A morte de Manoel Carlos, aos 92 anos, marca o fim de um dos capítulos mais emotivos e fundamentais da dramaturgia brasileira e deixa um vazio que dificilmente será preenchido. Conhecido carinhosamente como Maneco, o autor faleceu neste sábado, 10 de janeiro de 2026, no Rio de Janeiro, após enfrentar complicações relacionadas à Doença de Parkinson, segundo informações divulgadas pela família.
Manoel Carlos foi mais do que um autor de novelas — ele foi um cronista da vida brasileira, um narrador sensível das emoções que nos conectam e nos transformam. Por mais de cinco décadas, Maneco construiu uma obra que ultrapassou o entretenimento para tocar o coração de milhões. Suas histórias, muitas ambientadas no Leblon e centradas em conflitos familiares, amor, ética e relações humanas, tornaram-se parte do tecido cultural do Brasil.
Um dos traços mais emblemáticos de sua carreira foi a criação das protagonistas chamadas Helena, personagens que atravessaram gerações e se transformaram em ícones da cultura popular brasileira. Cada Helena trazia consigo a complexidade das mulheres reais — suas dores, alegrias, desejos e contradições — representadas com humanidade e delicadeza.
O impacto de sua obra vai além das tramas românticas e dos conflitos familiares. Manoel Carlos foi pioneiro em trazer diversidade e representatividade para o horário nobre da televisão, criando marcos como a primeira protagonista negra em novela em horário nobre e abordando temas sociais relevantes que geraram debates públicos significativos.
Artistas, políticos e o público em geral expressaram profundo pesar pela partida de Maneco. A ministra da Cultura ressaltou que sua obra “vai seguir viva na memória e em nossa cultura”, destacando sua importância para a construção da identidade dramática brasileira.
Hoje, o Brasil se despede de um mestre cujo olhar atento e sensível transformou a televisão em espelho da nossa própria vida. Sua escrita não apenas refletiu a sociedade — ela a moldou, ensinou a amar suas nuances e a reconhecer, na tela, pedaços íntimos da própria história. Embora Manoel Carlos tenha partido, suas histórias continuarão a viver, emocionando novas gerações e mantendo acesa a chama da nossa narrativa cultural.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





