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A crise da palavra: Michelle, Bia Kicis e a desconfiança que abalou o bolsonarismo do DF

A direita brasiliense, que durante anos se orgulhou de repetir o lema de lealdade e coerência defendido pelo clã Bolsonaro, agora vive um momento de profunda desconfiança. O motivo é a condução política de Michelle Bolsonaro no Distrito Federal, especialmente após sinais de que pretende disputar o Senado, mesmo diante de compromissos políticos anteriormente anunciados.

O desconforto aumentou quando a presidente do PL no DF, Bia Kicis, passou a se apresentar como candidata ao Senado, criando uma situação de conflito interno que deixou eleitores bolsonaristas perplexos. Afinal, muitos desses apoiadores haviam acreditado nas declarações públicas de que o grupo apoiaria Ibaneis Rocha para o Senado e Celina Leão ao governo do DF.

Para a base conservadora local, a sensação é de quebra de palavra — algo que sempre foi duramente criticado pelo próprio bolsonarismo quando praticado por adversários. A percepção crescente entre militantes e lideranças de direita é de que houve uma “pulada de cerca política”, criando ruído, insegurança e uma disputa interna que enfraquece o campo conservador no momento em que ele deveria demonstrar unidade.

Essa indefinição abriu espaço para a oposição candanga agir rapidamente. Setores adversários passaram a explorar a situação nas redes sociais e em blogs de linha nitidamente esquerdista, disseminando suposições, narrativas e especulações justamente porque, até agora, não houve qualquer posicionamento oficial claro por parte de Michelle.

O problema não é apenas eleitoral — é simbólico. Durante anos, o bolsonarismo construiu sua força política em cima do discurso de fidelidade, coerência e compromisso com aliados. Quando surge a percepção de que esses princípios estão sendo relativizados dentro do próprio grupo, o impacto é inevitável: frustração na militância, perda de confiança e questionamentos sobre a credibilidade das lideranças.

Um detalhe que não pode passar desapercebido é o fato de que Ibaneis Rocha, atual governador e que se desincompatibilizará no próximo dia 28 de março para concorrer a uma vaga no Senado tem seu próprio nicho eleitoral. A demonstração dessa força vem desde 2018, quando saiu da última posição para a disputa ao GDF, alcançar o segundo turno contra Rodrigo Rollemberg (PSB) e chegar a governador eleito e reeleito em 2022 ainda em primeiro turno com quase 1 milhão de votos, feito esse que nem mesmo Joaquim Roriz, ex-governador popular do DF e já falecido, conseguiu.

Entre eleitores conservadores do DF, a cobrança é direta: mais do que ambições pessoais, esperava-se clareza, lealdade e respeito aos compromissos assumidos publicamente. Enquanto essa definição não vier, a crise tende a se aprofundar — e a maior vítima pode ser justamente a confiança da base que sempre acreditou, sem reservas, na palavra do próprio clã Bolsonaro.

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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