração no balanço do BRB”, disse Nelson em entrevista exclusiva ao Metrópoles.
O presidente do BRB afirmou que o banco continua em campo para efetivar a capitalização. Além do empréstimo de R$ 4 bilhões solicitado ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o plano do BRB inclui:
- empréstimo com sindicato de bancos, também no valor de R$ 4 bilhões;
- fundo de investimento imobiliário (FII) com terrenos públicos;
- venda de ações de estatais;
- venda de participações em subsidiárias do BRB;
- venda de ativos do Banco Master.
O BRB tem 180 dias para concluir o plano apresentado ao Banco Central. Esse prazo encerra em 5 de agosto de 2026.
A Lei Distrital nº 7.845/2026, que autoriza ao acionista controlador do BRB, o Governo do Distrito Federal, uma série de medidas para restabelecer as condições econômico-financeiras do banco, foi questionada na Justiça por partidos de oposição.
Nelson afirmou, na entrevista, que a insegurança jurídica atrapalha a recuperação do BRB. “É importante que o povo de Brasília e região consiga tirar de dentro desse escopo esse debate político porque não ajuda o BRB, banco que é muito importante”, declarou.
Com informações Metropoles.co



