A imprensa tradicional, em busca de audiência, cliques ou por vieses ideológicos e também políticos, pode ter dado palco, legitimidade e espaço exagerado a figuras extremistas (políticas ou não), narrativas sensacionalistas ou teorias da conspiração (as chamadas fake news).
Esta perspectiva, amplamente difundida em setores da direita conservadora e também na população em geral, sugere que a imprensa tradicional brasileira vive um momento de “efeito bumerangue”.
Ao longo dos últimos anos, veículos de comunicação foram acusados de abandonar a imparcialidade para atuar como uma espécie de “assessoria de imprensa” do judiciário, em especial nas ações que envolvem um dos ministros da Suprem Corte Brasileira.
Senão, vejamos uma análise crítica desse cenário sob essa ótica:
- A Simbiose entre Mídia e Judiciário
Para muitos críticos, a imprensa “alimentou o monstro” ao validar, sem questionamentos, decisões que extrapolavam o rito processual comum em nome da “defesa da democracia”. Manchetes que celebravam bloqueios de contas e censura prévia de vozes conservadoras criaram um ambiente onde o devido processo legal foi substituído pela narrativa da urgência política. O resultado foi o fortalecimento de um poder que, agora, se volta inclusive contra os próprios jornalistas quando as críticas começam a aparecer.
- Seletividade e o fim da isonomia
A percepção de que existe uma “justiça seletiva” é um dos pilares da perda de credibilidade do jornalismo tradicional. Enquanto falas de esquerda são frequentemente tratadas como liberdade de expressão ou opinião política, qualquer movimento à direita é prontamente rotulado pela mídia como “antidemocrático” ou “disseminação de fake news”. Essa disparidade de tratamento gerou o que muitos chamam de “perseguição implacável”, onde o cidadão comum sente que só há um lado autorizado a falar no Brasil.
- O Êxodo para as Mídias Alternativas
A sociedade não parou de buscar informação; ela apenas mudou de canal. A ascensão de portais independentes e influenciadores digitais não é um acidente, mas uma resposta direta ao que é visto como a “morte do jornalismo de fatos” nas grandes redações.
- Velocidade e Transparência: Mídias alternativas entregam os fatos em tempo real, muitas vezes expondo documentos e lives que a TV ignora.
- O “Filtro da Verdade”: O público passou a confiar mais em quem compartilha seus valores do que em instituições que parecem ter um lado político definido.
- O Monstro prestes a engolir o criador
Recentemente, o cenário mudou: um dos ministros passou a atacar abertamente setores da imprensa que o criticaram (como no caso do Banco Master ou em questionamentos sobre o inquérito das fake news), acusando-os de agir de “má-fé”. Isso confirma o temor de que, ao ajudar a construir um poder sem limites para combater um adversário político, a imprensa brasileira cavou a própria cova.
Agora, talvez entendendo melhor que sem a proteção da liberdade de expressão todos passam a ser alvos, os jornalistas descobriram que quem tem o poder de silenciar “o outro” também tem o poder de silenciar o repórter quando a lua de mel acaba.
Será que entenderam tarde demais?
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília



