A nova disparada no preço dos combustíveis escancara a fragilidade da política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. No Distrito Federal, o diesel subiu pelo segundo dia consecutivo e já acumula alta de R$ 0,89 em poucos dias, enquanto a gasolina também registra aumento. O resultado é imediato: postos fechando temporariamente em Brasília por falta de produto e consumidores pagando cada vez mais caro para trabalhar, produzir e sobreviver.
O cenário revela não apenas instabilidade internacional, mas principalmente a incapacidade do governo de estruturar uma política energética eficiente e preventiva. O Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome, o que expõe o país às oscilações externas. Em vez de fortalecer a autossuficiência e ampliar a capacidade de refino, a gestão federal assiste à crise tentando remediar seus efeitos com medidas paliativas, como reduções pontuais de impostos que pouco impacto real têm no bolso do consumidor.
A própria Petrobras tem recorrido a leilões para ampliar a oferta de diesel, mas o ágio já chega a valores muito acima do preço de tabela, pressionando ainda mais a cadeia de distribuição. Pequenas distribuidoras sofrem, postos trabalham com cotas limitadas e alguns estabelecimentos no DF já ficaram dias sem receber combustível, sendo obrigados a suspender as vendas.
O reflexo mais preocupante recai sobre o Agro brasileiro — o verdadeiro motor da economia nacional. O diesel é essencial para o plantio, a colheita e o transporte da produção. Cada centavo de aumento impacta diretamente o custo final dos alimentos, pressionando a inflação e reduzindo a competitividade do produtor rural no mercado internacional. O resultado é previsível: alimentos mais caros, fretes elevados e retração econômica.
A crise do diesel não é apenas um problema pontual de abastecimento. É um sintoma de uma gestão que falha em planejamento estratégico, previsibilidade e segurança energética. Quando postos fecham em Brasília por falta de combustível, o alerta está dado: a economia começa a sentir os efeitos de decisões mal calibradas.
Sem uma política clara para reduzir a dependência externa, ampliar o refino interno e garantir estabilidade regulatória, o Brasil continuará vulnerável — e quem paga essa conta é o trabalhador, o produtor rural e o consumidor final.
Lula? Bom, ele tem mais preocupações do que estar voltado para o bolso dos pobres…
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília



