A cara de pau de certos elementos na política do DF está tão escancarada que hoje se vê o “sujo falando do mal lavado” como se fossem os santos supremos da moralidade
O oportunismo político de alguns políticos do DF ultrapassa o limite do tolerável e tenta tornar o eleitor um débil mental, um analfabeto político e um gado nas mãos desses elementos.
Ao protocolarem um pedido de impeachment e CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Legislativa do DF, tentando jogar no bojo da sujeira denunciada do Banco Master Ibaneis Rocha e Celina Leão, Rodrigo Rollemberg, Cristovam Buarque e Ricardo Cappelli nada mais estão tentando fazer do que aproveitar o momento político e o oportunismo eleitoreiro. Tivessem eles mesmo comprometimento com a capital federal e com o Brasil, aproveitariam para fazer um lobby fortíssimo no Congresso Nacional para investigar a República, o qual eles apoiam, que está enterrada até o pescoço nas denúncias do caso Banco Master e Daniel Vorcaro.
A República inteira, Executivo, Legislativo e Judiciário tem muito o que explicar. Segundo a imprensa, tem muita gente atolada até o pescoço. Um deles seria o Líder do Governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), que por um pedido seu Vorcaro contratou o ex-ministro Guido Mantega para prestar Consultoria ao Master com um salário de R$ 1 milhão de reais por mês. Detalhe: Foi na condição de consultor do banco que Mantega conseguiu levar Daniel Vorcaro para uma reunião com o presidente Lula, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. Mas isso ninguém fala.
Mas vamos voltar um pouquinho no tempo e falar dos três “meninos prodígios” da moralidade.
Rodrigo Rollemberg:
Há exatos 10 anos atrás, o Governo Rollemberg, considerado hoje pela opinião pública como o pior governo que o DF já teve, foi protagonista de uma garfada bilionária no caixa do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev), mesmo tendo o Ministério Público, sindicatos e especialistas alertado que o dinheiro dos aposentados do Distrito Federal estava sob forte ameaça. Não deu outra!
O pior governador do DF iniciou a destruição do IPREV efetuando um primeiro saque no valor de quase R$ 1,3 bilhão em 2015. Não satisfeito, promoveu no ano seguinte, 2016, um outro saque de R$ 493 milhões.
Mas o governo precisava de uma justificativa para os atos, e foi então que em 2017 ele anunciou a transferência de ações do BRB ao Iprev, que de acordo com avaliações, à época, valiam cerca de R$ 531,4 milhões. Ora, essas ações, hoje, impactadas pela depreciação sofrida com o caso do Banco Master, estão avaliadas em torno de R$ 406,5 milhões. Ou seja: o prejuízo causado pelo ex-governador Rollemberg chega à cifra de R$ 124,8 milhões, informam especialistas em economia consultados pelo Portal.
Cristovam Buarque: o Governo que o DF rejeitou
A passagem de Cristovam Buarque pelo governo do Distrito Federal deixou um legado marcado mais por frustrações do que por resultados concretos. Seu mandato impactou negativamente diversos setores da capital da República e criou um desgaste político tão profundo que inviabilizou qualquer tentativa séria de retorno ao Palácio do Buriti.
O então governador optou por um modelo de gestão excessivamente ideológico e desconectado da realidade administrativa do DF. Faltou pragmatismo, sobrou distanciamento. Em vez de enfrentar os problemas reais da população — como infraestrutura precária, serviços públicos ineficientes e falta de diálogo com servidores e comunidades — Cristovam apostou em experiências administrativas que não encontraram respaldo nem eficácia prática.
A consequência foi um governo isolado, sem base política sólida e sem apoio popular. Categorias profissionais se afastaram, lideranças comunitárias romperam e o eleitor passou a enxergar a gestão como arrogante e insensível às urgências do cotidiano. O DF, que exige pulso firme e capacidade de articulação, teve um governador que governou mais para o discurso do que para o resultado.
O eleitorado respondeu de forma clara e definitiva: rejeitou Cristovam Buarque nas urnas e fechou as portas para sua volta ao comando do Distrito Federal. As consequências se estenderam até o parlamento, quem não se lembra? Não foi perseguição política, foi julgamento popular. O DF mostrou que não tolera governos e parlamentares distantes, improvisados e incapazes de transformar boas ideias em ações concretas.
Cristovam perdeu o DF quando governou ignorando sua complexidade — e nunca mais conseguiu reconquistá-lo. Hoje, para muitos, é um morto político esquecido de ser enterrado.
Já Cappelli… Repressão, Propaganda e o Estado a serviço de um projeto pessoal
Ricardo Cappelli transformou cargos de natureza técnica e institucional em instrumentos de disputa política e autopromoção. À frente da intervenção na Segurança Pública do DF durante os atos de 8 de janeiro, sua atuação foi marcada por denúncias de repressão excessiva, acusações de uso desproporcional da força e alegações graves — ainda não plenamente esclarecidas — sobre a utilização de munição letal contra manifestantes, o que acendeu alertas sobre abuso de autoridade e violação de protocolos democráticos.
Em vez de agir como figura de equilíbrio em um momento crítico da República, Cappelli optou pelo protagonismo midiático e pela construção de narrativa política. A intervenção, que deveria ser excepcional e técnica, tornou-se símbolo de politização da segurança pública, aprofundando a polarização e deixando um rastro de questionamentos jurídicos e institucionais.
O mesmo padrão passou a ser apontado após sua chegada à presidência da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Críticas e denúncias indicam o uso de recursos da agência em ações de comunicação com viés político e personalista, supostamente voltadas a enaltecer sua própria imagem, desviando a ABDI de sua finalidade estratégica e levantando suspeitas de uso indevido da máquina pública.
Para críticos, Cappelli não representa fortalecimento institucional, mas a corrosão dos limites entre Estado, propaganda e ambição política. Quando cargos públicos viram palanque e a autoridade vira ferramenta de marketing, o prejuízo não é apenas administrativo — é democrático.
Diante dos fatos acima narrados, ampla e exaustivamente divulgados na mídia e na grande mídia, deixo a pergunta ao leitores e eleitores: “É isso que ainda querem para nossa amada Capital Federal?”
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





