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Entre a confiança e a abstenção: o “pisão na bola” da Dra. Jane Klebia com Celina

Na política, gestos costumam falar mais alto do que discursos. E, às vezes, uma simples abstenção consegue dizer muito mais do que um voto contrário

Foi exatamente essa leitura que tomou conta dos bastidores da Câmara Legislativa após a deputada distrital Dra. Jane Klebia (Republicanos), integrante da base do governo, optar por não acompanhar a governadora Celina Leão na votação do projeto que autoriza a contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado à recomposição patrimonial do BRB no último dia 09.

O curioso é que, antes de anunciar sua decisão, a parlamentar fez questão de reafirmar sua confiança em Celina Leão, elogiou a governadora e afirmou acreditar em sua intenção de preservar o banco. Mas, quando essa confiança precisava se transformar em voto, veio a abstenção.

Segundo a deputada, faltou segurança jurídica e técnica para apoiar a proposta. Um argumento legítimo. O problema é que a memória política costuma ser implacável.

Quando o BRB decidiu adquirir ativos do Banco Master, operação que posteriormente enfrentou forte resistência do Banco Central e acabou mergulhada em uma enorme crise, Dra. Jane não demonstrou a mesma cautela. Naquela ocasião, votou favoravelmente à operação mesmo diante das dúvidas que já circulavam sobre o negócio e das manifestações públicas de preocupação em torno da transação.

É justamente essa diferença de postura que alimenta os questionamentos. Se hoje a insegurança justificou uma abstenção em um projeto apresentado para tentar preservar o patrimônio do banco, por que a mesma prudência não prevaleceu quando o risco envolvia a aquisição dos ativos do Master?

Ninguém está dizendo que a parlamentar tenha cometido qualquer irregularidade ou participado de qualquer ato ilícito. A questão é essencialmente política. E política também se faz pela coerência entre discursos e decisões.

Nos corredores do Buriti, a leitura predominante foi de que o gesto representou um inesperado distanciamento de uma deputada que integra a base do governo, ocupa espaços importantes na estrutura administrativa (Paranoá e Itapoã) e sempre contou com a confiança do grupo político liderado por Celina Leão.

No fim das contas, a abstenção acabou produzindo um efeito curioso: desagradou quem esperava lealdade da base governista sem convencer plenamente aqueles que fazem oposição ao governo. Como costuma acontecer na política candanga, quem tenta não escolher um lado muitas vezes acaba desagradando a todos.

Em resumo, para uma deputada, que também é delegada, é inadmissível sob qualquer justificativa que ela acredite que o meliante que cometeu o delito deva receber o salvo conduto apenas porque ele em seu depoimento tenha dito que agiu de boa-fé e saia pela porta da frente da delegacia para voltar a cometer mais crimes. Imaturidade ou conveniência?

Na política, existe um velho ditado: confiança se conquista ao longo do tempo, mas pode ser colocada em dúvida em apenas uma votação. E foi exatamente essa impressão que ficou para muitos observadores após a sessão que discutiu um dos projetos considerados mais importantes para o futuro do BRB, seus funcionários ativos e aposentados e suas famílias.

Assista ao pronunciamento da deputada Dra Jane

Da redação por Jorge Poliglota…

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